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2 de março de 2005
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Requintes, brilhos
e luxos para o lar

Com linhas exclusivas de pratarias,
louças, cristais, móveis e objetos,
lojas recém-inauguradas sofisticam
o mercado de decoração na cidade

Maria Rita Alonso


Mario Rodrigues
A empresária Tania Bulhões, em sua megaloja nos Jardins: em um ano, quinze viagens à Europa para garimpar mercadorias


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Atente para o broche de brilhantes em formato de coroa da empresária Tania Bulhões. Igualzinha ao logotipo de sua grife de decoração, a jóia dá uma bela idéia do luxo, do requinte e da originalidade da megaloja que ela abre ao público – bem, como se verá adiante, público é maneira de dizer – neste sábado (26) em uma das mais elegantes esquinas da cidade, a das ruas Colômbia e Nicarágua, no Jardim América. Com as linhas clássicas de um palacete francês, do qual, aliás, foi copiado o projeto, o imóvel tem 3.000 metros quadrados de área construída. Nele, tudo impressiona. Primeiro, o tamanho. Depois, a sofisticação e o bom gosto da casa – identificada por dois banners como Tania Bulhões Home –, dos móveis e das peças à venda. Há poltronas estilo Luís XV por 5.000 reais, vasos de 10.000 reais e mesas que chegam a custar 120.000 reais. Para garimpar tais preciosidades, Tania fez quinze viagens à Europa só no ano passado. Depois de investir 7 milhões de reais no projeto, ela colocou a cereja platinada que faltava no rico mercado de decoração da cidade.


Fotos Mario Rodrigues
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Tania Bulhões Home: vasos e cinzeiros chineses que custam de 25 a 480 reais Lustre francês de 100 000 reais: "Virou meu talismã e eu não vendo"

Na capital da Daslu, das grifes banhadas a ouro da Rua Oscar Freire, das agências de automóveis da Avenida Europa com Ferraris na porta e dos superapartamentos da Vila Nova Conceição, esse é também um mundo milionário. E enorme. Segundo a Associação Brasileira de Designers de Interiores, movimenta 7 bilhões de reais por ano em São Paulo e emprega 3.700 decoradores atuantes. Sem contar as lojas de material de construção, existem por aqui, pelas estimativas da Federação do Comércio do estado, cerca de 2.700 lojas especializadas em móveis e objetos decorativos de vários tipos e estilos. Entram no cálculo desde as instaladas na tumultuada Rua Teodoro Sampaio até as reluzentes vitrines da Alameda Gabriel Monteiro da Silva. Sem falar dos dois grandes shoppings segmentados, o D&D e o Lar Center.

Mario Rodrigues
Em um dos treze ambientes da loja, uma sala de jantar com 22 lugares inspirada na Provence e decorada por Sig Bergamin: copos bico-de-jaca de vidro português e louças brancas de Limoges

Em agosto, uma parte desse universo agitou-se com a abertura da Etna, a maior loja do gênero no país, com 12.000 metros quadrados de área construída e cerca de 18.000 itens à venda. Focada em artigos com design, preços competitivos e pronta entrega, ela entrou em uma seara até então monopolizada pela rede Tok&Stok. Agora, outra ponta desse mercado começa a se expandir. São as lojas superluxuosas de decoração. Além da Tania Bulhões Home, outros endereços diferenciados surgiram de um ano para cá: Le Lis Blanc Casa, AGain e Jacaré do Brasil. Cada uma segue uma linha diferente de mobiliários e objetos. Todas, no entanto, oferecem mercadorias exclusivas, chiques e caras.

Mario Rodrigues
As taças coloridas são uma das marcas registradas da loja. Vendidas por unidade, custam entre 14 reais (vidro comum) e 2 400 reais (vintage da Baccarat). Para que nada se quebre até chegar ao caixa, carrinhos de supermercado foram forrados com veludo e pequenas almofadas

Para rechear seu novo ponto nos Jardins, Tania mantém dois olheiros que viajam pelo interior da França, da Itália e da Inglaterra em busca de lançamentos e de antiguidades. Estas, um dos fortes de seu negócio, são submetidas à avaliação de especialistas paulistanos, caso dos espelhos venezianos, aparadores em estilo provençal e lustres de cristal. O mais caro desses lustres, um italiano do século XVIII, está à venda por 84.000 reais. Logo na entrada, há um outro, deslumbrante, com 21 luzes na cor bordô. É francês, do século XIX, e foi comprado em Paris por cerca de 100.000 reais. "Como virou meu talismã, não pretendo vendê-lo", diz Tania. Em todas as demais peças que se vêem na loja – são 8.000 itens – há etiquetas com preços, o que é muito adequado para evitar possíveis constrangimentos. Antes de passar no caixa, o cliente pode "experimentar" em sua própria casa a maioria das coisas à venda. "É importante aproveitar esse recurso oferecido pela maioria das lojas para ter certeza de que a aquisição vai combinar com o ambiente", aconselha o arquiteto Roberto Migotto.

Fotos Mario Rodrigues
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Fumoir com sofás de couro verde-oliva e prateleiras repletas de presentes para homens: sala de espera dos maridos Blackamoor veneziano do século XIX: réplicas são sucesso entre clientes e ganharam o apelido de escravinhos

No 1º andar ficam as pratarias, os cristais e as porcelanas. Por ali circulam as funcionárias batizadas de "brilhinhos". Uniformizadas com vestido preto e touca branca, elas passam o dia lustrando cuidadosamente talheres, taças e pratos de porcelana, alguns feitos sob encomenda na cidade francesa de Limoges, outros elaborados no ateliê da própria Tania. Logo adiante há um fumoir, com sóbrios sofás verde-oliva de couro, onde os maridos, enquanto as mulheres se deleitam nas compras, podem se entreter com jornais, revistas, bebidas e objetos masculinos à venda. Ao lado, foi montada uma perfumaria com fragrâncias para casa e um empório com azeites e compotas mineiras. "Minha idéia era construir uma atmosfera que misturasse o requinte da região da Provence, na França, com a simplicidade de Minas Gerais", afirma Tania, que é de Uberaba, tem 47 anos, é casada com o industrial gaúcho Pedro Grendene e mudou-se para São Paulo em 1989, quando abriu sua primeira loja na Alameda Itu. A segunda, na Gabriel Monteiro da Silva, foi fechada pouco antes de ficar pronta a casa do Jardim América.

Fotos Mario Rodrigues
Le Lis Blanc Casa, aberta no início do mês na Vila Olímpia: 800 itens garimpados em países do Oriente, como os talheres de osso (à dir.), por 149,50 reais o par, e os pratos indianos (à esq.), de 79,50 a 159,50 reais

Ali, subindo as escadas rolantes inglesas, inspiradas nas da célebre loja de departamentos Harrods, de Londres, três enormes mesas de jantar deslumbram o visitante pela primorosa arrumação. "É o máximo embaralhar taças diferentes e coloridas, combinando com jogos de porcelana que tenham a ver", diz o arquiteto Sig Bergamin, que elaborou uma das mesas. A apresentadora Ana Maria Braga se encantou com as taças vintage da Baccarat. No último Natal, escolheu oito pares delas para presentear diretores da Rede Globo, onde trabalha. Gastou mais de 10.000 reais. "A Hebe Camargo é outra que enlouquece e chegou a comprar tudo para montar na casa dela uma mesa igualzinha à que viu na loja", conta Katia Bulhões, irmã e sócia de Tania. As apresentadoras fazem parte de uma estrelada clientela composta por nomes como a socialite Chella Safra, a empresária Viviane Senna e a atriz Maria Fernanda Cândido.

Fotos Mario Rodrigues
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Móveis e armários antigos, vindos de Minas Gerais, são o forte da Jacaré do Brasil. Ao lado, cama de viúva em estilo Maria Teresa, com dossel, por 5 500 reais: rústico e chique

"Hoje em dia é uma imprudência ostentar na rua símbolos de status como um Rolex ou um Jaguar. Por isso, quem tem dinheiro de sobra muitas vezes prefere exibir poder e riqueza dentro de casa", observa Roberto Dimbério, diretor da Casa Cor, o grande cenário da decoração brasileira. "Sem contar que as pessoas se preocupam mais em criar ambientes bacanas que expressem seu modo de vida." Com base nesse pressuposto, as donas da grife feminina Le Lis Blanc decidiram entrar para o mundo da decoração. "Quem veste nossas roupas leves, gostosas e com influências orientais gostaria de morar em casas no mesmo estilo", acredita Traudi Guida, uma das donas. Expostos em prateleiras de 3 metros de altura, há vasos exóticos, tapetes coloridos e roupas de cama e mesa. O lugar reúne novidades interessantes (e também caras), como talheres de osso (149,50 reais o par) e lanternas de vidro indiano (495 reais). Para abastecer a Le Lis Blanc Casa, aberta no início do mês num galpão da Vila Olímpia, Traudi visitou feiras e artesãos da China, Índia, Indonésia, Tailândia e outros países asiáticos. Na semana passada, reiniciou a peregrinação pelo Oriente atrás de novas mercadorias.

Fotos Mario Rodrigues
Os designers Gregório Kramer e Attilio Baschera em sua loja em Higienópolis: peças para casas de praia e de campo

Viagens em busca de artigos diferenciados são indispensáveis para esse tipo de loja. É a forma de primeiro comprar e depois vender o que ninguém mais tem. O empresário paulistano Fernando Droghetti não passa mais de quarenta dias sem visitar seus catadores em Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Catadores são profissionais que descobrem e arrematam móveis antigos em casas e fazendas da região. Alimentada por eles, a loja de Droghetti, a Jacaré do Brasil, especializou-se em móveis rústicos brasileiros. Surgiu em Trancoso, no litoral da Bahia, fez sucesso entre os veranistas e há onze meses ganhou uma filial nos Jardins. Conhecido por mesclar peças de madeira em ambientes contemporâneos, o arquiteto Isay Weinfeld virou cliente. O espírito despojado-chique da Jacaré do Brasil repete-se na AGain, em Higienópolis. Com paredes pintadas de azul, sofás brancos e almofadas listradas, os designers Attilio Baschera e Gregório Kramer procuraram dar um clima mediterrâneo ao lugar. Suas peças costumam enfeitar casas de campo e de praia de paulistanos endinheirados. Os campeões de venda são os tecidos de algodão e jacquard desenhados pela dupla, que confecciona com alguns deles a chamada coleção de homewear, entre roupões (830 a 1 080 reais) e chinelinhos de quarto (268 reais).

Fotos Mario Rodrigues
A sala com poltronas clássicas repletas de listras, lacinhos e flores traduz a proposta da Entreposto, montada há dez anos nos Jardins: precursora do décor classe A na cidade, com vasos chineses de até 5 000 reais

Linhas complementares como essas são bastante procuradas na Entreposto, loja precursora da decoração de luxo na cidade. Escondida na Rua Sampaio Vidal, a mansão em estilo vitoriano, da empresária Regina Tranchesi Zuccolo, é tão aconchegante que dá até vontade de sentar e matar um tempo por ali. Mas não custa lembrar que todo cuidado é pouco nessas lojas. Uma almofada de tapeçaria francesa jogada assim, displicentemente, num sofá sai por 4.480 reais.

 

Agora, vale até pingüim de geladeira

Idéias e sugestões do arquiteto
Sig Bergamin para decorar sua casa


João Raposo


• Na cama, dê preferência para cores claras. Escolha lençóis e edredons macios e de fibras naturais.  

• Em espaços pequenos, restrinja o uso de cores fortes.  

• Almofadas com estampas diversas em sofás e poltronas ficam interessantes juntas quando formam um composé legal de cores e padrões.  

• Misture copos coloridos numa grande bandeja de prata, palha ou madeira. São uma opção criativa para qualquer tipo de bar.  

• Mescle objetos de diferentes estilos (como poltronas ou sofás clássicos ao lado de mesinhas de junco ou palha) para tornar o ambiente mais agradável.

• Elimine portas entre cômodos. Ambientes sem separação parecem maiores.

• Louças e cristais em diferentes tons de azul formam uma mesa chique.

• Pingüins de geladeira já não são cafonas; agora são kitsch. Pode usá-los.

• Sua casa tem de ter a sua cara e contar sua história nos pequenos detalhes. Não queira nada igualzinho ao do vizinho, do amigo, do milionário da revista. Seja você.

     
   
 
 
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