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1° de dezembro de 2004
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FAMÍLIA

As superbabás

Elas ganham até 2 000 reais, fazem
cursos,
falam inglês e acompanham
bebês em viagens

Lúcia Monteiro


Fotos Mario Rodrigues
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Andrea Doria (no centro), com os filhos, Valentina e Lorenzo, e as babás Elizabeth e Lurdes: ajuda até para estudar inglês

Elizabeth Anastácio fala baixo, tem gestos delicados e só veste branco. É babá há dezenove anos e mora no emprego, no Jardim Europa. Cuida dos filhos da empresária Andrea Doria, Valentina, de 4 anos, e Lorenzo, de 2. Elizabeth dorme com o menor e, como sabe inglês, ajuda a mais velha, que estuda em um colégio britânico. "Dei aula em pré-escola e adoro crianças", diz ela. Com Maria de Lurdes de Souza, que trabalha com a mesma família, acompanha os dois na escola, na natação, em festas de aniversário e em viagens. "Sou totalmente dependente da Beth e da Lurdinha", diz Andrea. "Elas participam da educação de meus filhos." Elas são o que se pode chamar de superbabás: profissionais capacitadas, com 2º grau ou nível superior, que passaram por cursos de especialização e, lógico, recebem bons salários. O piso da categoria é igual ao das domésticas (260 reais), mas as tops costumam ganhar perto de 2.000 reais.

Encontrar boas babás como elas é difícil. A dentista Viviane Rocha fez quatro tentativas – e seu Bruno tem só 6 meses. Depois dessa experiência, Viviane decidiu abrir uma empresa que recruta e treina candidatas. Criou um curso que custa 1.000 reais, pagos pela patroa. Além dos cuidados básicos, ensina regras de comportamento. Não aparecer de camisola no quarto do bebê nem na cozinha é a lição número 1. As recomendações com a roupa se aplicam na praia ou na piscina: biquíni, nem pensar. O traje indicado é bermuda, camiseta e tênis.


Fotos Mario Rodrigues
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Adriana e os gêmeos Sofia e Lucas, de 1 ano: cursos de enfermeira e de copeira A babá Lúcia e a administradora Patricia: carteira assinada antes do parto

Dona da loja infantil Nick Name, Cynthia Arno também oferece treinamentos a mães e profissionais. No ano que vem, ela vai dar um workshop sobre como contratar (veja quadro). "É uma questão que deixa todos inseguros", afirma Cynthia. As preocupações vão desde o medo de que as crianças sejam maltratadas até uma ponta de ciúme – sempre surge a perguntinha "será que meu filho vai se apegar mais a ela do que a mim?". Outra dúvida diz respeito à formação necessária. Enfermeiras com experiência em berçários cobram caro e costumam ser requisitadas para recém-nascidos. Mas não são um consenso.

"Algumas enfermeiras parecem generais, querem mandar em tudo. Prefiro uma pessoa que faça as coisas do meu jeito", diz a empresária Priscila Borgonovi, mãe de João, de 1 ano e 10 meses, e patroa de Cleide dos Santos. Na semana passada, Cleide viajou de avião com o pimpolho para visitar o papai Fábio Assunção, que está gravando uma minissérie na Amazônia. Cleide fez especialização e já recebeu oferta de emprego de uma desconhecida enquanto passeava com João. Estava no clube, lugar arriscado para perder uma babá, assim como o Parque Buenos Aires, em Higienópolis.

As mães fazem de tudo para segurar uma boa profissional. Aliás, para reservar as mais concorridas, algumas assinam a carteira de trabalho antes do parto – e começam a pagar o salário. A administradora Patricia Salioni, que está no oitavo mês de gravidez, contratou Lúcia Humel no fim de setembro e a matriculou num curso de primeiros socorros. "Não quero ter essa preocupação depois que Livia Maria nascer", explica Patricia. O risco é manter um vínculo com alguém durante um bom tempo e arrepender-se da escolha. Após ter pago uma babá por quatro meses, a administradora Fernanda Sardo ficou insatisfeita e a demitiu ao voltar da maternidade com os gêmeos Lucas e Sofia. Resolveu contratar Adriana Lemos, que tem no currículo cursos de babá, copeira e enfermeira. "Para mim, o que conta é o carinho com meus filhos", diz Fernanda.

 

Na hora de contratar

Como selecionar e treinar uma boa profissional

• É importante que a babá saiba entreter a criança (e goste disso). Pesquise as referências dos empregos anteriores e pergunte como foi a vida da candidata. Quem brincou bastante na infância tem mais chance de divertir melhor seu filho.

• Confira os documentos e não se acanhe em pedir um atestado de antecedentes criminais.

• Avalie se ela tem energia. Só pessoas com bastante disposição conseguem cuidar de um bebê o dia inteiro. Outra característica fundamental: paciência.

• Evite os tipos sabe-tudo e dona da verdade. As regras e os horários do bebê devem ser estabelecidos pelos pais, e não pela babá, por mais bem preparada que seja.

• Faça um teste. Observe a atitude da candidata com a criança por algum tempo.

• A mãe precisa acompanhar de perto o início da relação entre o filho e a babá. Para saber como agir, a profissional deve ver a mãe alimentando, banhando e vestindo a criança.

• Deixe na porta da geladeira uma lista de telefones úteis para situações de emergência: pai, mãe, avó, pediatra e pronto-socorro.

Fonte: Cynthia Arno, da Nick Name

 

     
   
 
 
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