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MÚSICA
Os maestros se divertem Corre-corre e vedetismos na
vinda de grandes regentes e suas orquestras a São Paulo Ricardo
Moreno
Ilustrações
Negreiros
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No cardápio do alemão Kurt Masur não podem faltar tortas, sucos nem sorvete de
maracujá, sua fruta predileta | |
Nos
próximos dias, o público paulistano terá a chance de assistir
a três grandes nomes da regência em ação na Sala São
Paulo. O septuagenário alemão Kurt Masur comanda os bolsistas do
Festival de Inverno de Campos do Jordão neste domingo (31). No sábado
(6), o argentino naturalizado israelense Daniel Barenboim apresenta-se à
frente da West-Eastern Divan Orchestra, composta de jovens músicos palestinos
e israelenses com idade entre 13 e 26 anos. Em seguida, no domingo (7) e nos dias
8 e 9, o indiano Zubin Mehta empunha a batuta diante da formidável Filarmônica
de Israel. O que os apaixonados por música erudita não imaginam
é a verdadeira via-crúcis que existe por trás da vinda de
grandes maestros e orquestras de porte à cidade.
Responsável pelas turnês de Barenboim, Mehta e seus respectivos conjuntos,
Gerard Loeb, diretor do Teatro Cultura Artística, tem poucas horas de sono
no período em que eles permanecem por aqui. Suas preocupações
começam muito antes do desembarque. Três meses atrás, os 116
vistos de trabalho temporário exigidos pelo governo brasileiro já
haviam sido emitidos para os integrantes da West-Eastern. Três ônibus
fretados, com um intérprete bilíngüe em cada um deles, ficam
à disposição do grupo. Além de café-da-manhã,
almoço e jantar, todos recebem uma mesadinha de 15 dólares por dia.
Segundo Loeb, para que possam se divertir nos momentos de folga, como jogar fliperama,
tomar sorvete e comprar alguma lembrança para a família.
 | O
argentino naturalizado israelense Daniel Barenboim exige secador
de cabelo e ferro para passar a casaca que veste nos concertos
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Apesar de pouco exigentes se comparados
a estrelas da música pop como Mick Jagger e Lenny Kravitz, os maestros
têm seus caprichos e vedetismos. Barenboim fez questão de que o restaurante
Arábia, nos Jardins, fosse fechado especialmente para sua equipe jantar
no dia 4. "Se pudesse, ele comeria esfiha e coalhada até no café-da-manhã",
afirma Loeb. Também pediu que providenciassem um potente secador de cabelos,
tábua e ferro de passar roupa. Ele mesmo cuida de suas madeixas brancas
ou do que sobrou delas e da casaca que usará no dia do espetáculo.
Já Zubin Mehta viaja na companhia de um camareiro especialmente designado
para tratar de suas roupas. No cardápio do indiano não podem faltar
receitas apimentadas. "Quando vai ao restaurante, ele sempre carrega no bolso
uma pequena caixa prateada com seus próprios temperos", revela Mario Adler,
ex-presidente da Congregação Israelita Paulista (CIP) e amigo do
maestro. As três apresentações
da Filarmônica de Israel, uma delas em prol do Centro da Cultura Judaica,
custaram 1,2 milhão de dólares. Esse valor inclui passagens aéreas
de primeira classe para o maestro e um acompanhante, estada no hotel Maksoud Plaza
e o transporte de mais de 5 toneladas de carga. As cifras aumentariam ainda mais
se os violoncelistas batessem o pé para que seus instrumentos fossem transportados
em poltronas individuais. Trata-se de um procedimento comum para artistas como
o pernambucano Antonio Meneses, cujo violoncelo está avaliado em 2 milhões
de dólares. Nesse caso, a passagem traz impresso "Mrs. Cello" no lugar
do nome do passageiro.  | Quando
vai ao restaurante, o indiano Zubin Mehta carrega no bolso uma pequena caixa prateada
com seus próprios temperos |
A vinda de
Kurt Masur à cidade, na companhia da mulher, a violista japonesa Tomoko
Sakurai, foi orquestrada pessoalmente por Roberto Minczuk, diretor artístico
do Festival Internacional de Campos do Jordão. Na semana passada, Masur
deixou a produção do evento aflita. Sua viagem a Campos, onde se
apresentaria na sexta (29), demorou uma hora mais que o previsto. O motivo: ele
parou num restaurante de beira de estrada e deliciou-se com pães de batata,
empadinhas, leite... Mas são as receitas à base de maracujá,
como tortas, sucos e sorvetes, que não podem faltar em seu cardápio.
"É uma das primeiras coisas que ele pede logo que chega ao país",
conta Minczuk. Assim como o sabor marcante da fruta, o maestro alemão tem
fama de ser ao mesmo tempo ácido e doce no trato de seus músicos.
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