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PERFIL
A mocinha que não nasceu ontem Totia Meirelles faz
sucesso na TV depois de longa carreira no palco Lívia
de Almeida
André Valentim/Strana
 | | Totia
Meirelles: estrela de musicais
brilha na novela das 7 | No
início nem nome tinha. Quando trocou a sólida carreira no teatro
para fazer participações na TV, a atriz, cantora e bailarina Totia
Meirelles virava "amiga um" ou "amiga dois". Já havia feito sucesso no
palco em A Chorus Line, Noviças Rebeldes, Sweet Charity e
Metralha, mas na telinha era uma novata. A situação começou
a mudar quando virou a amiga de Vera Fischer na novela O Clone. No trabalho
seguinte, América, a surpresa. "Descobri que meu personagem tinha
até cenário próprio! Foi um tremendo upgrade", conta. O romance
entre a sofrida Vera e o deficiente visual Jatobá (Marcos Frota) mobilizou
o público. Embalada por esse sucesso, Totia Meirelles desembarcou em Cobras
e Lagartos, novela das 19 horas, como Silvana, par romântico de Francisco
Cuoco. "Aparecia até uma cena minha nas chamadas que anunciavam a novela",
diz ela, rindo. Aos
47 anos, Totia ou Maria Elvira, como está na carteira de identidade
acha graça de seu sucesso na TV. "Agora as pessoas me chamam na
rua pelo nome", diz. Mas é quando fala de sua carreira no teatro que seus
olhos brilham. "Nunca estive tanto tempo afastada de um palco", reclama. "Tanto
tempo" significa desde janeiro, quando fez uma participação especial
no musical Lado a Lado com Sondheim, no Teatro Glória, dos amigos
Cláudio Botelho e Charles Möeller. São vinte anos de palco
que começaram quase por acaso, quando Totia, professora de jazz na academia
de Lennie Dale e Marly Tavares, resolveu fazer um teste para a montagem de A
Chorus Line. Passou e entrou em crise. "Fiquei me perguntando se era aquilo
mesmo que eu queria fazer", lembra.
Leo Andres/Divulgação
 | Zé
Paulo Cardeal/Rede Globo/Divulgação
 | | Upgrade
profissional: no palco, em Cristal Bacharach, e na TV, em América
(com Marcos Frota) | Pelo
visto era. "Quando montamos Company, nós a chamamos para fazer um
teste para Johanne, personagem que exige uma atriz com peso dramático e
musicalidade. Na hora, soubemos que o papel era dela", lembra Cláudio Botelho,
diretor musical e seu colega de elenco. A aplicação da atriz extrapola
a dedicação aos ensaios, conta o diretor Charles Möeller. "Um
dia, durante a turnê paulista de Company, encontrei Totia no palco
limpando as portas brancas do cenário com detergente, porque elas tinham
se sujado no transporte." Cristal Bacharach foi escrita por Charles especialmente
para ela. Totia interpretava Laura, mãe de cinco filhos, cada um de um
casamento, às vésperas de seu sexto matrimônio, tudo embalado
por vinte canções de Burt Bacharach, como Close to You e
Raindrops Keep Falling on My Head. A
volta ao teatro vai ter de esperar. Num sábado desses, gravou 24 cenas
no Projac, em Jacarepaguá, começando às 8 da matina. "Vou
dirigindo e segurando uma bolsinha de gelo para diminuir as olheiras", diz, com
ar divertido. No tempo livre, anda de moto para cima e para baixo, entre uma aula
de dança e uma sessão de malhação. Passa alguns dias
no sítio em Miguel Pereira, onde vive o marido, Jaime Rabacov, com quem
está casada há quinze anos. "O sonho dele era morar em cidade pequena,
mas depois de três dias lá eu canso. Cachorro vai, cachorro vem.
Nada acontece", ri. Mais à vontade diante dos holofotes, lembra quando
começou o fascínio: aos 6 anos, depois de assistir ao balé
Romeu e Julieta, no Municipal. "Eu me apaixonei pelo Romeu", recorda-se.
Levada aos camarins, viu que Romeu era careca e narigudo. "Naquele momento descobri
a magia do palco", conclui, com uma estrondosa gargalhada. |