| |
|
|
 |
|
CIDADE
A guerra das carteirinhas
Produtores querem cotas para meia-entrada
Fátima Sá
|
Ilustração
Negreiros

|
Uma polêmica promete
agitar os salões da Assembléia Legislativa do Rio.
Na quinta-feira (31), uma audiência pública vai reunir,
sob o mesmo teto, estudantes e produtores culturais para discutir
os rumos da meia-entrada. Os produtores alegam que houve uma enxurrada
de carteirinhas de estudante nos últimos anos grande
parte falsa. "Acredito que 50% das carteiras que estão por
aí não são verdadeiras", afirma Ricardo Difini
Leite, presidente da Federação Nacional das Empresas
Exibidoras Cinematográficas. "Até 2001, 35% dos nossos
espectadores pagavam meia. Hoje são 70%. O número
de estudantes não aumentou nessa proporção."
Produtores de shows estimam que entre 70% e 80% de seu público
pague apenas metade do preço do ingresso. Nos teatros, o
índice anda em torno dos 85% sete anos atrás,
era de 30%.
A suspeita é alvo de investigação
do Ministério Público. "Há denúncias
de que até bancas de jornal vendem o documento", conta o
promotor Rodrigo Terra. A profusão de carteirinhas distorceu
a bilheteria e penalizou, sobretudo, quem segue a lei. "O ingresso
normal dobrou de valor", lamenta Thiago Franco, presidente da União
Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). "A falsificação
desmoraliza a meia-entrada, que é um direito legítimo
dos estudantes", argumenta o deputado Alessandro Molon, responsável
pela convocação da audiência.
Por lei, desde 1996 estudantes do estado
do Rio têm 50% de desconto em shows, peças e filmes.
Para fazer valer o direito, eles deviam apresentar carteira emitida
pela União Nacional dos Estudantes (UNE) ou pela Ubes. Em
2001, porém, o governo federal editou uma medida provisória
permitindo que estabelecimentos de ensino, associações
e até agremiações estudantis confeccionassem
as carteiras. Liberou geral, e não tardaram a surgir nas
bilheterias alunos de ioga identificados como estudantes. Por isso,
os cinemas e alguns teatros passaram a exigir, além da carteira,
documento de identidade e comprovante de matrícula em escolas
de ensino fundamental, médio ou superior. "Não basta
banir as falsificações. É preciso limitar a
quantidade de ingressos para meia-entrada", vai além Ricardo
Chantilly, presidente da Associação Brasileira dos
Empresários Artísticos. "Minha proposta é que
eles cheguem a 30% da bilheteria." Eduardo Barata, presidente da
Associação de Produtores de Teatro, concorda. "Essa
lei faz caridade com o chapéu alheio. É preciso, ao
menos, que haja limites." A UNE e a Ubes concordam em moralizar
a emissão das carteiras, mas não aceitam a fixação
de cotas. E prometem brigar contra elas. A polêmica está
longe do fim.
|