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29 de novembro de 2006

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VIOLÊNCIA

Morte no sinal vermelho

Socialite é assassinada em semana
violenta na Zona Sul do Rio

Fabio Brisolla

 

Alexandre Sant'Anna/Strana
Ana Cristina: morta em assalto em cruzamento no Leblon


O
assassinato de Ana Cristina Vasconcellos Giannini Johannpeter, às 8 horas da noite de quarta-feira (22), em um cruzamento movimentado do Leblon, o bairro mais requintado da cidade, expõe de maneira brutal a insegurança do carioca. Ana Cristina, 58 anos, morreu porque parou em um sinal vermelho, um ato simples e civilizado, vítima de dois ladrões que o chefe da Polícia Civil do estado, Ricardo Hallak, chamou de "amadores". Ser assaltado por ladrões que fogem de bicicleta é quase uma rotina em bairros como Leblon, Ipanema e Lagoa. O que o delegado classificou de amadorismo foi o fato de um deles ter atirado em uma mulher que, segundo o testemunho da filha, não reagiu e se preparava para entregar o relógio ao bandido. Horas depois do crime, um dos assaltantes, de 17 anos, foi localizado em um apartamento da Cruzada São Sebastião, complexo residencial para moradores de baixa renda que fica a menos de 1 quilômetro do local do assassinato.

Ex-mulher de Germano Gerdau, vice-presidente do Grupo Gerdau, conglomerado de indústrias com faturamento de 25,5 bilhões de reais em 2005, Ana Cristina dirigia uma picape Mercedes quando parou no sinal. Estava de janela aberta porque fumava. Havia dois meses andava sem escolta, apesar dos apelos das filhas. Levou um tiro que atravessou sua cabeça. Segundo o depoimento da filha Manoela, de 21 anos, que a acompanhava, o nervosismo do assaltante era visível. O crime ocorreu na quarta-feira de uma semana que mostrou que Ipanema e Leblon, bairros nobres da cidade, sofrem tanto com a violência quanto o restante da cidade. Na segunda-feira, durante intenso tiroteio de policiais com traficantes do Morro do Cantagalo, na divisa entre Ipanema e Copacabana, até uma granada foi lançada na Rua Barão da Torre. O pânico e as marcas de balas se espalharam pelo quarteirão próximo à entrada do morro. Dois dias depois, seis homens armados invadiram um edifício na Avenida Vieira Souto, assaltaram dois apartamentos, fizeram de seus moradores reféns e fugiram apesar de uma ação que envolveu quarenta policiais e fechou a avenida que margeia a Praia de Ipanema.

 
Marco Antônio Teixeira/Ag. O Globo
Cantagalo: tiroteio e explosão de granada

Para Ricardo Hallak o roubo no edifício e o assassinato "são casos totalmente distintos. No assalto aos apartamentos houve um mínimo de planejamento". Já o assassinato de Ana Cristina foi "um crime eventual, amador". O sociólogo Jaílson de Souza e Silva sinaliza o que pode estar contribuindo para ações mais violentas na Zona Sul. Em pesquisa realizada nos últimos dois anos pela organização Observatório das Favelas, entidade que ele coordena, foi constatado que houve uma queda na renda do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Os rendimentos mais baixos pagos na estrutura do tráfico há cinco anos oscilavam entre dez e quinze salários mínimos. Esse valor foi reduzido para um a três salários. Dos 230 entrevistados pela equipe de Jaílson, 22 atuavam no tráfico na favela da Rocinha, na Zona Sul. "Essa mudança sem dúvida contribuiu para aumentar o número de assaltos e furtos", diz Jaílson.

Ana Cristina tinha duas filhas com Germano Gerdau Johannpeter, Germana, 32 anos, e Fernanda, 31. O casal se separou em 1983 num processo que, na época, rendeu a Ana Cristina a maior pensão já paga no país. Em valores atuais, algo em torno de 14.000 dólares por mês. Ana Cristina casou-se então com o empresário Mário Pacheco, pai de sua filha caçula, Manoela. Uma de suas grandes amigas era a socialite Narcisa Tamborindeguy, ex-mulher de Caco, filho de Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau. No velório, Narcisa esteve todo o tempo ao lado de Fernanda. "Perdi minha melhor amiga, minha analista e professora de ioga", lamentou Narcisa.

     
   

 

 
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