Parangolé na Christie's

Obra de Oiticica vai a leilão em Nova York

Isabel Butcher

 
Fotos divulgação
O Parangolé, de Oiticica, e Che, de Gerchman: arte brasileira valorizada

A tradicionalíssima Christie's de Nova York faz um leilão dedicado à arte latino-americana em 19 de novembro. Um brasileiro se destaca entre os artistas contemporâneos do pregão. O carioca Hélio Oiticica, morto em 1980, é representado pela série que é sua marca registrada: a peça interativa Parangolé, retângulo de pano monocromático para se vestir e movimentar, em uma brincadeira que faz a cor se espalhar pelo espaço. A peça em questão é o Parangolé de Água, cotado entre 60.000 e 80.000 dólares, preço justo para o trabalho de um artista neoconcreto que aos poucos ganha reconhecimento no mercado internacional. "A procura pelos trabalhos de Hélio lá fora é grande e não é de hoje. Mas quem tem não quer vender. Quando um trabalho surge no mercado, a procura é enorme e a valorização, claro, é proporcional à dificuldade de conseguir uma obra", diz César Oiticica Filho, sobrinho do artista.

O marchand da Bolsa de Arte do Rio, Jones Bergamin, avalia que Hélio não é o único brasileiro com prestígio crescente no exterior. "O Brasil está rompendo a barreira do mercado internacional. Os estrangeiros procuram trabalhos importantes porque eles estão valorizados", diz Bergamin. Rubens Gerchman, freqüentemente representado em leilões lá fora, aparece na Christie's com a pintura Che, de 1965, com preço estimado entre 30.000 e 40.000 dólares. Também na mesma faixa de avaliação está o múltiplo de Lygia Clark Planos em Superfície Modulada. Cifras consideráveis para a arte contemporânea brasileira.