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POLÍCIA
Arrastão nos estacionamentos Nova modalidade de assalto
nos Jardins: bandidos rendem manobristas e roubam até cinco carros
de uma vez Rodrigo Brancatelli Renata
Ursaia
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protegem a unidade da rede Estapar na Alameda Santos. Abaixo, 25 câmeras fazem
a vigilância de uma garagem na Paulista: medidas preventivas | Mario
Rodrigues
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Amarrado
com cordas de violão e trancado dentro do porta-malas de um Gol preto,
o manobrista Herculano Martins Cordeiro só conseguia ouvir o ronco dos
motores arrancando em disparada pela Rua Melo Alves, no Jardim Paulista. Eram
um Audi, um BMW, um Golf, um Marea e um Stilo. Todos foram roubados, às
23h50 do dia 30 de setembro, por uma quadrilha especializada em arrastões
nos estacionamentos da cidade. "Em cinco minutos eles fizeram o rapa", conta Cordeiro.
"Ainda fiquei um tempão gritando até alguém vir me soltar."
Nos últimos meses, cenas como essa se tornaram
cada vez mais rotineiras, principalmente na área de abrangência do
78° DP o cintilante quadrilátero formado pela Avenida Brasil,
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, Avenida Brigadeiro Luís Antônio
e parte da Paulista. Só naquela região, fartíssima de carrões
poderosos, a polícia somou onze ocorrências desse tipo desde junho.
No ano passado, foram catorze. Os bandidos agem
quase sempre da mesma maneira. Chegam em um automóvel roubado, descem armados
com pistolas automáticas e rendem os funcionários, geralmente apenas
dois ou três. Em seguida, cada um dos assaltantes leva um carro diferente.
Tudo muito rápido e fácil, mesmo porque, em grande parte dos estacionamentos,
as chaves normalmente dão sopa nos pára-brisas ou pneus dos automóveis.
No último dia 15, sábado, houve outra
ocorrência idêntica. Com visual clubber, três homens invadiram
um estacionamento na Rua da Consolação, dominaram os dois manobristas
e saíram tranqüilamente a bordo de três veículos. Segundo
a polícia, eles seguem direto para desmanches clandestinos na periferia
de São Paulo e Osasco. Um desses carros roubados, uma Blazer comprada quatro
meses antes por 105.000 reais, pertencia ao engenheiro Sábato Murer. "Parei
ali para ir jantar em um restaurante com minha mulher", afirma. "Ainda paguei
os 15 reais adiantado!" Outro veículo roubado no mesmo assalto foi o Audi
A3 prata, blindado, do estudante de publicidade Rafael Mattos Torres. "Se não
dá para colocar meu carro em um estacionamento pago sem ficar preocupado,
onde mais posso deixá-lo?", pergunta. Dono
de um estacionamento na Rua Padre João Manoel que funcionava 24 horas,
o empresário Dirceu Ilva Queiroz jogou a toalha. Após investir cerca
de 2.000 reais em uma cancela eletrônica com um sistema de alarme ligado
diretamente a uma empresa de segurança e ainda assim sofrer duas
vezes com os arrastões em menos de um mês , ele passou a fechar
no fim da tarde. "Logo que escurece eu tranco as portas", diz Queiroz, que deixou
de ganhar mais de 3.000 reais por mês com a debandada de clientes. "Uma
vez, os assaltantes bateram no meu manobrista e chegaram a atropelar dois usuários
durante a fuga. Não quero que alguém morra dentro do meu estacionamento."
Mesmo as garagens que nunca tiveram problemas com
os arrastões estão se precavendo. Na Alameda Santos, seguranças
ficam sempre de plantão em uma unidade da rede Estapar. Ali perto, na Avenida
Paulista, outro estacionamento dispõe de uma central de vigilância
com 25 câmeras. Policiais da delegacia dos Jardins têm realizado diversas
investigações para identificar os assaltantes. Uma das primeiras
medidas adotadas foi o cadastramento dos estacionamentos da área e seus
respectivos funcionários. "Faremos um monitoramento com os dados para evitar
esse tipo de ação", diz a delegada do 78º DP, Elisabete Ferreira
Sato. "Os donos do negócio também precisam investir em tecnologia.
É a única maneira de enfrentar os criminosos." Mais
roubos • Em 2004, foram registradas no 78° DP, nos
Jardins, 14 ocorrências de arrastões
em estacionamentos • Neste ano, o número
saltou para 20, sendo que 11
dessas ações ocorreram nos últimos cinco meses |
Como
os bandidos agem • A quadrilha, formada por três
a cinco assaltantes, entra no estacionamento a pé ou de carro. Em geral,
eles estão bem vestidos e mostram-se educados até anunciar a ação
• Para render os manobristas, costumam amarrá-los
e amordaçá-los • Como normalmente
os funcionários deixam as chaves dos veículos no pára-brisas
ou em cima do pneu dianteiro esquerdo, os assaltantes não têm problemas
em sair dirigindo o maior número possível de carros |
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