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PERFIL
A sogra do ano Carola assumida, a diretora da Dior no
Brasil, Rosangela Lyra, tem uma vida social agitada, veste as criações
caríssimas de John Galliano sem pagar um tostão e se prepara
para ganhar como genro o craque Kaká. Quer mais? Maria
Rita Alonso Mario
Rodrigues
 | | Rosangela:
"Tive uma criação de princesa. E eduquei minha filha do mesmo jeitinho" |
Ela
é a nossa lady Christian Dior. Diretora-geral da grife francesa no Brasil
há dez anos, a paulistana Rosangela Lyra sempre foi famosa nas rodas de
socialites e de vendedoras dos Jardins pelo seu porte, sua beleza e, principalmente,
pelo seu guarda-roupa forrado com as caríssimas criações
do estilista inglês John Galliano. Detalhe de matar de inveja: ela nunca
precisou gastar um tostão com nada que tem da marca, desde as lingeries
até os sapatos. De uns tempos para cá, ficou mais difícil
afastar o olho gordo e livrar-se das futricas. Neste caso, não pelo potencial
de seu closet, mas pela identidade (ou melhor, qualidade) do genro. Sua filha
Caroline Celico, de 18 anos, está de casamento marcado para o dia 23 de
dezembro com Kaká, craque do Milan e da seleção brasileira.
Muito rico, bonito e educado, ele é o sonho de qualquer sogra. Só
não é mais perfeito para Rosangela por uma questão religiosa:
o jogador arrastou a noiva para os cultos da igreja Renascer em Cristo, comandada
pela bispa Sonia Hernandes. Ela se converteu e o casório será nos
moldes evangélicos. Rosangela, que faz a linha católica-carola,
naturalmente não pulou de alegria. "Já
sofri bastante por isso, mas hoje me apego às nossas semelhanças",
diz. "Seria muito pior se ela arrumasse alguém de uma religião que
não acredita em Jesus Cristo." Apóstolo das chuteiras, Kaká
é do tipo que cita versículos bíblicos em jantares da família
e exibe nos campos camisetas com dizeres como "I belong to Jesus" (Eu pertenço
a Jesus). Também em razão da fé, leva um namoro para lá
de respeitoso e, dizem, sem sexo. Desde que ele foi morar em Milão, na
Itália, Caroline o visita freqüentemente. "Ela vai sempre com o pai
e dorme no quarto de hóspedes", afirma Rosangela. Para arrematar, Kaká
se declara apaixonado e fiel. "Caroline é a mulher mais bonita do mundo
na minha opinião", suspira. Com os estudos do ensino médio recém-concluídos,
a noiva muda-se para Milão e pretende cursar hotelaria por lá. "Tive
uma criação de princesa, com aulas de inglês, francês,
piano e equitação", conta Rosangela. "Eduquei minha filha do mesmo
jeitinho." Com uma peculiaridade: Caroline é superchegada às panelas
e já fez cursos na famosa escola de gastronomia Le Cordon Bleu, em Paris.
Está prontinha para casar. Fotos
arquivo pessoal
 |  |  | Acima,
à esquerda, o partidão Kaká com Caroline. Acima, a noiva do craque com
Rosangela e o irmão Enrico. À esquerda, momento ternura entre mãe e filha
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Os últimos detalhes do enlace
andam tumultuando a rotina já frenética de Rosangela. Mãe
e filha acabam de voltar de Paris, onde fizeram a primeira prova dos vestidos.
Ambos da Dior, claro. O lugar da festa, por enquanto, é um mistério.
Mas Rosangela já recomendou que os noivos não fechem as portas para
a imprensa. "Depois fica aquela situação horrorosa e antipática
do casamento de Ronaldo e Daniella Cicarelli", alfineta. Figurinha tarimbada em
colunas sociais, Rosangela, aos 40 anos, circula por aí com o dentista
Laércio Vasconcellos, seu namorado há um ano e meio. Antes dele
passou por dois casamentos (Caroline e o caçula Enrico, de 12 anos, são
filhos da união com o empresário Celso Celico, seu primeiro marido)
e por um namorado polêmico, o ginecologista Malcolm Montgomery. "Ele me
endeusava e foi ótimo para meu ego", comenta sobre este último.
"Mas foi um romance passageiro." Rosangela afirma
que é solteira perante a Igreja. Segundo conta, em 2003 pediu a anulação
de seu primeiro e único casamento no religioso, dez anos após a
separação, alegando que lhe faltava maturidade na hora da decisão.
"Eu só pensava no vestido, na recepção, nos convidados, era
uma boba", diz. "Agora fico muito feliz de não viver mais em pecado." Além
de ir à missa aos domingos, Rosangela participa semanalmente de um grupo
de oração na Igreja São José, no Jardim Europa.  | | Rosangela,
o estilista John Galliano e a designer Cecilia Neves: badalação |
Quando
não está trabalhando na Dior, seus compromissos incluem um curso
sobre conjuntura internacional, sessões de malhação diária
(ela também joga tênis, esquia e faz arvorismo) e muita, muita badalação.
A peregrinação noturna entre eventos e festinhas começou
no início dos anos 90, quando houve a abertura das importações
e Rosangela foi responsável por redirecionar a grife. "Precisava exibir
o que tínhamos de mais luxuoso e bacana à venda." Naquela época,
os coquetéis de lançamento das coleções eram embalados
por sorteios. A grã-fina felizarda ganhava uma viagem para assistir ao
desfile da grife em Paris. Para ouriçar ainda mais a clientela, foi lançada
uma espécie de concurso, com a escolha da embaixadora da Dior no Brasil.
"Esse cargo funcionou como estratégia de marketing por um tempo", conta.
"Mas como deixou de ser novidade, decidimos eliminá-lo a partir do ano
que vem." Cansada de esfolar o salto alto nas calçadas
da Rua Oscar Freire, Rosangela decidiu apoiar a associação de lojistas
da rua. Envolveu-se tanto que virou presidente. Em setembro, assinou um termo
de cooperação com a prefeitura para recapear a rua, reformar as
calçadas e aterrar a fiação. As obras vão custar 7
milhões de reais, a maior parte bancada pela iniciativa privada. Para ver
o projeto sair do papel, ela tem trocado e-mails com o secretário municipal
das Subprefeituras, Walter Feldman. Aliás, o único vício
assumido de Rosangela é mandar e-mails sobre assuntos em alta entre endinheiradas.
Não faltam correntes e piadinhas sobre o ex-prefeito Paulo Maluf, a Daslu,
o casamento de forma geral, jogadores de futebol... |