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CONSUMO Requintes,
brilhos e luxos para o lar Com linhas exclusivas de pratarias,
louças, cristais, móveis e objetos, lojas recém-inauguradas
sofisticam o mercado de decoração na cidade Maria
Rita Alonso
Mario Rodrigues  |
| A empresária Tania Bulhões, em sua megaloja nos Jardins:
em um ano, quinze viagens à Europa para garimpar mercadorias |
Atente
para o broche de brilhantes em formato de coroa da empresária Tania Bulhões.
Igualzinha ao logotipo de sua grife de decoração, a jóia
dá uma bela idéia do luxo, do requinte e da originalidade da megaloja
que ela abre ao público bem, como se verá adiante, público
é maneira de dizer neste sábado (26) em uma das mais elegantes
esquinas da cidade, a das ruas Colômbia e Nicarágua, no Jardim América.
Com as linhas clássicas de um palacete francês, do qual, aliás,
foi copiado o projeto, o imóvel tem 3.000 metros quadrados de área
construída. Nele, tudo impressiona. Primeiro, o tamanho. Depois, a sofisticação
e o bom gosto da casa identificada por dois banners como Tania Bulhões
Home , dos móveis e das peças à venda. Há poltronas
estilo Luís XV por 5.000 reais, vasos de 10.000 reais e mesas que chegam
a custar 120.000 reais. Para garimpar tais preciosidades, Tania fez quinze viagens
à Europa só no ano passado. Depois de investir 7 milhões
de reais no projeto, ela colocou a cereja platinada que faltava no rico mercado
de decoração da cidade.
Fotos Mario Rodrigues  | gues
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| Tania Bulhões Home: vasos e cinzeiros chineses que custam
de 25 a 480 reais | Lustre francês de 100 000 reais: "Virou
meu talismã e eu não vendo" | Na
capital da Daslu, das grifes banhadas a ouro da Rua Oscar Freire, das agências
de automóveis da Avenida Europa com Ferraris na porta e dos superapartamentos
da Vila Nova Conceição, esse é também um mundo milionário.
E enorme. Segundo a Associação Brasileira de Designers de Interiores,
movimenta 7 bilhões de reais por ano em São Paulo e emprega 3.700
decoradores atuantes. Sem contar as lojas de material de construção,
existem por aqui, pelas estimativas da Federação do Comércio
do estado, cerca de 2.700 lojas especializadas em móveis e objetos decorativos
de vários tipos e estilos. Entram no cálculo desde as instaladas
na tumultuada Rua Teodoro Sampaio até as reluzentes vitrines da Alameda
Gabriel Monteiro da Silva. Sem falar dos dois grandes shoppings segmentados, o
D&D e o Lar Center.
Mario Rodrigues  |
| Em um dos treze ambientes da loja, uma sala
de jantar com 22 lugares inspirada na Provence e decorada por
Sig Bergamin: copos bico-de-jaca de vidro português e louças brancas
de Limoges | Em
agosto, uma parte desse universo agitou-se com a abertura da Etna, a maior loja
do gênero no país, com 12.000 metros quadrados de área construída
e cerca de 18.000 itens à venda. Focada em artigos com design, preços
competitivos e pronta entrega, ela entrou em uma seara até então
monopolizada pela rede Tok&Stok. Agora, outra ponta desse mercado começa
a se expandir. São as lojas superluxuosas de decoração. Além
da Tania Bulhões Home, outros endereços diferenciados surgiram de
um ano para cá: Le Lis Blanc Casa, AGain e Jacaré do Brasil. Cada
uma segue uma linha diferente de mobiliários e objetos. Todas, no entanto,
oferecem mercadorias exclusivas, chiques e caras.
Mario Rodrigues  |
| As taças coloridas são uma das
marcas registradas da loja. Vendidas por unidade, custam
entre 14 reais (vidro comum) e 2 400 reais (vintage da Baccarat). Para que nada
se quebre até chegar ao caixa, carrinhos de supermercado foram forrados
com veludo e pequenas almofadas | Para
rechear seu novo ponto nos Jardins, Tania mantém dois olheiros que viajam
pelo interior da França, da Itália e da Inglaterra em busca de lançamentos
e de antiguidades. Estas, um dos fortes de seu negócio, são submetidas
à avaliação de especialistas paulistanos, caso dos espelhos
venezianos, aparadores em estilo provençal e lustres de cristal. O mais
caro desses lustres, um italiano do século XVIII, está à
venda por 84.000 reais. Logo na entrada, há um outro, deslumbrante, com
21 luzes na cor bordô. É francês, do século XIX, e foi
comprado em Paris por cerca de 100.000 reais. "Como virou meu talismã,
não pretendo vendê-lo", diz Tania. Em todas as demais peças
que se vêem na loja são 8.000 itens há etiquetas
com preços, o que é muito adequado para evitar possíveis
constrangimentos. Antes de passar no caixa, o cliente pode "experimentar" em sua
própria casa a maioria das coisas à venda. "É importante
aproveitar esse recurso oferecido pela maioria das lojas para ter certeza de que
a aquisição vai combinar com o ambiente", aconselha o arquiteto
Roberto Migotto.
Fotos Mario Rodrigues  | gues
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| Fumoir com sofás de couro verde-oliva e prateleiras repletas
de presentes para homens: sala de espera dos maridos | Blackamoor
veneziano do século XIX: réplicas são sucesso entre clientes
e ganharam o apelido de escravinhos | No
1º andar ficam as pratarias, os cristais e as porcelanas. Por ali circulam
as funcionárias batizadas de "brilhinhos". Uniformizadas com vestido preto
e touca branca, elas passam o dia lustrando cuidadosamente talheres, taças
e pratos de porcelana, alguns feitos sob encomenda na cidade francesa de Limoges,
outros elaborados no ateliê da própria Tania. Logo adiante há
um fumoir, com sóbrios sofás verde-oliva de couro, onde os maridos,
enquanto as mulheres se deleitam nas compras, podem se entreter com jornais, revistas,
bebidas e objetos masculinos à venda. Ao lado, foi montada uma perfumaria
com fragrâncias para casa e um empório com azeites e compotas mineiras.
"Minha idéia era construir uma atmosfera que misturasse o requinte da região
da Provence, na França, com a simplicidade de Minas Gerais", afirma Tania,
que é de Uberaba, tem 47 anos, é casada com o industrial gaúcho
Pedro Grendene e mudou-se para São Paulo em 1989, quando abriu sua primeira
loja na Alameda Itu. A segunda, na Gabriel Monteiro da Silva, foi fechada pouco
antes de ficar pronta a casa do Jardim América.
Fotos Mario Rodrigues  |
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| Le Lis Blanc Casa, aberta
no início do mês na Vila Olímpia:
800 itens garimpados em países do Oriente, como
os talheres de osso (à dir.), por 149,50 reais o
par, e os pratos indianos (à esq.), de 79,50 a 159,50
reais | Ali, subindo
as escadas rolantes inglesas, inspiradas nas da célebre loja de departamentos
Harrods, de Londres, três enormes mesas de jantar deslumbram o visitante
pela primorosa arrumação. "É o máximo embaralhar taças
diferentes e coloridas, combinando com jogos de porcelana que tenham a ver", diz
o arquiteto Sig Bergamin, que elaborou uma das mesas. A apresentadora Ana Maria
Braga se encantou com as taças vintage da Baccarat. No último Natal,
escolheu oito pares delas para presentear diretores da Rede Globo, onde trabalha.
Gastou mais de 10.000 reais. "A Hebe Camargo é outra que enlouquece e chegou
a comprar tudo para montar na casa dela uma mesa igualzinha à que viu na
loja", conta Katia Bulhões, irmã e sócia de Tania. As apresentadoras
fazem parte de uma estrelada clientela composta por nomes como a socialite Chella
Safra, a empresária Viviane Senna e a atriz Maria Fernanda Cândido.
Fotos Mario Rodrigues  | drigues
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| Móveis e armários antigos,
vindos de Minas Gerais, são o forte
da Jacaré do Brasil. Ao lado, cama de viúva em estilo Maria
Teresa, com dossel, por 5 500 reais: rústico e chique |
"Hoje em dia é uma imprudência
ostentar na rua símbolos de status como um Rolex ou um Jaguar. Por isso,
quem tem dinheiro de sobra muitas vezes prefere exibir poder e riqueza dentro
de casa", observa Roberto Dimbério, diretor da Casa Cor, o grande cenário
da decoração brasileira. "Sem contar que as pessoas se preocupam
mais em criar ambientes bacanas que expressem seu modo de vida." Com base nesse
pressuposto, as donas da grife feminina Le Lis Blanc decidiram entrar para o mundo
da decoração. "Quem veste nossas roupas leves, gostosas e com influências
orientais gostaria de morar em casas no mesmo estilo", acredita Traudi Guida,
uma das donas. Expostos em prateleiras de 3 metros de altura, há vasos
exóticos, tapetes coloridos e roupas de cama e mesa. O lugar reúne
novidades interessantes (e também caras), como talheres de osso (149,50
reais o par) e lanternas de vidro indiano (495 reais). Para abastecer a Le Lis
Blanc Casa, aberta no início do mês num galpão da Vila Olímpia,
Traudi visitou feiras e artesãos da China, Índia, Indonésia,
Tailândia e outros países asiáticos. Na semana passada, reiniciou
a peregrinação pelo Oriente atrás de novas mercadorias.
Fotos Mario Rodrigues  |
| Os designers Gregório Kramer e Attilio
Baschera em sua loja em Higienópolis:
peças para casas de praia e de campo |
 | Viagens
em busca de artigos diferenciados são indispensáveis para esse tipo
de loja. É a forma de primeiro comprar e depois vender o que ninguém
mais tem. O empresário paulistano Fernando Droghetti não passa mais
de quarenta dias sem visitar seus catadores em Minas Gerais, Bahia e Rio Grande
do Sul. Catadores são profissionais que descobrem e arrematam móveis
antigos em casas e fazendas da região. Alimentada por eles, a loja de Droghetti,
a Jacaré do Brasil, especializou-se em móveis rústicos brasileiros.
Surgiu em Trancoso, no litoral da Bahia, fez sucesso entre os veranistas e há
onze meses ganhou uma filial nos Jardins. Conhecido por mesclar peças de
madeira em ambientes contemporâneos, o arquiteto Isay Weinfeld virou cliente.
O espírito despojado-chique da Jacaré do Brasil repete-se na AGain,
em Higienópolis. Com paredes pintadas de azul, sofás brancos e almofadas
listradas, os designers Attilio Baschera e Gregório Kramer procuraram dar
um clima mediterrâneo ao lugar. Suas peças costumam enfeitar casas
de campo e de praia de paulistanos endinheirados. Os campeões de venda
são os tecidos de algodão e jacquard desenhados pela dupla, que
confecciona com alguns deles a chamada coleção de homewear, entre
roupões (830 a 1 080 reais) e chinelinhos de quarto (268 reais).
Fotos Mario Rodrigues  |
| A sala com poltronas clássicas repletas
de listras, lacinhos e flores traduz a proposta da Entreposto, montada há
dez anos nos Jardins: precursora do décor
classe A na cidade, com vasos chineses de até 5 000 reais |
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Linhas complementares como essas são
bastante procuradas na Entreposto, loja precursora da decoração
de luxo na cidade. Escondida na Rua Sampaio Vidal, a mansão em estilo vitoriano,
da empresária Regina Tranchesi Zuccolo, é tão aconchegante
que dá até vontade de sentar e matar um tempo por ali. Mas não
custa lembrar que todo cuidado é pouco nessas lojas. Uma almofada de tapeçaria
francesa jogada assim, displicentemente, num sofá sai por 4.480 reais.
| Agora, vale até pingüim de geladeira
Idéias e sugestões do arquiteto Sig Bergamin para decorar sua
casa
João Raposo  |
Na cama, dê preferência
para cores claras. Escolha lençóis e edredons macios e de fibras
naturais.
Em espaços
pequenos, restrinja o uso de cores fortes.
Almofadas com estampas diversas em sofás e poltronas ficam interessantes
juntas quando formam um composé legal de cores e padrões.
Misture copos coloridos numa
grande bandeja de prata, palha ou madeira. São uma opção
criativa para qualquer tipo de bar.
Mescle objetos de diferentes estilos (como poltronas ou sofás clássicos
ao lado de mesinhas de junco ou palha) para tornar o ambiente mais agradável.
Elimine portas entre cômodos.
Ambientes sem separação parecem maiores.
Louças e cristais em diferentes tons de azul formam uma mesa chique.
Pingüins de geladeira
já não são cafonas; agora são kitsch. Pode usá-los.
Sua casa tem de ter a sua
cara e contar sua história nos pequenos detalhes. Não queira nada
igualzinho ao do vizinho, do amigo, do milionário da revista. Seja você.
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