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FAMÍLIA
As superbabás
Elas ganham até 2 000 reais, fazem
cursos, falam inglês e acompanham
bebês em viagens
Lúcia Monteiro
Fotos Mario Rodrigues
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| Andrea Doria (no centro),
com os filhos, Valentina e Lorenzo, e as babás Elizabeth
e Lurdes: ajuda até para estudar inglês |
Elizabeth Anastácio fala baixo, tem
gestos delicados e só veste branco. É babá
há dezenove anos e mora no emprego, no Jardim Europa. Cuida
dos filhos da empresária Andrea Doria, Valentina, de 4 anos,
e Lorenzo, de 2. Elizabeth dorme com o menor e, como sabe inglês,
ajuda a mais velha, que estuda em um colégio britânico.
"Dei aula em pré-escola e adoro crianças", diz ela.
Com Maria de Lurdes de Souza, que trabalha com a mesma família,
acompanha os dois na escola, na natação, em festas
de aniversário e em viagens. "Sou totalmente dependente da
Beth e da Lurdinha", diz Andrea. "Elas participam da educação
de meus filhos." Elas são o que se pode chamar de superbabás:
profissionais capacitadas, com 2º grau ou nível superior,
que passaram por cursos de especialização e, lógico,
recebem bons salários. O piso da categoria é igual
ao das domésticas (260 reais), mas as tops costumam ganhar
perto de 2.000 reais.
Encontrar boas babás como elas é
difícil. A dentista Viviane Rocha fez quatro tentativas
e seu Bruno tem só 6 meses. Depois dessa experiência,
Viviane decidiu abrir uma empresa que recruta e treina candidatas.
Criou um curso que custa 1.000 reais,
pagos pela patroa. Além dos cuidados básicos, ensina
regras de comportamento. Não aparecer de camisola no quarto
do bebê nem na cozinha é a lição número
1. As recomendações com a roupa se aplicam na praia
ou na piscina: biquíni, nem pensar. O traje indicado é
bermuda, camiseta e tênis.
Fotos Mario Rodrigues
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| Adriana e os gêmeos Sofia e Lucas, de 1 ano: cursos
de enfermeira e de copeira |
A babá Lúcia e a administradora Patricia: carteira assinada
antes do parto |
Dona da loja infantil Nick Name, Cynthia Arno
também oferece treinamentos a mães e profissionais.
No ano que vem, ela vai dar um workshop sobre como contratar (veja
quadro). "É uma questão que deixa todos
inseguros", afirma Cynthia. As preocupações vão
desde o medo de que as crianças sejam maltratadas até
uma ponta de ciúme sempre surge a perguntinha "será
que meu filho vai se apegar mais a ela do que a mim?". Outra dúvida
diz respeito à formação necessária.
Enfermeiras com experiência em berçários cobram
caro e costumam ser requisitadas para recém-nascidos. Mas
não são um consenso.
"Algumas enfermeiras parecem generais, querem
mandar em tudo. Prefiro uma pessoa que faça as coisas do
meu jeito", diz a empresária Priscila Borgonovi, mãe
de João, de 1 ano e 10 meses, e patroa de Cleide dos Santos.
Na semana passada, Cleide viajou de avião com o pimpolho
para visitar o papai Fábio Assunção, que está
gravando uma minissérie na Amazônia. Cleide fez especialização
e já recebeu oferta de emprego de uma desconhecida enquanto
passeava com João. Estava no clube, lugar arriscado para
perder uma babá, assim como o Parque Buenos Aires, em Higienópolis.
As mães fazem de tudo para segurar
uma boa profissional. Aliás, para reservar as mais concorridas,
algumas assinam a carteira de trabalho antes do parto e começam
a pagar o salário. A administradora Patricia Salioni, que
está no oitavo mês de gravidez, contratou Lúcia
Humel no fim de setembro e a matriculou num curso de primeiros socorros.
"Não quero ter essa preocupação depois que
Livia Maria nascer", explica Patricia. O risco é manter um
vínculo com alguém durante um bom tempo e arrepender-se
da escolha. Após ter pago uma babá por quatro meses,
a administradora Fernanda Sardo ficou insatisfeita e a demitiu ao
voltar da maternidade com os gêmeos Lucas e Sofia. Resolveu
contratar Adriana Lemos, que tem no currículo cursos de babá,
copeira e enfermeira. "Para mim, o que conta é o carinho
com meus filhos", diz Fernanda.
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Na hora de contratar
Como selecionar e treinar
uma boa profissional
É importante
que a babá saiba entreter a criança (e goste
disso). Pesquise as referências dos empregos anteriores
e pergunte como foi a vida da candidata. Quem brincou bastante
na infância tem mais chance de divertir melhor seu filho.
Confira os documentos
e não se acanhe em pedir um atestado de antecedentes
criminais.
Avalie se ela tem
energia. Só pessoas com bastante disposição
conseguem cuidar de um bebê o dia inteiro. Outra característica
fundamental: paciência.
Evite os tipos sabe-tudo
e dona da verdade. As regras e os horários do bebê
devem ser estabelecidos pelos pais, e não pela babá,
por mais bem preparada que seja.
Faça um teste.
Observe a atitude da candidata com a criança por algum
tempo.
A mãe precisa
acompanhar de perto o início da relação
entre o filho e a babá. Para saber como agir, a profissional
deve ver a mãe alimentando, banhando e vestindo a criança.
Deixe na porta da
geladeira uma lista de telefones úteis para situações
de emergência: pai, mãe, avó, pediatra
e pronto-socorro.
Fonte: Cynthia Arno,
da Nick Name
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