| |
| |  | |
VIAGEM
Estágio na neve Trabalho em estação de esqui atrai estudantes
Fabio Brisolla
Fotos Divulgação
 |
A
carioca Cecília Magalhães, de 22 anos, sempre teve uma vida cercada
pelo conforto proporcionado pela família. Moradora da Barra, sua principal
tarefa diária era freqüentar as aulas do curso de turismo da Universidade
Estácio de Sá. De um dia para o outro, tudo mudou. Cecília
passou a trabalhar como caixa de restaurante em jornadas de até doze horas,
longe da família, numa terra fria e distante. A mudança na rotina
foi temporária, e ela adorou a experiência. Cecília está
entre os universitários cariocas que a cada ano trocam o verão brasileiro
por um trabalho em estações de esqui no inverno do Hemisfério
Norte. Agências de intercâmbio organizam as viagens e cuidam de toda
a documentação necessária para instalar os brasileiros em
resorts sofisticados.
| | Cecília:
caixa de restaurante em estação
de esqui da Califórnia | No
próximo dia 14 de julho, representantes de quinze empresas americanas e
canadenses estarão no Rio Othon Palace numa feira organizada por uma agência
de turismo carioca. As companhias oferecerão, no total, 500 vagas para
que universitários daqui tenham um trabalho temporário por lá,
principalmente nas estações de esqui. O interesse dessas empresas
tem uma razão simples. O trabalho temporário se estende por quatro
meses, o período exato das férias de verão. "No inverno no
Hemisfério Norte, como as férias são curtas, as companhias
não conseguem empregar universitários americanos e procuram estudantes
em outros países", explica Cláudia Martins, gerente de marketing
da STB, uma das empresas especializadas em intercâmbios vinculados a trabalho.
As
estações de esqui tornaram-se o destino favorito de cariocas, principalmente
dos surfistas. Victor Bandeira, de 27 anos, sempre surfou e encontrou no trabalho
em uma estação de esqui a oportunidade ideal para aprender snowboard
modalidade em que o praticante desliza na neve sobre uma prancha um pouco
maior do que um skate. Pouco antes de concluir a faculdade de marketing, Victor
acertou a viagem para a região de Lake Tahoe, na divisa dos estados de
Nevada e Califórnia. Aprender o novo esporte foi fácil. O surfista
foi escalado para substituir os operadores de teleférico, que controlam
o embarque e desembarque em cada pista, no horário de almoço deles.
Para isso, tinha de ir de uma montanha a outra. E ia de snowboard. "Já
no segundo dia estava andando a montanha toda para substituir os lifts
(operadores) no horário do almoço", diz Victor. A estudante de pedagogia
Débora Magalhães, de 22 anos, foi além. Na estação
de esqui da cidade de Breckenridge, no Colorado, ela conseguiu conciliar a prática
do esporte com sua área de atuação. "Aprendi a esquiar e
ainda adquiri experiência profissional, trabalhando como professora de esqui
para crianças", conta Débora. Para assumir a nova função,
a estudante passou um mês na própria estação aprendendo
a esquiar.
| | Débora:
instrutora de esqui para crianças
em estação do Colorado | Principal
atleta brasileira do snowboard, a carioca Isabel Clark, de 29 anos, é também
uma instrutora veterana. Em todas as estações por onde passa, ela
tem o hábito de dar aulas. É uma forma de ajudar nas despesas da
viagem. "Nunca ganhei muito dinheiro como instrutora porque sempre busquei ter
horas livres para treinar. Estou indo para o Vale Nevado e pretendo dar duas horas
de aula por dia", planeja. Isabel Clark é um caso especial. Quase sempre,
as empresas exigem o compromisso de um período mínimo de trabalho,
para que o emprego não seja utilizado apenas como um meio para esquiar
de graça. Os profissionais contratados temporariamente nas estações
de esqui têm direito ao passe livre para as pistas. A regalia vale para
todas as funções, do instrutor de esqui ao barman do restaurante
do hotel. "Há
muitas vagas para instrutor, mas encontramos poucos candidatos porque a função
requer certa experiência", diz Clarice Caliman, gerente-geral da IE Intercâmbio,
outra empresa especializada nesse mercado. A parcela de brasileiros instrutores
de esqui é pequena. A grande maioria dos contratados se divide entre as
diversas funções de um hotel de luxo. E quase sempre sobra pouco
tempo para esquiar. Boa parte acaba trabalhando das 7 às 16 horas, justamente
o horário de funcionamento das pistas. A estações dão
aos funcionários um ou dois dias de folga por semana. A remuneração
é semelhante para manobrista, garçonete, barman, balconista ou vendedor.
Os pagamentos quinzenais variam entre 600 e 800 dólares. Se o intercambista
tiver viajado com a companhia do cartão de crédito do papai para
garantir as despesas principais, o salário é suficiente para fazer
uma boa festa na neve.
O
roteiro do frio
As empresas oferecem vagas em mais de 100 estações
de esqui nos Estados Unidos e na Europa. Apenas universitários podem participar
do programa
A principal operadora do Rio encaminhou 1 600
cariocas para emprego temporário em estações de esqui no
ano passado
As agências cobram em média 2 000 dólares
para providenciar o emprego em uma estação americana, com passagem
aérea, seguro-saúde e visto de trabalho incluídos
O salário mensal varia entre 1 200 e 1 600
dólares para oito horas diárias de trabalho. | |