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2 de agosto de 2006
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COMPORTAMENTO

Loucas por CHICO

Fãs dos 20 aos 60 fazem de tudo
para ver a volta do cantor aos
palcos paulistanos

Mariana Shirai

 

Fotos Fernando Moraes
A pedagoga e tiete Stella, com as letras a tiracolo: "É como amor a distância"


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Não é de hoje que Chico Buarque arranca suspiros femininos. Em mais de quarenta anos de carreira, angariou uma legião de fãs e tietes. Na segunda-feira passada, o poder de seus olhos verdes foi testado mais uma vez. Sob sol forte, cerca de 300 pessoas – a maioria mulheres, claro – aguardavam ansiosas a abertura das bilheterias do Tom Brasil. Mocinhas, moçonas e senhoras com quase a mesma idade do ídolo (62 anos) estavam atrás de um único objetivo: conseguir um bom lugar na platéia para uma das treze sessões do show Carioca, que estréia na cidade em 30 de agosto. Em apenas três dias, 13 000 dos 21 600 ingressos disponíveis já haviam sido vendidos. A publicitária Bartira Fernandes, de 24 anos, era uma das primeiras da longa fila. Apesar de nem ser nascida quando o cantor já fazia sucesso com clássicos como A Banda e Construção (ela veio ao mundo com Beatriz), dizia conhecer bem o seu jeito: "Sei que ele não gosta de fãs escandalosas. Por isso vou ficar quietinha, só babando".

É verdade que há muito o cantor, compositor, escritor, pai, avô e namorador (quem não se lembra dos amassos com uma bela morena casada nas águas do Leblon?) deixou de ser unanimidade nacional. Mas esse grupo de loucas por Chico imagina que o tempo não passa para ele. Chico Buarque não faz temporada em São Paulo desde 1999 – sua última turnê foi As Cidades. "É como amor a distância", acredita a pedagoga Stella Terra, de 39 anos (idade de Carolina). "Quando a gente tem a oportunidade de se reencontrar, precisa aproveitar."

 

A dona-de-casa Sandra e sua coleção de sessenta itens do ídolo e, à direita, Bartira com os ingressos: "Vou ficar babando"

Para ficar mais à vontade e evitar desentendimentos com o namorado, a empresária Tatyana Gomes, 29 anos (nasceu na época de O que Será), resolveu dispensá-lo para ir ao esperado evento. "Não quero ser daquelas fãs desesperadas", explicava. "Ele iria me achar uma tonta." A idolatria levou Tatyana a abrir, em 2003, o bar Roda Viva, na Vila Madalena, que homenageia Chico com o nome de uma de suas obras (música e peça de 1967), com a decoração e com o repertório musical. "Aos 5 anos eu já o considerava o homem mais lindo do mundo", jura. Tão fanática quanto ela, a dona-de-casa Sandra de Campos, 51 anos (do tempo, portanto, em que ele era apenas filho do sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda), juntou mais de sessenta itens ligados ao cantor, entre CDs, DVDs, livros e camisetas. O mais precioso de sua coleção é o ingresso autografado da turnê Paratodos, de 1994. "Tinha acabado de assistir ao show, quando encontrei o Chico numa pizzaria", conta. "Eu iria me arrepender para o resto da vida se não pedisse seu autógrafo." E derrete-se: "Ele tem uma sensibilidade infinita para retratar a alma feminina".

     
   
 
 
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