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ESPETÁCULO
Envelhecer
é um sucesso
Intimidade
Indecente lota Maison de France
Debora
Ghivelder
Dilmar Cavalher/Strana
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| Marcos
e Irene: da maturidade ŕ velhice em história tocante |
Qualquer produtor teatral com o mínimo de conhecimento sobre
o Rio de Janeiro torceria o nariz. Como trazer um espetáculo
para um teatro no Centro, com tardias sessões às 21
horas e ingressos que no sábado custam 50 reais? Coisa de
alto risco. Mas deu zebra. Intimidade Indecente, peça
em cartaz no belo teatro Maison de France, estrelada por
Irene Ravache e Marcos Caruso, que conta a história de um
casal que se separa na casa dos 50 anos e se reencontra ao longo
de três décadas seguintes, é o maior sucesso
da estação. O texto de Leilah Assumpção
estreou no Teatro Maison de France em 3 de abril, para permanecer
até o fim de julho. Deu tão certo que a temporada
foi prorrogada até outubro, com perspectiva de uma esticada
até dezembro. Devido à grande procura, o espetáculo
ganhou sessão extra nas tardes de domingo. E, mesmo assim,
quem quiser assistir só conseguirá ingressos para
meados de agosto. É preciso comprar os bilhetes com três
semanas de antecedência. Por enquanto, não há
chance de mais sessões. "Em São Paulo fizemos isso
e acabamos tendo de recorrer a massagistas, porque ficamos com muita
dor muscular", conta Marcos Caruso, que, com a colega Irene, envelhece
em cena cerca de trinta anos.
O
sucesso de Intimidade Indecente começou em São
Paulo, onde a peça estreou em agosto de 2000. Ficou mais
de um ano em cartaz na capital paulista, com casa lotada. Depois
partiu para Lisboa, e as três semanas iniciais transformaram-se
em cinco. No próximo 10 de agosto, a história
que recebeu o prêmio da Associação Paulista
de Críticos de Arte (APCA) completa dois anos em cartaz.
O aniversário será comemorado após a segunda
sessão, com o público, num coquetel no restaurante
Champs Elysées e sorteio de uma passagem para Paris. Até
hoje, a trama que exibe os encontros do casal ao longo da vida já
foi vista por 170.000 pessoas. Destas,
40.000 compareceram ao Maison de France.
"O boca-a-boca é fortíssimo", afirma Marcos Caruso,
que conta que o espetáculo alcança público
bem heterogêneo. "Pensamos que o público teria a idade
dos personagens. Mas não. Temos uma platéia jovem
também", comenta.
É
verdade. Quem estava outro dia sentadinha na platéia era
a jovem atriz Ingrid Guimarães. Ao lado da mãe, ela
riu, chorou e adorou: "Não tenho a idade dos personagens,
mas me identifiquei. A história é simples, humana.
Quero ver de novo", diz Ingrid. A mãe já combinou
uma segunda sessão, com as amigas. Não são
as únicas. Intimidade Indecente já atraiu muita
gente ao teatro mais de uma vez. Tônia Carrero foi duas vezes.
Regina Duarte, umas quatro. Adriane Galisteu, sete. "Adoro o trabalho
deles e o texto. Não há como não se identificar.
Vou ver de novo", comenta Galisteu. "O texto é excelente,
os atores estão muito bem. Eles envelhecem sem recurso algum.
Não fazem troca de figurino, não usam maquiagem",
completa Tônia Carrero. "Não há fórmula
para o sucesso. Nunca sei o que vai acontecer quando estréio
um espetáculo", diz Irene. Mas ela e Caruso sabem bem o que
fazem.
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