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REPORTAGEM
DE CAPA
Ginástica
que faz a cabeça
Pilates
e ioga seduzem o carioca
com malhação em estilo zen
Fátima
Sá
Cláudia Martins/Strana
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| Boa
postura, corpo flexível e músculos durinhos: ideal de beleza
sem sofrimento |
Sabe
aquela vizinha bonitona, de corpo esguio, que esbanja saúde?
Você pode não acreditar, mas é bem possível
que ela mantenha a forma sem freqüentar academia de ginástica,
nem suar na esteira, nem erguer pesos numa sala de musculação.
Preocupados com o corpo, mas avessos à malhação
tradicional, cada vez mais cariocas estão descobrindo que
beleza e saúde não precisam ser sinônimo de
sofrimento e abnegação. São os adeptos de uma
malhação mais zen. Gente que molda o corpo em aparelhos
de pilates, posições de ioga, aulas que misturam tai
chi chuan, dança e meditação. "As pessoas estão
gostando porque são atividades que cuidam do corpo e também
da cabeça, já que exigem concentração
e aliviam o stress. Nunca vivemos sob tanta tensão quanto
hoje em dia", resume Teresa Camarão, talvez o maior fenômeno
dessa onda. Teresa descobriu o pilates em meados dos anos 90. Abriu
seu primeiro estúdio em 1999. E hoje, menos de cinco anos
depois, é dona de dez estúdios, espalhados na Zona
Sul, Barra, Centro e Niterói. Tem 1 000 alunos, fabrica e
vende aparelhos, forma professores e acaba de lançar uma
fita de vídeo ensinando a usar os pitorescos apetrechos do
pilates.
Cláudia Martins/Strana
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| Rainha
do pilates: Teresa Camarão comanda dez estúdios da Zona Sul
a Niterói |
Teresa soube aproveitar a onda. De todos os modismos dos últimos
anos, o pilates é, sem dúvida, a sensação.
"Se eu quisesse ficar rica, só teria salas de pilates", afirma
Marion Kelson, dona da Gestos, uma dessas academias alternativas
que oferecem várias atividades misturando ginástica,
terapia corporal e filosofia oriental. Marion é representante
de uma das tribos mais comuns da malhação zen
a dos que não se adaptam às academias. Vivia entrando
e saindo, sem muito entusiasmo. "É coisa de maluco. O professor
gritando, a música alta, todo mundo se olhando no espelho
o tempo todo, numa obsessão narcisista incrível",
diz. A diferença de ambiente é mesmo marcante. Na
Gestos, como na maioria dos espaços que oferecem aulas de
pilates, ioga e afins, a música é suave em
geral jazz, bossa nova ou algo do gênero , a decoração
é clean e o espaço, perfumado. Mas que ninguém
pense em sombra e água fresca. Quem já experimentou
uma sessão de pilates, por exemplo, sabe bem: o corpo fica
dolorido, a perna bamba. É malhação, sim, mas
em clima de calmaria.
Cláudia Martins/Strana
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| Fontes
de Luz: aulas de ioga para novatos, alunos experientes e até
crianças |
Inventado
na década de 1920 pelo alemão Joseph Pilates, um sujeito
cheio de problemas de saúde e de excelentes idéias,
o pilates vem conquistando milhares de adeptos pelo mundo. Usando
exercícios respiratórios e posturais em colchonetes
ou em aparelhos feitos de molas, tiras de couro, roldanas e barras,
o aluno melhora a postura, diminui a barriga, tonifica os músculos,
ganha flexibilidade. E em poucos meses. O resultado explica parte
do sucesso. A outra parte se deve, sem dúvida, à boa
propaganda. Depois que beldades como Sharon Stone se declararam
encantadas com o exercício, a procura explodiu. Um fenômeno
semelhante ao que ocorreu com a ioga. A atividade, nascida há
milênios na Índia, com o objetivo de aprimorar o espírito
a partir de certos exercícios posturais e respiratórios,
andava meio em baixa. Recentemente, conquistou uma enxurrada de
fãs graças a versões mais moderninhas e agitadas,
como a power ioga e a ashtanga, que modelam o corpo, melhoram a
postura e aumentam a força e a flexibilidade. É claro
que, depois que Madonna se declarou fã, a ioga ganhou um
incremento e tanto. "Dia desses a Gisele Bündchen deu uma entrevista
na televisão falando que faz ioga. Meia hora depois já
tinha gente querendo informações sobre as aulas",
lembra Luis Estellita Lins, sócio do Saraswati Studio de
ioga. O lugar existe há dez anos no Leblon e atualmente vive
apinhado de músicos, artistas plásticos, escritores
e outros tipos que a gente jura que jamais estariam por ali, malhando.
"Antigamente tínhamos 35 alunos. Hoje já são
mais de 100", conta Luis.
Cláudia Martins/Strana
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| Ligia
Azevedo: com o joelho lesionado após anos de aeróbica, hoje
só faz exercícios de pilates |
Na
esteira de novidades desponta ainda o curioso gyrotonic um
sistema de exercícios cheios de ritmo, que unem princípios
de tai chi chuan, ioga, natação e balé. Num
mesmo movimento, o aluno contrai e alonga a musculatura, ganhando
coordenação motora, boa postura, flexibilidade e músculos.
Para ajudar no movimento, ele usa, como no pilates, aparelhos feitos
de roldanas, cordas, tiras de couro e manivelas. Criado nos Estados
Unidos pelo ex-bailarino, ginasta e acupunturista romeno Juliu Horvath,
o gyrotonic encantou a também bailarina Rita Renha, que decidiu
trazer o sistema para cá. Começou dando aulas num
espaço anexo a uma academia de dança e hoje é
dona do Welness Center Gyrotonic Instituto Brasil, um centro
em Ipanema freqüentado por cinqüenta alunos. "Uma das
vantagens é que se trata de um exercício que não
sobrecarrega as articulações", propagandeia Rita.
Cláudia Martins/Strana
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| Silvia
Sobral: sete anos de ioga e meditação em Vargem Grande |
Quem arrebentou o joelho com os saltitos frenéticos da aeróbica
nos anos 80 sabe bem da importância de proteger o corpo. "Passei
um tempo enorme parada, cheia de dores por causa de anos seguidos
de pula-pula. Fiz muita antiginástica para me recuperar.
Hoje, felizmente, as pessoas estão mais atentas", diz a empresária
Lígia Azevedo, uma das entusiastas arrependidas da velha
aeróbica, hoje praticante de pilates. As vantagens desses
exercícios de baixo impacto são muitas, sem dúvida.
Mas é preciso atenção. "O tripé básico
da atividade física é força, flexibilidade
e capacidade aeróbica. E a maioria desses exercícios
é ótima para a flexibilidade e até ajuda a
desenvolver a força. Mas quem quiser estar realmente em forma
precisa caminhar, correr, pedalar", alerta o chefe do departamento
de ginástica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alex
Pina. Por isso, para quem está mesmo precisando perder uns
quilos, a simples posição de lótus, sozinha,
não resolve. O jeito é suar a camisa ou fechar a boca.
As atividades zen têm outro senão: o preço.
Uma mensalidade de pilates, com aulas apenas uma vez por semana,
custa em média 100 reais. O ideal é fazer duas vezes
por semana. E aí o preço costuma duplicar.
Divulgação
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| Companhia
Athletica: aula de body balance tem até velas acesas |
Uma
das maiores vantagens desses exercícios é mesmo a
integração. Eles podem ser praticados por adultos,
crianças e idosos. Em geral são mais procurados pelas
pessoas com mais de 30 anos. Uma turma que já se cansou do
ambiente jovem sarado que domina a maioria das grandes academias
da cidade, não tem pressa para entrar em forma e está
mais preocupada com saúde e bem-estar do que com curvas e
músculos inflados. De olho nessa onda, o roteiro da beleza
do carioca vem ganhando novos e curiosos endereços. "Quando
eu comecei, não havia tantos espaços assim", comemora
a professora de educação física Silvia Sobral.
Há sete anos, ela abriu o espaço Grutas numa área
dentro de sua casa, em Vargem Grande. Ali, Silvia dá aulas
de ioga, meditação, natação e bioginástica.
Mas também tem consultas de feng shui, cromoterapia e palestras
sobre terapias alternativas. Como o novinho Fontes de Luz, no Jardim
Botânico, que tem concorridas aulas de ashtanga, aulas de
hataioga para crianças, além de cursos de ufologia.
E as academias de ginástica? Absorveram e até aperfeiçoaram
a tendência. Na Estação do Corpo da Lagoa, o
chamado segmento "body & mind" tem pilates, ioga e tai chi chuan.
E em breve vai aumentar de tamanho. A novíssima Companhia
Athletica, na Barra, oferece aulas de body balance uma mistura
de ioga, pilates e tai chi chuan num salão com direito
a velinhas acesas. A Body Tech, em Copacabana, tem aulas de ioga
lotadas e já criou sua versão de hidroioga, com os
movimentos feitos dentro d'água. "As academias estão
sempre atrás de novidades. E, no momento, esse segmento está
fortíssimo", diz Pedro Aquino, presidente da Associação
das Academias do Rio. Ponto para quem gosta de música tranqüila
e malhação zen.
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