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30 de maio de 2007

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A guerra das carteirinhas

Produtores querem cotas para meia-entrada

Fátima Sá

 

Ilustração Negreiros

Uma polêmica promete agitar os salões da Assembléia Legislativa do Rio. Na quinta-feira (31), uma audiência pública vai reunir, sob o mesmo teto, estudantes e produtores culturais para discutir os rumos da meia-entrada. Os produtores alegam que houve uma enxurrada de carteirinhas de estudante nos últimos anos – grande parte falsa. "Acredito que 50% das carteiras que estão por aí não são verdadeiras", afirma Ricardo Difini Leite, presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas. "Até 2001, 35% dos nossos espectadores pagavam meia. Hoje são 70%. O número de estudantes não aumentou nessa proporção." Produtores de shows estimam que entre 70% e 80% de seu público pague apenas metade do preço do ingresso. Nos teatros, o índice anda em torno dos 85% – sete anos atrás, era de 30%.

A suspeita é alvo de investigação do Ministério Público. "Há denúncias de que até bancas de jornal vendem o documento", conta o promotor Rodrigo Terra. A profusão de carteirinhas distorceu a bilheteria e penalizou, sobretudo, quem segue a lei. "O ingresso normal dobrou de valor", lamenta Thiago Franco, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). "A falsificação desmoraliza a meia-entrada, que é um direito legítimo dos estudantes", argumenta o deputado Alessandro Molon, responsável pela convocação da audiência.

Por lei, desde 1996 estudantes do estado do Rio têm 50% de desconto em shows, peças e filmes. Para fazer valer o direito, eles deviam apresentar carteira emitida pela União Nacional dos Estudantes (UNE) ou pela Ubes. Em 2001, porém, o governo federal editou uma medida provisória permitindo que estabelecimentos de ensino, associações e até agremiações estudantis confeccionassem as carteiras. Liberou geral, e não tardaram a surgir nas bilheterias alunos de ioga identificados como estudantes. Por isso, os cinemas e alguns teatros passaram a exigir, além da carteira, documento de identidade e comprovante de matrícula em escolas de ensino fundamental, médio ou superior. "Não basta banir as falsificações. É preciso limitar a quantidade de ingressos para meia-entrada", vai além Ricardo Chantilly, presidente da Associação Brasileira dos Empresários Artísticos. "Minha proposta é que eles cheguem a 30% da bilheteria." Eduardo Barata, presidente da Associação de Produtores de Teatro, concorda. "Essa lei faz caridade com o chapéu alheio. É preciso, ao menos, que haja limites." A UNE e a Ubes concordam em moralizar a emissão das carteiras, mas não aceitam a fixação de cotas. E prometem brigar contra elas. A polêmica está longe do fim.

         
     

 

 
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