Publicidade
 

 
 
 


1° de maio de 2002
NOITE
BOA FORMA
DIVERSÃO
PARA AS CRIANÇAS
URBANISMO
AS BOAS COMPRAS
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

BOA FORMA

Mania zen

Adaptada ao público jovem, a ioga
foi parar em academias, escritórios
e centros estéticos

Valéria França

 
Heudes Regis
A apresentadora de TV Daniela Barbieri e seu instrutor, Carvalho, em baddha padmásana: "A concentração é indispensável"


Veja também
Os mandamentos de um iogue
Chakras

A ioga é uma coisa antiqüíssima. Sua filosofia foi criada há 5.500 anos, na Índia. Entre nós, ficou conhecida três décadas atrás como uma atividade de senhoras que meditavam durante horas na mesma posição, a de lótus. Hoje a história é outra. Nunca a ioga teve tantos praticantes jovens. São paulistanos, entre 20 e 40 anos, que contorcem e esticam o corpo sarado em movimentos, digamos, desafiadores. Ora eles estão equilibrados horizontalmente sobre a cabeça, ora verticalmente nos cotovelos. Outra mudança que salta aos olhos é a quantidade de lugares que passaram a oferecer a disciplina. Além das escolas especializadas, ela começou a fazer parte do cardápio da maioria das academias. Também está em empresas, igrejas, centros de medicina preventiva e clínicas de estética. Ainda não se sabe ao certo o número de praticantes. A Federação de Yôga do Estado de São Paulo arrisca uma estatística exagerada. Segundo ela, cerca de 1 milhão de pessoas no Estado teriam incluído alguma forma da prática em seus exercícios físicos. (A diferença de grafia se dá porque ioga é simplesmente a forma aportuguesada de yôga, a pronúncia do termo original, em sânscrito.) "É uma das aulas mais concorridas da academia", diz José Otávio Berça Marfará, proprietário da Reebok Sports Club (140 praticantes) e fundador da Runner (3.000). Em fevereiro, o Projeto Acqua aderiu à onda. "Foi uma exigência dos alunos", afirma a coordenadora Eledir Busanello.

Renato Chaui
A atleta Adriana se estica para o rája bhujángásana: "Parece fácil, mas exige muito alongamento"


Há muitas linhas na ioga. As mais modernas surgiram de sua adaptação ao mundo da malhação. É o caso da power ioga, que nasceu nos Estados Unidos e virou moda entre celebridades. O roqueiro Sting, a atriz Gwyneth Paltrow e a pop star Madonna são praticantes. O método se resume à prática dos ássanas (nome em sânscrito das posições físicas), que são feitos em uma velocidade acelerada. Eles exigem força, dedicação (os movimentos mais difíceis só são reproduzidos depois de meses de treinamento), alongamento e elasticidade. Encadeados, os exercícios formam uma espécie de coreografia. Quando executados por um iogue experimentado, parecem um balé. As linhas que caíram na preferência dos jovens, mesmo quando oferecem outras atividades na aula básica, como exercícios respiratórios, mantras e meditação, dão ênfase aos ássanas. A beleza da técnica atrai os novatos. Foi assim que a atleta Adriana Telg, adepta da musculação, passou a engrossar o número de alunos zen na Reebok. "Estava curiosa, mas acabei ficando, porque os exercícios estão desenvolvendo meu alongamento", diz Adriana, que há três meses faz ioga duas vezes por semana.



Heudes Regis
O personal Euksuzian executa o rája utthita mayurásana: "O segredo é o equilíbrio"

São muitos os benefícios. "Os exercícios queimam calorias, modelam o corpo e ajudam no equilíbrio emocional", enumera a apresentadora de TV Daniela Barbieri, que pratica hatha ioga há sete anos. "Outro efeito é estimular nossos pontos de energia, os chacras", completa seu instrutor, Sérgio Carvalho, do Kyron, um centro de medicina estética e preventiva. Apesar de os exercícios serem a base da prática, a parte filosófica não fica de fora. Os instrutores sutilmente incentivam os alunos a adotar hábitos como não ingerir bebida alcoólica, não fumar nem comer carne. Nada é obrigatório. "A mudança do estilo de vida acontece naturalmente, quando as pessoas vão mais fundo no assunto", diz o personal Fábio Euksuzian, de 27 anos. Assim como os alunos, os professores, na maioria, são jovens. Antes eram senhores barbudos qua usavam uma espécie de longa bata branca. Por isso, é importante ter alguns cuidados na hora de escolher o instrutor. "Peça seu currículo e procure saber, por exemplo, quem é seu mestre e guru", sugere Regina Shakti, presidente do Instituto de Yoga de São Paulo, que há trinta anos forma discípulos.

 
Serviço: Federação de Yôga do Estado de São Paulo, 5042-0259; Reebok Sports Club, 3759-7878; Kyron, 3095-3000; Projeto Acqua, 3849-0522; Fábio Euksuzian, 9945-1427; Instituto de Yoga de São Paulo, (12) 263-3168.

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados