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Com
histórias para contar
Após
dezessete anos, o Teatro
da Maison de France reabre
Marco
Antônio Barbosa
André Valentim/Strana
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Divulgação
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| Barbeyron
(à esq.) e o novo teatro: palco de sucessos,
como É... (à dir.) |
Foi
ali que Fernanda Montenegro e Fernando Torres encenaram, por
dois anos seguidos, um dos maiores sucessos da carreira deles
a peça É..., de Millôr Fernandes.
Suas instalações também abrigaram atuações
antológicas, como a Sarah Bernhardt de Tônia
Carrero em Divina Sarah, e propostas inovadoras, como
as do Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa.
Parte fundamental da história da dramaturgia carioca,
o Teatro da Maison de France será reaberto em 1º
de fevereiro, depois de dezessete anos fechado. Pouco restou
das instalações originais do teatro, que volta
a funcionar no prédio-sede do consulado francês,
no Centro. "Ou fazíamos uma reforma para resolver os
problemas de um teatro velho, ou partíamos do zero
e construíamos um novo teatro. Decidimos desmontar
tudo e começar de novo", explica Bertrand Rigout Muller,
diretor de difusão cultural do consulado.
Mas não
foi apenas por ter começado do zero que o Teatro da
Maison de France passou quase duas décadas fechado.
Foi preciso tempo para reunir 2 milhões de dólares
para a obra, bancada pelo governo francês e pela Light.
"A verba vinda da França demorou para ser liberada,
e o projeto só começou a sair do papel em 1996",
diz Bertrand. O novo Maison de France teve sua capacidade
reduzida de 500 para 353 lugares e o palco ampliado. Em um
terreno nos fundos do consulado foi erguido um prédio
de três andares, onde ficam os novos camarins e a administração.
Equipamentos de som e de luz de última geração
foram instalados. "Estamos criando um espaço cultural
que não ficará restrito às artes cênicas.
O teatro pode sediar espetáculos de dança, conferências
e exposições", diz Richard Barbeyron, cônsul
francês no Rio. O Teatro Maison de France foi inaugurado
pelo presidente Juscelino Kubitschek, em maio de 1956, e começou
a deixar sua marca na cultura carioca ao abrigar, a partir
do fim dos anos 50, o Teatro dos Sete companhia que
revelou nomes como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Ítalo
Rossi e Sérgio Brito. Fernanda, inclusive, estrelou
os dois maiores sucessos da história do Maison de France:
além de É..., O Amante de Madame Vidal, de
Louis Verneuil. "Eu e o Fernando (Torres) tivemos um período
muito proveitoso em nossa carreira graças ao Maison
de France. Além das peças, fazíamos leituras
públicas de autores, como Beckett e Molière",
recorda a atriz. O teatro será reinaugurado pelo ministro
francês da Cooperação e da Francofonia,
Charles Josselain. A primeira temporada de espetáculos
começa em março, com Variações
Enigmáticas, do francês Eric Emmanuel Schmitt,
encenada por Paulo Autran e Cecil Thiré. Outra boa
nova: para 2003, há a intenção de reativar
o Prêmio Molière, extinto em 1994.
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