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1° de maio de 2002
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URBANISMO

Não à sujeira

Comerciantes e moradores combatem
a
poluição visual da Avenida Pacaembu

Lúcia Monteiro

 
Cauduro Martino
Rogério Montenegro
Projeto: solução para placas, fios e anúncios de até 30 metros quadrados

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Mais imagens do projeto de urbanização

Existem perto de 100 imóveis nos 1.400 metros de extensão da Avenida Pacaembu. Apenas três ainda são residências. Os demais – escritórios, clínicas, escolas, bancos e lojas – exibem placas de identificação de tudo quanto é formato e tamanho. Na competição pela atenção de até 5.000 motoristas que cruzam a avenida por hora, os anúncios ficam cada vez mais altos e coloridos. À paisagem somam-se fios, faixas de promoções, placas de imobiliárias e sinalização de trânsito. Não é, nem de longe, a avenida mais caótica de São Paulo. Perto da Santo Amaro ou da Rebouças, por exemplo, parece até bonita. Mesmo assim, seu visual desordenado incomoda. Sem esperança de que o poder público faça alguma coisa para melhorar esse cenário, moradores e empresas se organizaram em torno de um ambicioso plano de combate à poluição visual. O estudo foi apresentado à prefeitura na semana passada pela Associação Comercial e dos Prestadores de Serviços do Pacaembu (ACPSP).

A intenção é padronizar a identificação dos imóveis, integrar placas de trânsito a semáforos e enterrar parte da fiação. "Há muitos elementos em conflito. Criamos um design para harmonizá-los", diz o arquiteto João Carlos Cauduro, autor do estudo. Ele foi responsável pela criação dos semáforos e pontos de ônibus da Avenida Paulista, na década de 70. A idéia do novo projeto surgiu no fim do ano passado, depois de o arquiteto Roberto Amaral, diretor da Associação dos Moradores e Amigos do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis (Amapph), entregar ao Ministério Público um levantamento fotográfico de todos os anúncios irregulares do bairro. Desde então, quem tem placa fora do padrão recebe multa de até 3.500 reais. Quinze pontos já fecharam as portas.

Comerciantes e prestadores de serviços assinaram um acordo com a Amapph e o Ministério Público comprometendo-se a melhorar o visual da avenida. "Vamos arcar com os custos do paisagismo, da mudança nas placas e da padronização das calçadas", afirma Fernando Rodrigues, presidente da associação de comerciantes. "Só precisamos de financiamento para instalar a fiação subterrânea." Por sua grandiosidade, a iniciativa pode ser considerada um avanço em relação à experiência da Amapph na Avenida Angélica, dois anos atrás. Graças ao trabalho encabeçado pela psicóloga Cássia Fellet, presidente da associação, foram retirados de lá seis luminosos e trinta outras placas irregulares. O McDonald's reduziu para menos da metade o tamanho de seu "M" amarelo, enquanto o Unibanco e o Pão de Açúcar eliminaram os back-lights. "O projeto atual é muito mais completo e poderá servir de modelo para toda a cidade", diz Cássia.

 
Fotos Rogério Montenegro

2000
egro

2002
Avenida Angélica, antes e depois: luminosos menores ou extintos

Qualquer transformação no visual da Pacaembu esbarra, no entanto, num grande empecilho. A avenida é um corredor de serviços, em que deveriam funcionar exclusivamente escritórios, clínicas e bancos. Trinta lojas desrespeitam a Lei de Zoneamento. "A medida regularizaria esses estabelecimentos", acredita Iênidis Benfati, coordenadora-geral da associação Viva Pacaembu por São Paulo, rival da Amapph na representação dos moradores. "Aumentaria o trânsito e abriria um precedente para mudanças em outros corredores."

Apesar das divergências das quatro associações de moradores que atuam na região, há uma unanimidade entre elas: todas são contra a ampliação da Faap. A faculdade, que tem 8.500 alunos em três períodos, pretende construir um prédio de oito andares com quarenta salas de aula e estacionamento subterrâneo com 1.000 vagas. Mas mesmo nesse caso há diferenças. As associações Defenda São Paulo e Viva Pacaembu não aceitam nenhuma obra no quarteirão tombado. A Amapph concorda com a necessidade do estacionamento, que aliviaria os congestionamentos. Há três semanas, depois de muita pressão dos moradores, a Secretaria Estadual da Cultura revogou uma decisão do Condephaat, que aprovara a ampliação. "Vamos reestudar o caso, mas não acredito que façamos grandes alterações", diz o presidente do Condephaat, José Roberto Melhem.

         
     
 
 
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