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2 de novembro de 2005
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Boas de briga

Corpo em forma e alívio da tensão
atraem mulheres para aulas de luta

Gustavo Ferro


Fotos Rogerio Pallatta
Gigi Monteiro, Duda Yankovich, Nathalia Rudek e Janaína Garcia, na Companhia Athletica: contra o stress do dia-a-dia

Engana-se quem pensa que aulas de artes marciais ou de defesa pessoal são exclusivas para marmanjos dispostos a esquecer o stress do dia-a-dia distribuindo sopapos na academia. O interesse feminino por esportes de luta vem crescendo nos últimos anos. Em algumas modalidades, as mulheres já ocupam o espaço dos ringues ou tatames em condição de igualdade com os homens. Isso quando não são maioria. Na Runner, por exemplo, elas representam 70% da classe de circuito (que reúne técnicas de diversas modalidades). Na Fórmula, correspondem a 40% dos praticantes de jiu-jítsu – em 2000 não chegavam a 10%. "Antigamente, o preconceito de quem estava fora era muito maior", conta a professora Duda Yankovich, que ensina boxe há quatro anos e atualmente está na Companhia Athletica. "Eu mesma sofri muito com a minha família e amigos."

As aulas mais procuradas pelas mulheres hoje em dia são as de boxe, jiu-jítsu, caratê e kenpo havaiano (veja quadro). Mas há quem faça kickboxing, muai tai, kung fu, aikidô, judô e capoeira. Opção é o que não falta. O principal motivo que leva as mulheres a deixar a esteira e os pesos de lado para se dedicar às lutas é a promessa de que aliam perda de peso, condicionamento físico e alívio das tensões. "Saio completamente leve e renovada, pronta para outra batalha", afirma a atriz e apresentadora Gigi Monteiro, praticante de boxe há três anos. Em uma dessas aulas (cuja duração vai de 45 a 90 minutos) queimam-se de 700 a 800 calorias, dependendo do nível de intensidade dos golpes. Nas classes, vêem-se desde adolescentes até cinqüentonas que não suportam a monotonia da musculação. "Reunimos psicólogas, médicas, estudantes, executivas, dentistas e até donas-de-casa", diz Beatriz Campos, coordenadora técnica da Runner.


Rogerio Pallatta
Anemarie Aimi e Maria Alves, na Runner: elas representam 70% da classe de circuito

A preocupação com a segurança também é apontada como uma das razões que levam as mulheres a essas atividades. "Como podemos ser assaltadas e seqüestradas a qualquer momento, sinto-me mais segura para enfrentar um eventual momento de perigo", explica Mariana Guerra, praticante de jiu-jítsu na Bio Ritmo. Mas é claro que nenhum professor incentiva a reagir a um assalto ou arrumar briga com engraçadinhos por aí. Nesse campo, o principal objetivo é fazer com que os praticantes se conheçam melhor e saibam administrar situações adversas. "Desde que comecei a lutar kenpo havaiano, há dois anos, sou uma pessoa bem mais equilibrada, concentrada e disciplinada", afirma a publicitária Thalita Posella. "O que aprendo nas aulas me ajuda a tomar decisões importantes, inclusive no trabalho."

 

Onde praticar

Bio Ritmo
Rua Quinze de Novembro, 194, centro, 3242-6000, mais onze endereços. www.bioritmo.com.br

Companhia Athletica
MorumbiShopping, 5188-2000, mais quatro endereços. www.ciaathletica.com.br

Fórmula
Shopping Eldorado, 3094-3100, e Shopping Market Place, 5180-3400. www.formulaacademia.com.br

Reebok Sports Club
Rua Olimpíadas, 205, Vila Olímpia, 3847-7878, e Rua Duquesa de Goiás, 800, Morumbi, 3759-7878. www.reebokclub.com.br

Runner
Rua Tupiguaés, 169, Santana, 6959-7625, mais dez endereços. www.runner.com.br

 

Como são as aulas

Boxe
As moças dão socos em sacos de areia e acolchoados, além de pular corda e treinar corrida. Dependendo da academia, pode haver combate entre os alunos.


Rogerio Pallatta


Caratê
Os praticantes aprendem a dar socos e chutes. Professores valorizam a concentração e a autodefesa.

Jiu-jítsu
Esporte de contato físico em que os lutadores tentam imobilizar um ao outro com a força de braços, pernas e abdômen.

Kenpo havaiano
É um mix de diversas modalidades, como aikidô, caratê, kung fu, boxe e jiu-jítsu. Não há contato físico.

     
   
 
 
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