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Ojuara na terra do sol
Caixeiro-viajante vira
lenda viva no sertão nordestino
Divulgação
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| Palmeira e Vasconcelos:
em O Homem que Desafiou o Diabo
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As fitas de Moacyr Góes
nunca foram bem-aceitas pela crítica. Também,
pudera. No currículo do cineasta constam três
produções infantis de Xuxa, um musical de Angélica,
dois dramas bíblicos do padre Marcelo Rossi, uma vergonhosa
adaptação contemporânea de Machado de
Assis (Dom) e uma versão da peça Trair
e Coçar É Só Começar. Em vista
de uma filmografia raquítica, aparece como um oásis
no deserto a comédia popular O Homem que Desafiou
o Diabo.
Em produção
caprichada da família Barreto, a fita é uma
adaptação do livro As Pelejas de Ojuara,
de Nei Leandro de Castro. Marcos Palmeira capta bem o
tom cômico e o espírito de herói sem-vergonha
do protagonista. Ele interpreta o caixeiro-viajante Zé
Araújo, que, numa parada em vilarejo nordestino, se
engraça com a balzaquiana Dualiba (Lívia Falcão).
Chegado a um rabo-de-saia, Araújo se deixa seduzir
por essa fogosa. No dia seguinte, o pai dela (papel de Renato
Consorte) o obriga a casar-se. O rapaz, então, se vê
preso a uma mulher dominadora com o passar do tempo. Ele dá
o troco. Larga tudo para virar o destemido cavaleiro Ojuara
(Araújo ao contrário). Pelo sertão, vai
construindo sua mítica trajetória. O queridinho
das prostitutas indefesas enfrenta de valentões (entre
eles, o cantor pernambucano Otto) a uma dominatrix tupiniquim
(Flávia Alessandra). Mas sua maior façanha será
a incrível batalha com o demo (a surpresa Helder Vasconcelos).
O roteiro divide-se em historietas umas mais divertidas
(e bem-sucedidas) do que outras. Em locações
áridas e movida a canções originais de
Gilberto Gil, a fita acerta o passo no ritmo do cordel e no
universo do realismo fantástico.
 
O Homem que Desafiou o Diabo, de Moacyr Góes
(Brasil, 2007, 95min). Censura e circuito a conferir. Estréia
prometida para sexta (28).
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