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Sempre
cabe mais um
A Lagoa
ganhará dois prédios
de seis andares
Fabio
Brisolla
André Valentim/Strana

Fim
da malhação: academia na Lagoa dará
lugar a prédio residencial |
Crise?
Que crise? O mercado imobiliário carioca de luxo parece
imune a ela. Na semana passada, três casarões
na Avenida Epitácio Pessoa foram vendidos para duas
construtoras. Em breve, a RJZ Engenharia terá mais
tapumes com suas iniciais espalhados pela cidade. A empresa
adquiriu dois imóveis vizinhos, de números 1880
e 1892, que vão abaixo para dar lugar a um edifício
de seis andares, com doze apartamentos. Ao lado desses endereços
está um terceiro, o de número 1910, arrematado
pela construtora Wrobel. O casarão que existia no local
já começou a ser demolido. As duas companhias
cogitam não lançar oficialmente os produtos
no mercado. "Já temos doze compradores que fizeram
a reserva e pagaram um sinal", conta Rogério Zylbersztajn,
dono da RJZ. Cada apartamento terá 250 metros quadrados
e vai custar a bagatela de 1,3 milhão de reais. Fernando
Wrobel ainda não determinou o preço de suas
unidades. O edifício terá apenas um apartamento
de 380 metros quadrados em cada um dos seis andares. "A demanda
está muito maior que a oferta. Já tenho uma
relação de clientes para o novo produto", diz
Wrobel.
Não houve muita grita, como de hábito acontece
quando um imóvel antigo é demolido para dar
lugar a um edifício em um bairro com a infra-estrutura
saturada como a Lagoa. A derrubada dos casarões desagradou
a uma minoria. "Um senhor me ligou dizendo para a associação
fazer alguma coisa porque o novo prédio vai atrapalhar
a vista dele para a Lagoa", conta David Catran, presidente
da Associação de Moradores e Amigos de Ipanema,
que responde pelo trecho da Lagoa que engloba os três
novos projetos. "Não há por que ser contra a
construção de um prédio residencial de
seis andares", justifica o silêncio o presidente da
associação. A RJZ aguarda autorização
da prefeitura para demolir as duas residências, erguidas
em 1938, e aposta que a permissão não será
problema, por serem casarões fora da Área de
Proteção do Ambiente Cultural. Para Catran,
os novos edifícios vão até diminuir o
fluxo de carros na área, com o fim do movimento provocado
pela academia de ginástica localizada no número
1892. "O casarão que já começou a ser
derrubado estava alugado ao proprietário de uma churrascaria,
que estudava utilizar o espaço para o negócio.
O novo prédio é uma garantia de tranqüilidade",
diz Catran. E de lucro.
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