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ENTRETENIMENTO
Metamorfose ambulante
Como o ex-mambembe Circo Voador
virou uma casa de shows de qualidade
Gustavo Autran
Ricardo Fasanello/Strana
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| O circo reformado: boa estrutura atrai
shows de grandes nomes |
Gabriel de Paiva/Ag. O Globo
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| Casa cheia: melhorias também trouxeram
mais público |
Tom Zé
já cantarolou no palco uma musiquinha em sua homenagem, com
a platéia fazendo coro. Marina Lima, em sua primeira apresentação
na casa, menos de um mês atrás, lamentou o tempo que
havia perdido até então. Jorge Ben Jor só sai
de cena depois de quase três horas de show, ensopado de suor.
As estrelas da MPB se sentem à vontade no palco do Circo
Voador, na Lapa. O que nos anos 80 funcionava de forma meio mambembe
se transformou, ao ser reaberto em 2004, em um dos principais espaços
musicais na cidade: ganhou infra-estrutura decente para artistas,
com camarins bem equipados, tratamento acústico e palco maior,
e para o público, com iluminação e telões
externos, além de rampas de acesso e banheiros destinados
a portadores de necessidades especiais.
Não só medalhões
da MPB se apresentam por lá. Sensação do rock
atual, o quarteto escocês Franz Ferdinand levou ao delírio
o público que lotou a casa em fevereiro de 2006. Caetano
Veloso escolheu o Circo para fazer, no fim do ano passado, o primeiro
show da turnê do festejado CD Cê no Rio. Até
Chico Buarque, que há anos mantém a tradição
de se apresentar somente no Canecão, se rendeu aos encantos
da casa. Na quinta (31), ele divide o palco com a talentosa cantora
paulista Mônica Salmaso. Para o fim de julho, está
programado um festival de indie rock com atrações
como as bandas inglesas The Magic Numbers e The Rakes. Também
estão previstos shows com Os Mutantes (em junho), a banda
californiana Rufio (julho) e o grupo americano Living Colour (agosto).
"Não nos comportamos como
capitalistas selvagens", diz Maria Juçá, diretora
do Circo. "Temos uma relação de confiança com
os artistas, e isso rompe barreiras. A proximidade de quem está
no palco com o público também colabora para o sucesso.
"Uma moça chegou a coçar a minha perna enquanto eu
cantava no palco. Uma loucura", derrete-se Tom Zé. "Fiquei
tão à vontade ali que até tirei um rapaz para
dançar no meio do show", recorda Marina Lima. A boa fama
pode render mais frutos: a casa de espetáculos está
no páreo para uma possível apresentação
da cultuada banda Artic Monkeys na cidade. Sem dúvida, novos
tempos para o Circo.
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