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Dez motivos para
não demolir o Minhocão

Edison Veiga


Mario Rodrigues


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1. A demolição traria mais transtornos que benefícios. Inaugurado em 1971, o Elevado Costa e Silva é a principal ligação leste–oeste da cidade. Em seus 3,4 quilômetros de extensão trafegam 70 000 carros por dia.

2. Sua retirada significaria 4 000 veículos a mais por hora circulando na Avenida São João e em outras ruas do centro. Congestionamentos gigantes na certa.

3. Do ponto de vista imobiliário, é ingênuo acreditar que os cerca de 140 prédios existentes no entorno – hoje completamente degradados – recuperariam seu valor do passado. "Com ou sem Minhocão, a classe média dificilmente voltaria a ocupar esses imóveis", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio.

4. A Empresa Municipal de Urbanização, encarregada em agosto pelo prefeito José Serra de buscar alternativas para a área, não possui sequer um projeto concreto. "Temos simplesmente idéias embrionárias", afirma a diretora da entidade, Regina Monteiro.

5. Não há um estudo oficial de quanto se gastaria para demoli-lo. Fala-se em 80 milhões de reais – uma dinheirama ao levar em conta as tantas outras prioridades da cidade, que acumula dívida de 32,8 bilhões de reais.

6. A implosão de suas 1 000 vigas de concreto (30 a 40 metros cada uma) abalaria a estrutura dos prédios próximos. Mesmo que se opte por uma demolição cuidadosa, parte a parte, as construções vizinhas podem ser afetadas.

7. Já imaginou seis meses de obras na região? É o tempo estimado para colocar o viaduto no chão e tirar montanhas de entulho de lá.

8. É verdade que outras cidades no mundo estudam a retirada de vias elevadas como parte da renovação urbana. Boston, nos Estados Unidos, construiu um túnel subterrâneo que cruza a cidade nas margens da baía. Ele passou a absorver o tráfego de um "minhocão" erguido na década de 40 na região sul. Detalhe: o projeto custou 30 bilhões de reais. Ou seja, quase o dobro do orçamento anual de São Paulo.

9. Existem idéias menos radicais para amenizar o impacto dessa obra tão polêmica. Instalar biombos nas suas laterais, por exemplo, minimizaria o volume do ruído para a vizinhança. É o que se faz no Japão, onde existem vias elevadas para todo lado.

10. Aos domingos e feriados, o Minhocão se transforma. Fechado para o trânsito, vira pista para atletas de fim de semana e espaço de lazer para crianças.

     
   
 
 
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