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3 de julho de 2002
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URBANISMO

Verde na Amauri

A rua dos restaurantes badalados
ganhará
praça com 210 metros quadrados

Lúcia Monteiro


Sebastião Moreira/AE
Rogério Montenegro
João Paulo Diniz (à esq.) e o projeto (no alto) de Weinfeld: obra em terreno de quase 1 milhão de reais

Num quarteirão de pouco mais de 100 metros de extensão, entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho, a Rua Amauri concentra doze dos mais modernos, caros e badalados restaurantes de São Paulo. Sócio em cinco deles (Ecco, Dressing, Parigi, Baretto e Forneria San Paolo), o empresário João Paulo Diniz é uma espécie de manda-chuva do lugar. No ano passado, ele comprou mais um imóvel na rua, bem em frente à Forneria. Ao contrário do que se especulava, não pretende montar ali um novo empreendimento. Nos 210 metros quadrados do número 322 deve surgir, em setembro, uma praça com jardins, árvores e mesinhas.

O projeto da área foi feito pelo arquiteto Isay Weinfeld, que imaginou fios de água caindo pelas paredes que cercam o terreno – "para dar um ar zen ao ambiente" – e spots nas árvores para garantir iluminação à noite. "Usei como referência as pracinhas do interior", conta. No fundo, haverá um balcão para servir café e refrigerantes, com renda revertida para instituições beneficentes. Os garçons emprestarão jogos de xadrez, gamão e damas para os visitantes se divertirem em tabuleiros pintados nas mesas. Para evitar depredações, Weinfeld desenvolveu uma grade que, durante o dia, ficará embutida na calçada. De madrugada, servirá para manter o espaço fechado.

 
Renato Chaui
A vizinha Rua Peruíbe: onde é depositado o lixo do luxo

Esse não é o único projeto social bancado atualmente por Diniz. O herdeiro do Grupo Pão de Açúcar patrocina a Escola na Praça, da ONG Cidade Escola Aprendiz, dirigida pelo jornalista Gilberto Dimenstein, e procura um local na periferia para montar outra praça como a do Itaim, também com bancos e mesas chiques projetados por Weinfeld. No caso do projeto da Rua Amauri, apesar de não lucrar diretamente com a iniciativa, Diniz irá colher frutos com sua boa ação. Além de valorizar seus negócios, evitará que se abra ali mais um concorrente. Ele não revela o quanto está investindo, mas só com a compra do terreno gastou perto de 1 milhão de reais. "Quis embelezar um pouco a cidade e procurei fazer isso na rua em que estou presente", afirma.

"É claro que a praça é bem-vinda, mas vamos continuar brigando com os restaurantes por causa do barulho", queixa-se Marco Antônio Castello Branco, presidente da Sociedade Amigos do Itaim Bibi. "Os manobristas provocam um congestionamento permanente na rua." Outro problema da vizinhança é a estreita Rua Peruíbe, onde ficam os fundos de boa parte dos restaurantes badalados da Amauri. Após a movimentação do almoço, ela se transforma em um depósito de lixo a céu aberto. Há dois meses, o arquiteto Sergio Davila apresentou um projeto à prefeitura para revitalizá-la e transformá-la em calçadão. Só com a ajuda dos empresários locais será possível fazer com que saia do papel. Por enquanto, a pracinha de Diniz terá um muro de 3 metros de altura na face que dá para a Peruíbe e um portãozinho de serviço, para a saída do lixo. Se o projeto for colocado em prática, pode ser integrada ao bulevar.

         
     
 
 
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