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30 de julho de 2003
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ESPETÁCULO

Envelhecer é um sucesso

Intimidade Indecente lota Maison de France

Debora Ghivelder

Dilmar Cavalher/Strana
Marcos e Irene: da maturidade ŕ velhice em história tocante


Qualquer produtor teatral com o mínimo de conhecimento sobre o Rio de Janeiro torceria o nariz. Como trazer um espetáculo para um teatro no Centro, com tardias sessões às 21 horas e ingressos que no sábado custam 50 reais? Coisa de alto risco. Mas deu zebra. Intimidade Indecente, peça em cartaz no belo teatro Maison de France, estrelada por Irene Ravache e Marcos Caruso, que conta a história de um casal que se separa na casa dos 50 anos e se reencontra ao longo de três décadas seguintes, é o maior sucesso da estação. O texto de Leilah Assumpção estreou no Teatro Maison de France em 3 de abril, para permanecer até o fim de julho. Deu tão certo que a temporada foi prorrogada até outubro, com perspectiva de uma esticada até dezembro. Devido à grande procura, o espetáculo ganhou sessão extra nas tardes de domingo. E, mesmo assim, quem quiser assistir só conseguirá ingressos para meados de agosto. É preciso comprar os bilhetes com três semanas de antecedência. Por enquanto, não há chance de mais sessões. "Em São Paulo fizemos isso e acabamos tendo de recorrer a massagistas, porque ficamos com muita dor muscular", conta Marcos Caruso, que, com a colega Irene, envelhece em cena cerca de trinta anos.

O sucesso de Intimidade Indecente começou em São Paulo, onde a peça estreou em agosto de 2000. Ficou mais de um ano em cartaz na capital paulista, com casa lotada. Depois partiu para Lisboa, e as três semanas iniciais transformaram-se em cinco. No próximo 10 de agosto, a história – que recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) – completa dois anos em cartaz. O aniversário será comemorado após a segunda sessão, com o público, num coquetel no restaurante Champs Elysées e sorteio de uma passagem para Paris. Até hoje, a trama que exibe os encontros do casal ao longo da vida já foi vista por 170.000 pessoas. Destas, 40.000 compareceram ao Maison de France. "O boca-a-boca é fortíssimo", afirma Marcos Caruso, que conta que o espetáculo alcança público bem heterogêneo. "Pensamos que o público teria a idade dos personagens. Mas não. Temos uma platéia jovem também", comenta.

É verdade. Quem estava outro dia sentadinha na platéia era a jovem atriz Ingrid Guimarães. Ao lado da mãe, ela riu, chorou e adorou: "Não tenho a idade dos personagens, mas me identifiquei. A história é simples, humana. Quero ver de novo", diz Ingrid. A mãe já combinou uma segunda sessão, com as amigas. Não são as únicas. Intimidade Indecente já atraiu muita gente ao teatro mais de uma vez. Tônia Carrero foi duas vezes. Regina Duarte, umas quatro. Adriane Galisteu, sete. "Adoro o trabalho deles e o texto. Não há como não se identificar. Vou ver de novo", comenta Galisteu. "O texto é excelente, os atores estão muito bem. Eles envelhecem sem recurso algum. Não fazem troca de figurino, não usam maquiagem", completa Tônia Carrero. "Não há fórmula para o sucesso. Nunca sei o que vai acontecer quando estréio um espetáculo", diz Irene. Mas ela e Caruso sabem bem o que fazem.

         
     
 
 
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