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COMPORTAMENTO
Loucas por CHICO Fãs dos 20 aos 60 fazem de tudo
para ver a volta do cantor aos palcos paulistanos Mariana
Shirai Fotos
Fernando Moraes
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pedagoga e tiete Stella, com as letras a tiracolo: "É como amor a distância"
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Não
é de hoje que Chico Buarque arranca suspiros femininos. Em mais de quarenta
anos de carreira, angariou uma legião de fãs e tietes. Na segunda-feira
passada, o poder de seus olhos verdes foi testado mais uma vez. Sob sol forte,
cerca de 300 pessoas a maioria mulheres, claro aguardavam ansiosas
a abertura das bilheterias do Tom Brasil. Mocinhas, moçonas e senhoras
com quase a mesma idade do ídolo (62 anos) estavam atrás de um único
objetivo: conseguir um bom lugar na platéia para uma das treze sessões
do show Carioca, que estréia na cidade em 30 de agosto. Em apenas
três dias, 13 000 dos 21 600 ingressos disponíveis já haviam
sido vendidos. A publicitária Bartira Fernandes, de 24 anos, era uma das
primeiras da longa fila. Apesar de nem ser nascida quando o cantor já fazia
sucesso com clássicos como A Banda e Construção
(ela veio ao mundo com Beatriz), dizia conhecer bem o seu jeito: "Sei
que ele não gosta de fãs escandalosas. Por isso vou ficar quietinha,
só babando". É verdade que há
muito o cantor, compositor, escritor, pai, avô e namorador (quem não
se lembra dos amassos com uma bela morena casada nas águas do Leblon?)
deixou de ser unanimidade nacional. Mas esse grupo de loucas por Chico imagina
que o tempo não passa para ele. Chico Buarque não faz temporada
em São Paulo desde 1999 sua última turnê foi As
Cidades. "É como amor a distância", acredita a pedagoga Stella
Terra, de 39 anos (idade de Carolina). "Quando a gente tem a oportunidade
de se reencontrar, precisa aproveitar."  | | A
dona-de-casa Sandra e sua coleção de sessenta itens do ídolo
e, à direita, Bartira com os ingressos: "Vou ficar babando" |
Para ficar mais à vontade e evitar desentendimentos com o namorado, a empresária
Tatyana Gomes, 29 anos (nasceu na época de O que Será), resolveu
dispensá-lo para ir ao esperado evento. "Não quero ser daquelas
fãs desesperadas", explicava. "Ele iria me achar uma tonta." A idolatria
levou Tatyana a abrir, em 2003, o bar Roda Viva, na Vila Madalena, que homenageia
Chico com o nome de uma de suas obras (música e peça de 1967), com
a decoração e com o repertório musical. "Aos 5 anos eu já
o considerava o homem mais lindo do mundo", jura. Tão fanática quanto
ela, a dona-de-casa Sandra de Campos, 51 anos (do tempo, portanto, em que ele
era apenas filho do sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda), juntou
mais de sessenta itens ligados ao cantor, entre CDs, DVDs, livros e camisetas.
O mais precioso de sua coleção é o ingresso autografado da
turnê Paratodos, de 1994. "Tinha acabado de assistir ao show, quando
encontrei o Chico numa pizzaria", conta. "Eu iria me arrepender para o resto da
vida se não pedisse seu autógrafo." E derrete-se: "Ele tem uma sensibilidade
infinita para retratar a alma feminina". |