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3 de agosto de 2005
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MÚSICA

Os maestros se divertem

Corre-corre e vedetismos na
vinda de grandes regentes e
suas orquestras a São Paulo

Ricardo Moreno


Ilustrações Negreiros
No cardápio do alemão Kurt Masur não podem faltar tortas, sucos nem sorvete de maracujá, sua fruta predileta
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Nos próximos dias, o público paulistano terá a chance de assistir a três grandes nomes da regência em ação na Sala São Paulo. O septuagenário alemão Kurt Masur comanda os bolsistas do Festival de Inverno de Campos do Jordão neste domingo (31). No sábado (6), o argentino naturalizado israelense Daniel Barenboim apresenta-se à frente da West-Eastern Divan Orchestra, composta de jovens músicos palestinos e israelenses com idade entre 13 e 26 anos. Em seguida, no domingo (7) e nos dias 8 e 9, o indiano Zubin Mehta empunha a batuta diante da formidável Filarmônica de Israel. O que os apaixonados por música erudita não imaginam é a verdadeira via-crúcis que existe por trás da vinda de grandes maestros e orquestras de porte à cidade.

Responsável pelas turnês de Barenboim, Mehta e seus respectivos conjuntos, Gerard Loeb, diretor do Teatro Cultura Artística, tem poucas horas de sono no período em que eles permanecem por aqui. Suas preocupações começam muito antes do desembarque. Três meses atrás, os 116 vistos de trabalho temporário exigidos pelo governo brasileiro já haviam sido emitidos para os integrantes da West-Eastern. Três ônibus fretados, com um intérprete bilíngüe em cada um deles, ficam à disposição do grupo. Além de café-da-manhã, almoço e jantar, todos recebem uma mesadinha de 15 dólares por dia. Segundo Loeb, para que possam se divertir nos momentos de folga, como jogar fliperama, tomar sorvete e comprar alguma lembrança para a família.


O argentino naturalizado israelense Daniel Barenboim exige secador de cabelo e ferro para passar a casaca que veste nos concertos

Apesar de pouco exigentes se comparados a estrelas da música pop como Mick Jagger e Lenny Kravitz, os maestros têm seus caprichos e vedetismos. Barenboim fez questão de que o restaurante Arábia, nos Jardins, fosse fechado especialmente para sua equipe jantar no dia 4. "Se pudesse, ele comeria esfiha e coalhada até no café-da-manhã", afirma Loeb. Também pediu que providenciassem um potente secador de cabelos, tábua e ferro de passar roupa. Ele mesmo cuida de suas madeixas brancas – ou do que sobrou delas – e da casaca que usará no dia do espetáculo. Já Zubin Mehta viaja na companhia de um camareiro especialmente designado para tratar de suas roupas. No cardápio do indiano não podem faltar receitas apimentadas. "Quando vai ao restaurante, ele sempre carrega no bolso uma pequena caixa prateada com seus próprios temperos", revela Mario Adler, ex-presidente da Congregação Israelita Paulista (CIP) e amigo do maestro.

As três apresentações da Filarmônica de Israel, uma delas em prol do Centro da Cultura Judaica, custaram 1,2 milhão de dólares. Esse valor inclui passagens aéreas de primeira classe para o maestro e um acompanhante, estada no hotel Maksoud Plaza e o transporte de mais de 5 toneladas de carga. As cifras aumentariam ainda mais se os violoncelistas batessem o pé para que seus instrumentos fossem transportados em poltronas individuais. Trata-se de um procedimento comum para artistas como o pernambucano Antonio Meneses, cujo violoncelo está avaliado em 2 milhões de dólares. Nesse caso, a passagem traz impresso "Mrs. Cello" no lugar do nome do passageiro.

Quando vai ao restaurante, o indiano Zubin Mehta carrega no bolso uma pequena caixa prateada com seus próprios temperos

A vinda de Kurt Masur à cidade, na companhia da mulher, a violista japonesa Tomoko Sakurai, foi orquestrada pessoalmente por Roberto Minczuk, diretor artístico do Festival Internacional de Campos do Jordão. Na semana passada, Masur deixou a produção do evento aflita. Sua viagem a Campos, onde se apresentaria na sexta (29), demorou uma hora mais que o previsto. O motivo: ele parou num restaurante de beira de estrada e deliciou-se com pães de batata, empadinhas, leite... Mas são as receitas à base de maracujá, como tortas, sucos e sorvetes, que não podem faltar em seu cardápio. "É uma das primeiras coisas que ele pede logo que chega ao país", conta Minczuk. Assim como o sabor marcante da fruta, o maestro alemão tem fama de ser ao mesmo tempo ácido e doce no trato de seus músicos.

     
   
 
 
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