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URBANISMO
Não
à sujeira
Comerciantes
e moradores combatem
a poluição
visual da Avenida Pacaembu
Lúcia
Monteiro
Cauduro Martino
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Rogério Montenegro
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Projeto:
solução para placas, fios e anúncios de
até 30 metros quadrados |
Existem
perto de 100 imóveis nos 1.400
metros de extensão da Avenida Pacaembu. Apenas três
ainda são residências. Os demais escritórios,
clínicas, escolas, bancos e lojas exibem placas de
identificação de tudo quanto é formato e tamanho.
Na competição pela atenção de até
5.000 motoristas que cruzam a avenida
por hora, os anúncios ficam cada vez mais altos e coloridos.
À paisagem somam-se fios, faixas de promoções,
placas de imobiliárias e sinalização de trânsito.
Não é, nem de longe, a avenida mais caótica
de São Paulo. Perto da Santo Amaro ou da Rebouças,
por exemplo, parece até bonita. Mesmo assim, seu visual desordenado
incomoda. Sem esperança de que o poder público faça
alguma coisa para melhorar esse cenário, moradores e empresas
se organizaram em torno de um ambicioso plano de combate à
poluição visual. O estudo foi apresentado à
prefeitura na semana passada pela Associação Comercial
e dos Prestadores de Serviços do Pacaembu (ACPSP).
A
intenção é padronizar a identificação
dos imóveis, integrar placas de trânsito a semáforos
e enterrar parte da fiação. "Há muitos elementos
em conflito. Criamos um design para harmonizá-los", diz o
arquiteto João Carlos Cauduro, autor do estudo. Ele foi responsável
pela criação dos semáforos e pontos de ônibus
da Avenida Paulista, na década de 70. A idéia do novo
projeto surgiu no fim do ano passado, depois de o arquiteto Roberto
Amaral, diretor da Associação dos Moradores e Amigos
do Pacaembu, Perdizes e Higienópolis (Amapph), entregar ao
Ministério Público um levantamento fotográfico
de todos os anúncios irregulares do bairro. Desde então,
quem tem placa fora do padrão recebe multa de até
3.500 reais. Quinze pontos já
fecharam as portas.
Comerciantes
e prestadores de serviços assinaram um acordo com a Amapph
e o Ministério Público comprometendo-se a melhorar
o visual da avenida. "Vamos arcar com os custos do paisagismo, da
mudança nas placas e da padronização das calçadas",
afirma Fernando Rodrigues, presidente da associação
de comerciantes. "Só precisamos de financiamento para instalar
a fiação subterrânea." Por sua grandiosidade,
a iniciativa pode ser considerada um avanço em relação
à experiência da Amapph na Avenida Angélica,
dois anos atrás. Graças ao trabalho encabeçado
pela psicóloga Cássia Fellet, presidente da associação,
foram retirados de lá seis luminosos e trinta outras placas
irregulares. O McDonald's reduziu para menos da metade o tamanho
de seu "M" amarelo, enquanto o Unibanco e o Pão de Açúcar
eliminaram os back-lights. "O projeto atual é muito
mais completo e poderá servir de modelo para toda a cidade",
diz Cássia.
Fotos Rogério Montenegro

2000
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egro

2002
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Avenida Angélica, antes e depois: luminosos menores
ou extintos |
Qualquer
transformação no visual da Pacaembu esbarra, no entanto,
num grande empecilho. A avenida é um corredor de serviços,
em que deveriam funcionar exclusivamente escritórios, clínicas
e bancos. Trinta lojas desrespeitam a Lei de Zoneamento. "A medida
regularizaria esses estabelecimentos", acredita Iênidis Benfati,
coordenadora-geral da associação Viva Pacaembu por
São Paulo, rival da Amapph na representação
dos moradores. "Aumentaria o trânsito e abriria um precedente
para mudanças em outros corredores."
Apesar
das divergências das quatro associações de moradores
que atuam na região, há uma unanimidade entre elas:
todas são contra a ampliação da Faap. A faculdade,
que tem 8.500 alunos em três períodos,
pretende construir um prédio de oito andares com quarenta
salas de aula e estacionamento subterrâneo com 1.000
vagas. Mas mesmo nesse caso há diferenças. As associações
Defenda São Paulo e Viva Pacaembu não aceitam nenhuma
obra no quarteirão tombado. A Amapph concorda com a necessidade
do estacionamento, que aliviaria os congestionamentos. Há
três semanas, depois de muita pressão dos moradores,
a Secretaria Estadual da Cultura revogou uma decisão do Condephaat,
que aprovara a ampliação. "Vamos reestudar o caso,
mas não acredito que façamos grandes alterações",
diz o presidente do Condephaat, José Roberto Melhem.
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