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URBANISMO
Verde
na Amauri
A
rua dos restaurantes badalados
ganhará praça
com 210 metros quadrados
Lúcia
Monteiro
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Sebastião Moreira/AE
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Rogério Montenegro
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| João
Paulo Diniz (à esq.) e o projeto (no alto) de
Weinfeld: obra em terreno de quase 1 milhão de reais |
Num
quarteirão de pouco mais de 100 metros de extensão,
entre as avenidas Faria Lima e Nove de Julho, a Rua Amauri concentra
doze dos mais modernos, caros e badalados restaurantes de São
Paulo. Sócio em cinco deles (Ecco, Dressing, Parigi, Baretto
e Forneria San Paolo), o empresário João Paulo Diniz
é uma espécie de manda-chuva do lugar. No ano passado,
ele comprou mais um imóvel na rua, bem em frente à
Forneria. Ao contrário do que se especulava, não pretende
montar ali um novo empreendimento. Nos 210 metros quadrados do número
322 deve surgir, em setembro, uma praça com jardins, árvores
e mesinhas.
O
projeto da área foi feito pelo arquiteto Isay Weinfeld, que
imaginou fios de água caindo pelas paredes que cercam o terreno
"para dar um ar zen ao ambiente" e spots nas árvores
para garantir iluminação à noite. "Usei como
referência as pracinhas do interior", conta. No fundo, haverá
um balcão para servir café e refrigerantes, com renda
revertida para instituições beneficentes. Os garçons
emprestarão jogos de xadrez, gamão e damas para os
visitantes se divertirem em tabuleiros pintados nas mesas. Para
evitar depredações, Weinfeld desenvolveu uma grade
que, durante o dia, ficará embutida na calçada. De
madrugada, servirá para manter o espaço fechado.
Renato Chaui
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| A
vizinha Rua Peruíbe: onde é depositado o lixo do luxo |
Esse
não é o único projeto social bancado atualmente
por Diniz. O herdeiro do Grupo Pão de Açúcar
patrocina a Escola na Praça, da ONG Cidade Escola Aprendiz,
dirigida pelo jornalista Gilberto Dimenstein, e procura um local
na periferia para montar outra praça como a do Itaim, também
com bancos e mesas chiques projetados por Weinfeld. No caso do projeto
da Rua Amauri, apesar de não lucrar diretamente com a iniciativa,
Diniz irá colher frutos com sua boa ação. Além
de valorizar seus negócios, evitará que se abra ali
mais um concorrente. Ele não revela o quanto está
investindo, mas só com a compra do terreno gastou perto de
1 milhão de reais. "Quis embelezar um pouco a cidade e procurei
fazer isso na rua em que estou presente", afirma.
"É
claro que a praça é bem-vinda, mas vamos continuar
brigando com os restaurantes por causa do barulho", queixa-se Marco
Antônio Castello Branco, presidente da Sociedade Amigos do
Itaim Bibi. "Os manobristas provocam um congestionamento permanente
na rua." Outro problema da vizinhança é a estreita
Rua Peruíbe, onde ficam os fundos de boa parte dos restaurantes
badalados da Amauri. Após a movimentação do
almoço, ela se transforma em um depósito de lixo a
céu aberto. Há dois meses, o arquiteto Sergio Davila
apresentou um projeto à prefeitura para revitalizá-la
e transformá-la em calçadão. Só com
a ajuda dos empresários locais será possível
fazer com que saia do papel. Por enquanto, a pracinha de Diniz terá
um muro de 3 metros de altura na face que dá para a Peruíbe
e um portãozinho de serviço, para a saída do
lixo. Se o projeto for colocado em prática, pode ser integrada
ao bulevar.
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