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POLÍTICA
Trinta
minutos e mais
um cidadão paulistano
Eles
não nasceram aqui e muitas vezes
nem moram na capital. Mas viraram
filhos de São Paulo após cair nas
graças de algum vereador
Erika
Sallum e Maria Rita Alonso
Fotos Mario Rodrigues
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| Raí
recebe título de Toninho Campanha (que aproveita para
tirar fotos), dá autógrafo e beija a bandeira
da Rosas de Ouro: tietagem na Câmara |
Foi
uma tietagem só. Mal Raí chegou à Câmara
dos Vereadores, na última quarta, e uma legião de
fãs se aglomerou no salão nobre da casa. A maioria,
claro, era composta de mulheres. Máquina fotográfica
na mão, Toninho Campanha, do PSB, registrava tudo, emocionado.
Segurando um livro do São Paulo Futebol Clube, Claudete Alves,
do PT, entrou na fila para garantir um autógrafo e
um beijinho do jogador. Até a porta-bandeira e o mestre-sala
da Rosas de Ouro foram cumprimentar o craque. De fundo musical,
a banda da Guarda Civil Metropolitana tocava Smoke Gets in Your
Eyes, aquela eternizada pelos Platters. Em meio à festa,
que durou exatos trinta minutos, Raí olhava seu relógio
impaciente. "Será que vai dar tempo de eu assistir ao jogo
do Santos?", perguntava, aflito, sobre a partida do Peixe contra
o Boca Juniors.
O
ex-meia foi à Câmara receber o título de cidadão
paulistano, uma honraria concedida pelos vereadores a pessoas que
não nasceram na capital mas, teoricamente, tiveram uma carreira
de destaque por aqui. Na prática, porém, é
um vale-tudo. Só neste ano, entre as dezesseis personalidades
agraciadas, figuram nomes como o de Antônio Maria, o padre
das celebridades, o da veterana atriz Vida Alves, conhecida por
ter dado "o primeiro beijo na televisão", e o do jornalista
Milton Neves. "Eu sou santista como ele, mas isso não pesou
em minha decisão", garante o vereador Celso Jatene (PTB),
que premiou o apresentador da TV Record, outro santista declarado.
"Milton veio de Muzambinho sem um tostão e conquistou uma
grande reputação." Dono de mais oito "cidadanias"
(dadas no interior do Estado e em Minas Gerais), o comentarista
esportivo chorou em seu discurso de agradecimento na Câmara,
em fevereiro. "Muita gente acha que esse título é
brega, mas para mim, que cheguei por baixo, significa muito."
Cada
um dos 55 vereadores pode dar, ao longo do mandato de quatro anos,
até oito honrarias. Inclui-se nesse pacote a Medalha Anchieta,
destinada a quem nasceu em São Paulo. Para que a homenagem
aconteça, o político precisa formular o Projeto de
Decreto Legislativo, que não necessita da sanção
da prefeita. Após passar pelas comissões da Câmara,
que verificam a idoneidade do nome escolhido, o projeto tem de ser
aprovado em apenas uma votação. É um prato
cheio para que os vereadores, digamos, puxem a sardinha do seu eleitorado.
Em março, por exemplo, o evangélico Carlos Apolinario
(PDT), da Assembléia de Deus, premiou o pastor Jairo Bartolomeu
da Rocha, da mesma igreja, por seu "trabalho social junto à
comunidade". Há algumas semanas, William Woo, do PSDB, deu
a honra ao chinês Chan Kwok Wai, um dos introdutores do kung
fu na cidade. "Mestre Chan foi líder da Escola de Dança
do Leão, um ritual de prosperidade que costuma abrir eventos
dessa arte marcial", explica Woo. "Ele é um filho que, com
certeza, São Paulo gostaria de ter tido."
Religioso,
Antonio Goulart (PMDB) optou pelo padre Antônio Maria. "Além
da atuação em favor de crianças carentes da
capital, ele leva sua mensagem através da música",
diz o vereador, que em 2000 premiou o colecionador de carros antigos
Og Pozzoli. "Com sua coleção particular, Og ajuda
a conservar a memória de São Paulo", conta Goulart,
que também adora coleções e possui um acervo
particular de mais de 30.000 garrafas
de cachaça. Em breve, o vereador dará o título
de cidadão paulistano a Geraldo Magela, proprietário
do restaurante Consulado Mineiro. "É uma figura que já
faz parte da cultura gastronômica da capital e merece a honraria."
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Outros
homenageados
Renato Pizzutto
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Milton
Neves
O
jornalista santista recebeu o título em fevereiro
das mãos de Celso Jatene. "Ele veio do interior
de Minas e, com garra, conquistou reputação
e respeito", afirma o vereador.
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Antonio Milena
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Roger
Abdelmassih
O
urologista das estrelas, que já trouxe ao mundo
os pimpolhos de Pelé, Gugu e de outros famosos,
nasceu em São João da Boa Vista e foi
agraciado por Myryam Athie em 2002.
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Rogério Montenegro
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Vida
Alves
Em
1951, a atriz deu o primeiro beijo de novela brasileira.
Ícone dos primórdios da telinha, ganhou
a condecoração por sua carreira e pelo
esforço em preservar a memória da TV.
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Divulgação
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Mestre
Chan
Nascido
na China, em 1936, Chan Kwok Wai inaugurou a Academia
Sino-Brasileira de Kung Fu e atuou como professor na
Escola de Dança do Leão, difundindo a
cultura chinesa na cidade.
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Divulgação
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Padre
Antônio Maria
Ao
lado de Marcelo Rossi, é um dos nomes mais conhecidos
da Igreja Católica. Segundo o vereador Antonio
Goulart, mereceu o título por seu trabalho social
com crianças carentes.
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