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Vitória
passo a passo
Lia Rodrigues
celebra o décimo aniversário
de seu concorrido festival de dança
Debora
Ghivelder
André Valentim/Strana

Lia Rodrigues: criadora e diretora artística
do Panorama RioArte de Dança, que começa
na quarta-feira |
A lista de afilhados é longa, mas perde para a de admiradores,
encabeçada por Carlota Portella, referência da
dança carioca. A coreógrafa Lia Rodrigues é
saudada pela classe. Capitã da companhia de dança
com seu nome, ela sedimentou a notoriedade na direção
artística do Panorama Rioarte de Dança, um dos
eventos mais concorridos da cidade, que completa dez anos
de existência. No decorrer da década, o festival
deu vez a sessenta companhias cariocas, 29 de outros Estados
e vinte grupos internacionais. Quase a totalidade dos artistas
brasileiros de vanguarda exibiu-se na série que fez
da coreógrafa uma espécie de embaixadora da
dança nacional. Em razão do aniversário,
o 10º Panorama RioArte de Dança inicia os trabalhos
na quarta-feira (31) recheado de atrações (veja
os destaques e a programação
da semana). Para
começar, ocupa dois teatros: o Carlos Gomes, no Centro,
e o Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá.
Nos palcos estarão 22 grupos, e completam a programação
o evento paralelo Corpo em Risco, com destaque para
uma videoinstalação nos Arcos da Lapa; a série
Novíssimos, com doze trabalhos de novos coreógrafos
cariocas; debates; e mostra de vídeo. Será
lançado também Coreografia de uma Década,
de Adriana Pavlova e Roberto Pereira (curador do Panorama
junto com Lia), livro que conta a trajetória do festival.
O Panorama
é uma vistosa vitrine da dança contemporânea.
"É um palco privilegiado para a dança de vanguarda",
confirma Carlota Portella, que participou da edição
do ano passado. Ao olhar para trás, vê-se que
o festival tem uma história respeitável. Já
abrigou a veterana Angel Vianna, a arrojada Deborah Colker
e o Tonheta, de Antônio Nóbrega. O empurrão
de Lia ajudou muitas companhias a engatar a segunda, a terceira
e a quarta marchas. A coreógrafa conheceu Dani Lima
quando esta integrava a Cia. de Deborah Colker. "Lia me chamou
para participar do Panorama e a partir daí estruturei
minha companhia. Devo o nascimento e o crescimento do grupo
a ela", diz Dani.
Às
vésperas da estréia, Lia está enlouquecida.
Não é para menos. Seu telefone recebe mais recados
do que a caixa postal pode armazenar. Responde a mais de quarenta
e-mails por dia. Além de organizar o Panorama, ela
integra a Rede Latino-Americana e Caribenha de Produtores
Independentes, entidade apoiada pela Fundação
Rockefeller para intensificar o intercâmbio entre os
países. Na agenda ainda constam ensaios do novo espetáculo
de sua companhia, subsidiada pela prefeitura. O grupo acaba
de regressar de uma turnê de quarenta dias pela Europa
com Daquilo de que Somos Feitos. Seus integrantes dançaram
na Dinamarca, França, Alemanha e Eslovênia e
receberam elogios dos jornais Le Monde e Libération.
Daquilo... trabalha com corpos nus e ganhou os prêmios
de melhor coreografia e trilha sonora do Rio Dança.
Mais um motivo para comemorar: a companhia acaba de obter
patrocínio de 300.000 reais
anuais de uma empresa de telefonia.
Nada
mau para essa paulista que ia ser historiadora e a seis meses
da formatura desistiu do diploma. Lia estudou balé
clássico por onze anos, mas foi depois de assistir
a Pina Bausch que resolveu dar a guinada. "Fiquei enlouquecida.
Decidi ir para a Alemanha estudar com Pina." Cumpriu a promessa.
Mas, no caminho, fez uma escala de dois anos em Paris. De
volta ao Brasil, mudou-se para o Rio. Casou-se com um cirurgião
plástico, teve uma filha e separou-se. Seu segundo
marido, com quem está até hoje, é o músico
Zeca Assumpção, relacionamento que resultou
em mais dois filhos. Depois de passar dois anos afastada dos
palcos para cuidar da prole, Lia voltou a dançar na
companhia que fundou com João Saldanha, o Ateliê
de Coreografia. Fez ainda incursões pelos teatros infantil
e adulto, assinando a direção de movimento.
Não podia imaginar, ao ser convidada pela prefeitura
em 1992 para montar uma programação de dança
no Sérgio Porto, que a coisa tomaria tal vulto, criando
o festival que desde 1997 apresenta atrações
internacionais e é integrante do calendário
oficial da cidade. Ela ciceroneou por aqui o todo-poderoso
curador da Bienal de Dança de Lyon, o francês
Guy Darmet, no processo de seleção dos grupos
para participar da edição de 1996 do festival,
dedicada ao Brasil. Darmet decidiu homenagear a dança
brasileira depois de assistir ao Panorama. Neste ano, Lia
receberá mais curadores: chegam uma assessora de Darmet,
já que a Bienal-2002 vai focalizar a América
Latina, e um representante do Spring Dance Festival, na Holanda.
"A Lia é de uma valentia ilimitada. É maravilhoso
o jeito como ela insiste e valoriza a dança carioca",
elogia a coreógrafa Márcia Rubin, outro filhote
de Lia.
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Destaques
do Panorama
Fotos divulgação
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Fotos
divulgação
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WILLI
DORNER (Áustria).
Mazy mostra a diferença entre a percepção
visual e a física. Quinta (1º), 20h. Teatro
Carlos Gomes.
MARCIA
RUBIN. A
Paisagem Daqui É Outra inspira-se em Ana
Cristina César e Lygia Clark. Quinta (1º),
22h. Espaço Sérgio Porto.
THOMAS
LEHMEN (Alemanha).
Apresenta Mono Subjects. Sexta (2), Teatro Carlos
Gomes.
MÁRCIA
MILHAZES. Joaquim
Maria explora a obra de Machado de Assis. Sábado
(3), 20h. Teatro Carlos Gomes.
GILLES
JOBIN (Suíça/Reino
Unido). The Moebius Strip (no alto, à esq.)
traz uma rede de movimentos em um palco dividido. Domingo
(4), 20h. Teatro Carlos Gomes.
COMPAGNIE
À FLEUR DE PEAU (França).
Michael Bugdahn e Denise Namura mostram a série
de duos Retrospective. Quarta (7), 20h. Teatro
Carlos Gomes.
ASSOCIATION
EDNA/DIMITRI CHAMBLAS E BORIS CHARMATZ. (França).
Dois espetáculos: Aatt Enen Tionon e Bras
le Corps. O primeiro será na quinta (8),
20h. Teatro Carlos Gomes. O segundo, na quarta (7),
22h, no Espaço Sérgio Porto.
ROSEMARY
BUTCHER. (Inglaterra)
Scan (no alto, à dir.) é das atrações
mais esperadas. Sexta (9) e sábado, 22h. Espaço
Sérgio Porto.
OS
NOVÍSSIMOS. Doze
novos grupos cariocas. Domingo (4), 15h. Espaço
Sérgio Porto.
O
CORPO EM RISCO.
Maurício Dias e Walter Riedweg apresentam a videoinstalação
Because I Might Loose. Sexta (2), 23h. Nos Arcos
da Lapa. Em Impure Company, o coreógrafo
iraniano Hooman Sharifi mostra uma visão polêmica
dos conflitos do Oriente Médio. Segunda (5),
20h. Espaço Sérgio Porto.
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