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2 de março de 2005
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Reggae de cara nova

Ritmo sai do gueto e lota
baladas descoladas

Thiago Lotufo

 
Heudes Régis
Show no Jive: público duas vezes maior que o esperado

O reggae fez a barba, cortou o cabelo e tomou um banho de loja. Aquelas trancinhas rastafári (dreadlocks, para os iniciados) agora se restringem, quando muito, aos artistas que ocupam o palco das novas baladas que apostam no ritmo jamaicano. Pistas de casas com noites temáticas, como a Jive e a Susi in Transe, em Santa Cecília, e a Mansão do Reggae, na Liberdade, ficam lotadas de gente jovem, bonita e de visual descolado, que nada lembra os fãs desleixados dos anos 80. "Tentei emplacar o reggae aqui por duas vezes e não consegui. Desta vez, acho que é o momento certo", afirma Marcio Cecci, proprietário da Jive, que há quinze dias inaugurou uma festa dedicada ao dancehall (vertente mais animada, com letras despolitizadas). Cecci esperava a presença de 300 pessoas e surpreendeu-se com um público duas vezes maior.

Grande parte desse sucesso se deve aos DJs Magrão e Yellow P e ao operador de som Bigodon. Além de animar a festa da Jive, eles promovem há um ano e meio, no Susi in Transe, às sextas-feiras, uma noite de dub (espécie de reggae psicodélico, mais instrumental). Ela atrai uma média de 250 pessoas. "Para quem está acostumado a curtir a cena eletrônica, o dub é muito mais tranqüilo", diz a operadora de telemarketing Fabiana Lima. "Dá para dançar um pouco, ir ao bar, bater papo..." Quem quiser conhecer mais a fundo as atuais trilhas jamaicanas de São Paulo pode se aventurar na Mansão do Reggae, evento que acontece uma vez por mês em um galpão na Liberdade. O espaço abriga um genuíno "sound system", como são chamados os equipamentos de som típicos da Jamaica, com paredes móveis recheadas de alto-falantes. DJs "importados" de São Luís, no Maranhão, considerada a capital brasileira do gênero, são a maior atração. Por ali, ouve-se o tal "som de raiz" e representantes mais românticos, como Gregory Isaacs e Eric Donaldson. Bob Marley? Dificilmente. O reggae, afinal, está de cara nova.

 

A Jamaica é aqui

• Stamina Dancehall
Balada quinzenal de dancehall, reggae mais dançante que o tradicional. A próxima festa será na quinta (3), com a presença do DJ Magrão e do rapper Funk Buia, do grupo Z'África Brasil. Jive. Alameda Barros, 376, Santa Cecília, 3824-0097. Quinta, a partir das 23h. Entrada: R$ 5,00 (mulheres) e R$ 10,00 (homens)

• Susi in Dub
Reúne um público formado por conhecedores do dub, vertente recheada de efeitos sonoros. Yellow P comanda os pick-ups. Na última sexta de cada mês, há um show com o grupo Dub Chanchada. Susi in Transe. Avenida São João, 1956, Santa Cecília, 3668-5447. Sextas, a partir das 23h. Cons. mínima: R$ 15,00

• Mansão do Reggae
Festas mensais promovidas pelo maranhense João Nunes Leal, o "Neto", dono da rede de lojas de CDs Neto Discos. Toca a chamada "música de raiz". Rua do Glicério, 691, Liberdade, 3141-2929. Sábado (5), a partir das 22h. Entrada: R$ 5,00 (mulheres) e R$ 10,00 (homens)

 

     
   
 
 
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