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31 de maio de 2006

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Festança no Alzirão

A Rua da Tijuca terá até área vip para torcedores

 
Cezar Loureiro/Ag. O Globo
Alzirão: 30 000 pessoas por jogo na Copa de 2002

Na Copa de 1978, um morador da Rua Alzira Brandão, na Tijuca, teve a idéia de instalar uma TV na calçada e reunir uma dúzia de amigos para torcer pela seleção canarinho. Quatro anos depois, o grupo aumentou um pouco e decidiu também decorar a rua e pintar no asfalto a figura de Naranjito, a mascote do torneio disputado na Espanha. Com o telão instalado na Copa de 1990, a Alzira Brandão tornou-se um ponto de encontro dos torcedores do bairro em dias de jogos do Brasil. A consagração veio com o tetracampeonato. A partir da conquista do título, a discreta rua tijucana virou o "Alzirão" e passou a concentrar milhares de torcedores de todos os pontos da cidade. Quando a seleção entrar em campo contra a Croácia, no próximo dia 13 de junho, a história iniciada com banquinhos e uma pequena TV ganhará toques de superprodução.

A organização promete estender entre dois prédios um bandeirão do Brasil com 400 metros quadrados, instalar um palco para a apresentação de bandas e montar mais de quarenta barracas para a venda de bebidas, salgados e outras iguarias. Para tudo estar pronto até lá, um grupo de moradores se dedica há sete meses ao projeto. Ronaldo Saliba, 47 anos, é um deles. Ele organiza a Copa no Alzirão desde a época em que tudo não passava de uma pequena confraternização entre vizinhos. "Tivemos mais de 30.000 pessoas nos jogos da Copa passada. Neste ano está tudo mais organizado e a estrutura será maior ainda", anuncia. O escritório central dos organizadores foi improvisado no salão de um dos edifícios residenciais da Alzira Brandão. Por lá, há um amontoado de plástico nas cores da bandeira brasileira. "São 16 quilômetros de fitas decorativas", diz empolgada Soneli Schmidt, 48 anos, outra produtora da festa.

 
André Valentim/Strana
Os donos da festa: sete meses de trabalho

Para bancar todo o projeto, além da contribuição de alguns moradores, os organizadores buscam o apoio de empresas. Segundo a comissão, uma rádio carioca se comprometeu a levar ao palco do Alzirão duas atrações, provavelmente grupos de pagode e estrelas do funk, a cada jogo do Brasil. Nos dias de jogos da seleção, a rua será fechada duas horas antes da partida para facilitar o acesso do público. Na Zona Sul, a prefeitura deve fazer um planejamento para dois pontos muito procurados pelos torcedores: a esquina da Rua Carlos Góis com a Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, e o Baixo Gávea. Nos dois locais, no entanto, a estrutura da festa costuma ser bem mais modesta do que a do Alzirão.

Em caso de vitória do Brasil, a festa tijucana começa logo após o jogo, mas tem hora certa para acabar. "O barulho termina às 22 horas, sem prorrogação", garante Ronaldo Saliba. E, tal qual o show dos Rolling Stones na praia, o Alzirão terá sua área vip. Na verdade, duas áreas vip. À primeira, em frente ao palco onde será instalado o telão, só terão acesso torcedores vestidos com a camiseta do Alzirão, que será vendida (os preços ainda não foram definidos). A segunda é mais exclusiva. "Teremos um camarote vip, só para convidados", diz Saliba. Isso mesmo, agora o Alzirão tem cercadinho vip.

     
   

 

 
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