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2 de novembro de 2005
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A sogra do ano

Carola assumida, a diretora da Dior
no Brasil, Rosangela Lyra, tem uma
vida social agitada, veste as criações
caríssimas de John Galliano sem pagar
um tostão e se prepara para ganhar
como genro o craque Kaká. Quer mais?

Maria Rita Alonso

 
Mario Rodrigues
Rosangela: "Tive uma criação de princesa. E eduquei minha filha do mesmo jeitinho"

Ela é a nossa lady Christian Dior. Diretora-geral da grife francesa no Brasil há dez anos, a paulistana Rosangela Lyra sempre foi famosa nas rodas de socialites e de vendedoras dos Jardins pelo seu porte, sua beleza e, principalmente, pelo seu guarda-roupa forrado com as caríssimas criações do estilista inglês John Galliano. Detalhe de matar de inveja: ela nunca precisou gastar um tostão com nada que tem da marca, desde as lingeries até os sapatos. De uns tempos para cá, ficou mais difícil afastar o olho gordo e livrar-se das futricas. Neste caso, não pelo potencial de seu closet, mas pela identidade (ou melhor, qualidade) do genro. Sua filha Caroline Celico, de 18 anos, está de casamento marcado para o dia 23 de dezembro com Kaká, craque do Milan e da seleção brasileira. Muito rico, bonito e educado, ele é o sonho de qualquer sogra. Só não é mais perfeito para Rosangela por uma questão religiosa: o jogador arrastou a noiva para os cultos da igreja Renascer em Cristo, comandada pela bispa Sonia Hernandes. Ela se converteu e o casório será nos moldes evangélicos. Rosangela, que faz a linha católica-carola, naturalmente não pulou de alegria.

"Já sofri bastante por isso, mas hoje me apego às nossas semelhanças", diz. "Seria muito pior se ela arrumasse alguém de uma religião que não acredita em Jesus Cristo." Apóstolo das chuteiras, Kaká é do tipo que cita versículos bíblicos em jantares da família e exibe nos campos camisetas com dizeres como "I belong to Jesus" (Eu pertenço a Jesus). Também em razão da fé, leva um namoro para lá de respeitoso e, dizem, sem sexo. Desde que ele foi morar em Milão, na Itália, Caroline o visita freqüentemente. "Ela vai sempre com o pai e dorme no quarto de hóspedes", afirma Rosangela. Para arrematar, Kaká se declara apaixonado e fiel. "Caroline é a mulher mais bonita do mundo na minha opinião", suspira. Com os estudos do ensino médio recém-concluídos, a noiva muda-se para Milão e pretende cursar hotelaria por lá. "Tive uma criação de princesa, com aulas de inglês, francês, piano e equitação", conta Rosangela. "Eduquei minha filha do mesmo jeitinho." Com uma peculiaridade: Caroline é superchegada às panelas e já fez cursos na famosa escola de gastronomia Le Cordon Bleu, em Paris. Está prontinha para casar.

 
Fotos arquivo pessoal
Acima, à esquerda, o partidão Kaká com Caroline. Acima, a noiva do craque com Rosangela e o irmão Enrico. À esquerda, momento ternura entre mãe e filha

Os últimos detalhes do enlace andam tumultuando a rotina já frenética de Rosangela. Mãe e filha acabam de voltar de Paris, onde fizeram a primeira prova dos vestidos. Ambos da Dior, claro. O lugar da festa, por enquanto, é um mistério. Mas Rosangela já recomendou que os noivos não fechem as portas para a imprensa. "Depois fica aquela situação horrorosa e antipática do casamento de Ronaldo e Daniella Cicarelli", alfineta. Figurinha tarimbada em colunas sociais, Rosangela, aos 40 anos, circula por aí com o dentista Laércio Vasconcellos, seu namorado há um ano e meio. Antes dele passou por dois casamentos (Caroline e o caçula Enrico, de 12 anos, são filhos da união com o empresário Celso Celico, seu primeiro marido) e por um namorado polêmico, o ginecologista Malcolm Montgomery. "Ele me endeusava e foi ótimo para meu ego", comenta sobre este último. "Mas foi um romance passageiro."

Rosangela afirma que é solteira perante a Igreja. Segundo conta, em 2003 pediu a anulação de seu primeiro e único casamento no religioso, dez anos após a separação, alegando que lhe faltava maturidade na hora da decisão. "Eu só pensava no vestido, na recepção, nos convidados, era uma boba", diz. "Agora fico muito feliz de não viver mais em pecado." Além de ir à missa aos domingos, Rosangela participa semanalmente de um grupo de oração na Igreja São José, no Jardim Europa.

 

Rosangela, o estilista John Galliano e a designer Cecilia Neves: badalação

Quando não está trabalhando na Dior, seus compromissos incluem um curso sobre conjuntura internacional, sessões de malhação diária (ela também joga tênis, esquia e faz arvorismo) e muita, muita badalação. A peregrinação noturna entre eventos e festinhas começou no início dos anos 90, quando houve a abertura das importações e Rosangela foi responsável por redirecionar a grife. "Precisava exibir o que tínhamos de mais luxuoso e bacana à venda." Naquela época, os coquetéis de lançamento das coleções eram embalados por sorteios. A grã-fina felizarda ganhava uma viagem para assistir ao desfile da grife em Paris. Para ouriçar ainda mais a clientela, foi lançada uma espécie de concurso, com a escolha da embaixadora da Dior no Brasil. "Esse cargo funcionou como estratégia de marketing por um tempo", conta. "Mas como deixou de ser novidade, decidimos eliminá-lo a partir do ano que vem."

Cansada de esfolar o salto alto nas calçadas da Rua Oscar Freire, Rosangela decidiu apoiar a associação de lojistas da rua. Envolveu-se tanto que virou presidente. Em setembro, assinou um termo de cooperação com a prefeitura para recapear a rua, reformar as calçadas e aterrar a fiação. As obras vão custar 7 milhões de reais, a maior parte bancada pela iniciativa privada. Para ver o projeto sair do papel, ela tem trocado e-mails com o secretário municipal das Subprefeituras, Walter Feldman. Aliás, o único vício assumido de Rosangela é mandar e-mails sobre assuntos em alta entre endinheiradas. Não faltam correntes e piadinhas sobre o ex-prefeito Paulo Maluf, a Daslu, o casamento de forma geral, jogadores de futebol...

     
   
 
 
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