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O que os nossos vereadores andam fazendo...

O desempenho da Câmara em 2005
melhorou, mas a maioria das propostas
ainda trata de inutilidades

Marcella Centofanti

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 As mensagens devem trazer nome, endereço, número da cédula de identidade e o telefone do remetente

Depois de 42 dias em férias, os 55 vereadores paulistanos finalmente retornam à Câmara Municipal na próxima quarta. Passando um pente-fino nos projetos de lei que eles apresentaram no ano passado, não dá para dizer que esse descanso todo foi merecido. Metade das suas 1 000 propostas refere-se a nomes de ruas, datas comemorativas e títulos honoríficos. Ou idéias como a do vereador Domingos Dissei, do PFL, que concede o título de cidadão paulistano ao papa Bento XVI (esta aprovada, por sinal). Para chamar atenção às pérolas sugeridas por nossos representantes no Legislativo, o Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia criou o Troféu Joinha, que vai premiar a mais esdrúxula das propostas. Até a última quinta, quem vencia a eleição na internet com 27% dos votos era Myryam Athie, do PPS. Ela quer instituir a pizza como prato típico paulistano. Votações importantes, sobretudo tributárias, como a que pôs fim à taxa do lixo e modificou a cobrança do imposto sobre serviços (ISS), foram poucas.

Apresentar o maior número possível de projetos, sejam eles quais forem, é uma estratégia de muitos políticos despreparados para mostrar serviço. É também, vale ressaltar, um método equivocado de avaliação da população. Quantidade não necessariamente se traduz em qualidade. A Câmara está entupida de sugestões que não servem para nada. E leis a cidade tem de sobra. Em novembro, num trabalho conjunto entre o Executivo e o Legislativo, foram extintas 3 682 leis obsoletas em vigor desde 1892, como a que proibia a circulação de carros de boi na Rua São Bento. "Cada vereador deveria se concentrar em poucos e bons projetos", afirma o cientista político Rui Tavares Maluf. Em sua avaliação, o ideal seria a apresentação de dez a quinze propostas num prazo de dois anos. Reeleito para mais um ano de mandato como presidente da casa, Roberto Tripoli, sem partido, diz não ter mecanismos para melhorar o nível dos projetos: "Todo parlamentar tem o direito de apresentar o que quiser. Não cabe a mim ser censor".

Um segundo desperdício de tempo e dinheiro na Câmara é a criação de projetos inconstitucionais, que fogem da alçada dos vereadores, como construção de creches e canalização de córregos. Uma pesquisa feita no segundo semestre de 2005 pela ONG Voto Consciente mostra que, de 211 projetos apreciados pela Comissão de Constituição e Justiça, 132 foram considerados ilegais. Mesmo assim, 75 deles acabaram sendo aprovados em plenário – e todos, evidentemente, vetados quando chegaram ao prefeito.

Após o escândalo da Máfia dos Fiscais, na gestão de Celso Pitta, os paulistanos ficaram mais atentos ao desempenho da Câmara Municipal. E mostraram sua insatisfação nas urnas. De Pitta para cá, houve renovação de 75% no quadro de vereadores. Melhorar o nível da Câmara, sem dúvida, está nas mãos dos eleitores. Quanto mais a sociedade acompanhar e fiscalizar o desempenho de seus representantes, maior transparência política haverá.

 
Fontes: Câmara Municipal e Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia

 

     
 

 

Ilustração Nanci Serrão sobre fotos de divulgãçao,Ccelso Junior/AE, Evelson de Freitas/AE, Agliberto Lima/AE e Paulo Liebert/AE
   
 
 
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