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EDUCAÇÃO Mãozinhas
à obra Estudantes de colégios particulares
incrementam currículo com trabalho voluntário Alvaro
Leme Renata
Ursaia
 | | Creche
Vila Morse: recreação com alunos do Santo Américo |
"Apesar de diferentes, somos
iguais", diz o estudante André Cruz, de 10 anos, tentando explicar a lição
que aprendeu após passar um dia na creche Vila Morse, no Morumbi, mantida
por seu colégio, o Santo Américo, no mesmo bairro. Alunos como ele
confeccionam fantoches e outros brinquedos para divertir os pequenos carentes
pelo menos uma vez por mês. André integra uma turma que anda em alta
nos colégios de primeira linha da cidade: a dos voluntários. "É
fundamental que as escolas desenvolvam projetos sociais ou participem deles",
afirma Miguel Castilho Júnior, do Colégio Lourenço Castanho,
na Vila Nova Conceição. Lá, até os pequenos da educação
infantil põem a mão na massa. Duas vezes por semana, eles preparam
sanduíches e bolos de chocolate que são doados a entidades. "O ponto
forte do voluntariado é mostrar novas realidades aos alunos", acrescenta
Castilho Júnior. Dos 3.372 colégios
particulares da cidade, 161 integram uma espécie de panteão do voluntariado.
São as instituições contempladas com o selo Escola Solidária,
concedido a cada dois anos pela ONG Instituto Faça Parte, presidida pela
empresária Milú Villela. O número de agraciados nesta segunda
edição é quase o dobro do da anterior. De nome parecido,
o 5º Prêmio Escola Voluntária, da Rádio Bandeirantes
e da Fundação Itaú Social, será entregue na próxima
segunda (31). Das 48 escolas inscritas na capital, o Instituto Madre Mazarello,
de Santana, ficou entre os finalistas. Os estudantes do curso técnico de
patologia clínica examinaram sessenta crianças que costumavam brincar
no Córrego do Guaraú, no Jardim Peri. Resultado: 40% tinham verminoses.
Com esses dados, conseguiram a promessa da prefeitura de retomar o projeto de
canalização do riacho. "As obras ainda não começaram",
ressalta o professor Adriano Bandini. "Mas vamos cobrar." Anne
Veronica Horner Hoe
 | | Turminha
do Santa Maria: aquecedor solar em favela |
Nos demais colégios paulistanos, a ação social ganha ares
cada vez mais sérios. O Santa Cruz, por exemplo, criou uma disciplina obrigatória,
ética e cidadania. É ministrada para os alunos do 1º
e do 2º ano do ensino médio. Desde 2000, eles visitam comunidades
ribeirinhas no Amazonas. Passam cinco dias hospedados num barco, incumbidos de
lavar e passar as próprias roupas. O Colégio Miguel de Cervantes,
por sua vez, promoveu mutirões de pais, alunos e moradores de Paraisópolis
para construir um espaço cultural na favela, o Barracão dos Sonhos.
Inaugurado em setembro, é um local para lazer da comunidade e aulas de
espanhol, dança flamenca e flauta doce. Herloisa
Bortz
 | | Kallu
Whitaker e Bruna Rosa, do Friburgo: contando histórias para garotos carentes
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Especialistas não vêem
o voluntariado em escolas como uma moda passageira. "As atividades vão
ficar cada vez mais freqüentes e interessantes", acredita o professor Pedro
Jacobi, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Uma prova é que o mercado de trabalho anda de olho nessas turminhas do
bem. Sami Boulos, consultor de recursos humanos, afirma que, na hora da seleção
para os programas de trainees, as grandes empresas dão preferência
aos candidatos que exibem projetos sociais no currículo. "São jovens
que têm vivência. Desenvolveram habilidades que valem ouro no mundo
corporativo. Sabem negociar", explica. Por esse conceito, a estudante Bruna Rosa,
de 18 anos, atualmente no 3º ano do Colégio Friburgo, está
no caminho certo. Prestes a encarar cinco vestibulares, ela troca apostilas de
exercícios por livros infantis duas vezes por semana. Lê histórias
para vinte meninos e meninas carentes da ONG Gotas de Flor com Amor, no Brooklin.
Seu primeiro contato com o chamado terceiro setor foi aos 12 anos, quando estava
matriculada na 6ª série do Lourenço Castanho. A
experiência a ajudou a decidir seu objetivo profissional. "Quero ser pediatra",
conta. "E só tive certeza disso depois do trabalho social." Crianças
que fazem O que os alunos realizam como
voluntários Bandeirantes, Vila Mariana
Dão aulas para faxineiros do colégio, reforço escolar
para alunos da rede pública e planejam a construção de uma
biblioteca móvel para a Casa Hope Miguel
de Cervantes, Morumbi No mês passado, em mutirão com moradores,
construíram um espaço cultural na Favela de Paraisópolis
Colégio Friburgo, Granja Julieta
Contam histórias numa creche beneficente e se correspondem com idosos de
um asilo Santa Cruz, Alto de Pinheiros
Trabalham por seis meses numa ONG e viajam para comunidades no Amazonas
Equipe, Pinheiros Transformam materiais recicláveis
em brinquedos, usados e doados em visitas a duas creches Santa
Maria, Jardim Marajoara Arrecadam fundos para instalar aquecedores solares
em casas na Favela de Americanópolis Instituto
Madre Mazarello, Santana Dão aulas de informática e alfabetização
para crianças da vizinhança Santo
Américo, Morumbi Confeccionam brinquedos e elaboram brincadeiras
para crianças da creche mantida pelo colégio Lourenço
Castanho, Vila Nova Conceição Alunos do ensino médio
têm a disciplina projeto social no currículo. Os menores preparam
lanches para carentes Stance Dual, Bela Vista
Arrecadam alimentos, brinquedos e roupas, além de trabalhar em creche e
asilo |
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