O carioca sente na pele

O Rio luta contra uma epidemia que não soube evitar

Fátima Sá

O alerta era claro: ou se declarava guerra ao Aedes aegypti ou o surgimento de um novo vírus de dengue levaria a mais uma epidemia da doença. Especialistas e autoridades conheciam o risco. Mas o carioca teve de descobrir na pele. Em 16 de janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou a existência de uma epidemia na cidade. Em apenas quinze dias, os 504 casos registrados ultrapassavam os de todo o mês de janeiro do ano passado. De lá para cá, o vírus avançou em escala exponencial. Na quinta-feira (24), a cidade já contabilizava mais de 2.000 ocorrências de dengue, 35 das quais com a manifestação mais grave da doença, o tipo hemorrágico, que já causou quatro mortes no município. Postos de saúde ficaram abarrotados e clínicas particulares tiveram o movimento quintuplicado. O número de doentes é subestimado. Calcula-se que para cada caso notificado três fiquem fora dos registros. A situação pode piorar em fevereiro e março. "Devem ser os meses de pico", diz Fabiano Pimenta, coordenador de endemias da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

A previsão esbanja argumentos. Os 1.800 novos agentes de saúde que irão a campo eliminar os focos de Aedes só entram em ação em 4 de fevere