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EDUCAÇÃO
Universidade pede socorro Em greve, Uerj denuncia penúria
e adia vestibular Fátima Sá
Hipólito Pereira/Ag. O Globo
 | | Protesto:
estudantes foram às ruas cobrar realização das provas
| O
cenário é desanimador. Uma das maiores universidades do Brasil,
com 55 anos de história e 26.000 alunos, a Uerj vive uma das piores crises
desde sua fundação. Em março, o governo do estado anunciou
corte de 25% em sua cota mensal. Voltou atrás depois que a direção
da universidade mostrou que não poderia mais cortar despesas. O conflito
vem desde o início do governo Rosinha. A direção da Uerj
argumenta que os investimentos caem ano após ano. "Já fomos vistos
pelos governantes como a jóia da Coroa. Hoje, não há investimento",
lamenta o reitor, Nival Nunes de Almeida. O estado diz que os recursos aumentaram.
"Apenas cinco municípios fluminenses têm orçamento maior do
que a Uerj", diz o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação,
Wanderley de Souza. Professores e funcionários entraram em greve em abril,
deixando alunos sem aula e adiando, por tempo indeterminado, a primeira etapa
do vestibular. Inconformados,
estudantes de colégios tradicionais da Zona Sul protestaram na porta do
Palácio Guanabara na semana passada. No mesmo dia, Wanderley de Souza acionou
a Procuradoria-Geral do Estado para cobrar explicações da Uerj sobre
o vestibular e anunciou que cortará o ponto dos grevistas. A primeira etapa
do vestibular, com 72.200 inscritos, seria em 25 de junho. "Fiz um plano de estudo
contando com essa data e agora nem sei quando serão as provas", desabafa
Laura Bastos Carvalho, 17 anos, aluna do Colégio Santo Inácio e
candidata a uma vaga no conceituado curso de direito. "O que mais me preocupa
é ver o patrimônio público nessa situação",
analisa Manuela Andreoni, 17 anos, estudante do Santo Agostinho.
O secretário
Wanderley de Souza diz que o estado investiu mais e que o orçamento executado
pela universidade saltou de 466 milhões de reais em 2003 para 520 milhões
em 2005. Não é bem assim. O Tesouro estadual repassa cada vez menos
para a Uerj. Em 2003 foram 322 milhões de reais. No ano passado, 271 milhões.
Para compensar, o estado usa outras fontes de recurso. Uma é o Fundo Estadual
de Saúde, cujo dinheiro tem sido utilizado para cobrir as despesas do Hospital
Universitário Pedro Ernesto. Outra é a Fundação de
Amparo à Pesquisa do Rio (Faperj). Juntos, o fundo e a verba de pesquisa
foram responsáveis por 118,9 milhões de reais em 2005. É
dinheiro com destino predeterminado, ao contrário dos recursos do Tesouro.
"Isso fere a autonomia universitária", diz o reitor. "Entendo que ele queira
flexibilidade, mas não se dá cheque em branco", rebate o secretário.
A
Uerj também recebe pagamentos por projetos que desenvolve e repasses do
governo federal, via SUS. O dinheiro é usado para as despesas fixas, e
sobra pouco para reinvestir. Somente com pessoal são gastos 300 milhões
de reais por ano. "A universidade não paga mais nem passagem para professor
viajar para congresso", comenta o reitor. Wanderley de Souza afirma que questões
de investimento são usadas como pretexto pelo movimento sindical. O cerne
da briga, segundo ele, é salário. "Foi por isso que a greve foi
decretada. Mas os professores da Uerj ganham até melhor que os da UFRJ.
Mereciam ganhar mais, mas não há recursos no momento", diz Wanderley,
que ameaça demitir quem não retornar ao trabalho. Enquanto segue
o impasse, Gisele Camargo, 22 anos, aluna de geologia, recém-aprovada num
concurso da Petrobras, vê o sonho de trabalhar na empresa escapar-lhe por
entre os dedos. Às vésperas de receber o diploma, não consegue
concluir o curso por causa da greve. Já pensa em recorrer à Justiça.
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