Publicidade
 
 

 
 


2 de novembro de 2005
COMPORTAMENTO
POLÍCIA
PERFIL
MALHAÇÃO
EDUCAÇÃO
CONSUMO
BARES
MEU ESTILO
DEZ MOTIVOS PARA...
Portal Veja São Paulo
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

EDUCAÇÃO

Mãozinhas à obra

Estudantes de colégios particulares
incrementam currículo com trabalho
voluntário

Alvaro Leme

 
Renata Ursaia
Creche Vila Morse: recreação com alunos do Santo Américo


Veja também
Galeria de imagens

"Apesar de diferentes, somos iguais", diz o estudante André Cruz, de 10 anos, tentando explicar a lição que aprendeu após passar um dia na creche Vila Morse, no Morumbi, mantida por seu colégio, o Santo Américo, no mesmo bairro. Alunos como ele confeccionam fantoches e outros brinquedos para divertir os pequenos carentes pelo menos uma vez por mês. André integra uma turma que anda em alta nos colégios de primeira linha da cidade: a dos voluntários. "É fundamental que as escolas desenvolvam projetos sociais ou participem deles", afirma Miguel Castilho Júnior, do Colégio Lourenço Castanho, na Vila Nova Conceição. Lá, até os pequenos da educação infantil põem a mão na massa. Duas vezes por semana, eles preparam sanduíches e bolos de chocolate que são doados a entidades. "O ponto forte do voluntariado é mostrar novas realidades aos alunos", acrescenta Castilho Júnior.

Dos 3.372 colégios particulares da cidade, 161 integram uma espécie de panteão do voluntariado. São as instituições contempladas com o selo Escola Solidária, concedido a cada dois anos pela ONG Instituto Faça Parte, presidida pela empresária Milú Villela. O número de agraciados nesta segunda edição é quase o dobro do da anterior. De nome parecido, o 5º Prêmio Escola Voluntária, da Rádio Bandeirantes e da Fundação Itaú Social, será entregue na próxima segunda (31). Das 48 escolas inscritas na capital, o Instituto Madre Mazarello, de Santana, ficou entre os finalistas. Os estudantes do curso técnico de patologia clínica examinaram sessenta crianças que costumavam brincar no Córrego do Guaraú, no Jardim Peri. Resultado: 40% tinham verminoses. Com esses dados, conseguiram a promessa da prefeitura de retomar o projeto de canalização do riacho. "As obras ainda não começaram", ressalta o professor Adriano Bandini. "Mas vamos cobrar."

 
Anne Veronica Horner Hoe
Turminha do Santa Maria: aquecedor solar em favela

Nos demais colégios paulistanos, a ação social ganha ares cada vez mais sérios. O Santa Cruz, por exemplo, criou uma disciplina obrigatória, ética e cidadania. É ministrada para os alunos do 1º e do 2º ano do ensino médio. Desde 2000, eles visitam comunidades ribeirinhas no Amazonas. Passam cinco dias hospedados num barco, incumbidos de lavar e passar as próprias roupas. O Colégio Miguel de Cervantes, por sua vez, promoveu mutirões de pais, alunos e moradores de Paraisópolis para construir um espaço cultural na favela, o Barracão dos Sonhos. Inaugurado em setembro, é um local para lazer da comunidade e aulas de espanhol, dança flamenca e flauta doce.

 

Herloisa Bortz
Kallu Whitaker e Bruna Rosa, do Friburgo: contando histórias para garotos carentes

Especialistas não vêem o voluntariado em escolas como uma moda passageira. "As atividades vão ficar cada vez mais freqüentes e interessantes", acredita o professor Pedro Jacobi, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Uma prova é que o mercado de trabalho anda de olho nessas turminhas do bem. Sami Boulos, consultor de recursos humanos, afirma que, na hora da seleção para os programas de trainees, as grandes empresas dão preferência aos candidatos que exibem projetos sociais no currículo. "São jovens que têm vivência. Desenvolveram habilidades que valem ouro no mundo corporativo. Sabem negociar", explica. Por esse conceito, a estudante Bruna Rosa, de 18 anos, atualmente no 3º ano do Colégio Friburgo, está no caminho certo. Prestes a encarar cinco vestibulares, ela troca apostilas de exercícios por livros infantis duas vezes por semana. Lê histórias para vinte meninos e meninas carentes da ONG Gotas de Flor com Amor, no Brooklin. Seu primeiro contato com o chamado terceiro setor foi aos 12 anos, quando estava matriculada na 6ª série do Lourenço Castanho. A experiência a ajudou a decidir seu objetivo profissional. "Quero ser pediatra", conta. "E só tive certeza disso depois do trabalho social."

 

Crianças que fazem

O que os alunos realizam como voluntários

Bandeirantes, Vila Mariana
Dão aulas para faxineiros do colégio, reforço escolar para alunos da rede pública e planejam a construção de uma biblioteca móvel para a Casa Hope

Miguel de Cervantes, Morumbi
No mês passado, em mutirão com moradores, construíram um espaço cultural na Favela de Paraisópolis

Colégio Friburgo, Granja Julieta
Contam histórias numa creche beneficente e se correspondem com idosos de um asilo

Santa Cruz, Alto de Pinheiros
Trabalham por seis meses numa ONG e viajam para comunidades no Amazonas

Equipe, Pinheiros
Transformam materiais recicláveis em brinquedos, usados e doados em visitas a duas creches

Santa Maria, Jardim Marajoara
Arrecadam fundos para instalar aquecedores solares em casas na Favela de Americanópolis

Instituto Madre Mazarello, Santana
Dão aulas de informática e alfabetização para crianças da vizinhança

Santo Américo, Morumbi
Confeccionam brinquedos e elaboram brincadeiras para crianças da creche mantida pelo colégio

Lourenço Castanho, Vila Nova Conceição
Alunos do ensino médio têm a disciplina projeto social no currículo. Os menores preparam lanches para carentes

Stance Dual, Bela Vista
Arrecadam alimentos, brinquedos e roupas, além de trabalhar em creche e asilo

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados