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VIOLÊNCIA
Morte no sinal vermelho Socialite
é assassinada em semana violenta na Zona Sul do Rio Fabio
Brisolla
Alexandre Sant'Anna/Strana
 | | Ana
Cristina: morta em assalto em cruzamento no Leblon |
O
assassinato de Ana Cristina Vasconcellos Giannini Johannpeter, às 8 horas
da noite de quarta-feira (22), em um cruzamento movimentado do Leblon, o bairro
mais requintado da cidade, expõe de maneira brutal a insegurança
do carioca. Ana Cristina, 58 anos, morreu porque parou em um sinal vermelho, um
ato simples e civilizado, vítima de dois ladrões que o chefe da
Polícia Civil do estado, Ricardo Hallak, chamou de "amadores". Ser assaltado
por ladrões que fogem de bicicleta é quase uma rotina em bairros
como Leblon, Ipanema e Lagoa. O que o delegado classificou de amadorismo foi o
fato de um deles ter atirado em uma mulher que, segundo o testemunho da filha,
não reagiu e se preparava para entregar o relógio ao bandido. Horas
depois do crime, um dos assaltantes, de 17 anos, foi localizado em um apartamento
da Cruzada São Sebastião, complexo residencial para moradores de
baixa renda que fica a menos de 1 quilômetro do local do assassinato.
Ex-mulher
de Germano Gerdau, vice-presidente do Grupo Gerdau, conglomerado de indústrias
com faturamento de 25,5 bilhões de reais em 2005, Ana Cristina dirigia
uma picape Mercedes quando parou no sinal. Estava de janela aberta porque fumava.
Havia dois meses andava sem escolta, apesar dos apelos das filhas. Levou um tiro
que atravessou sua cabeça. Segundo o depoimento da filha Manoela, de 21
anos, que a acompanhava, o nervosismo do assaltante era visível. O crime
ocorreu na quarta-feira de uma semana que mostrou que Ipanema e Leblon, bairros
nobres da cidade, sofrem tanto com a violência quanto o restante da cidade.
Na segunda-feira, durante intenso tiroteio de policiais com traficantes do Morro
do Cantagalo, na divisa entre Ipanema e Copacabana, até uma granada foi
lançada na Rua Barão da Torre. O pânico e as marcas de balas
se espalharam pelo quarteirão próximo à entrada do morro.
Dois dias depois, seis homens armados invadiram um edifício na Avenida
Vieira Souto, assaltaram dois apartamentos, fizeram de seus moradores reféns
e fugiram apesar de uma ação que envolveu quarenta policiais e fechou
a avenida que margeia a Praia de Ipanema.
Marco Antônio Teixeira/Ag. O Globo
 | | Cantagalo:
tiroteio e explosão
de granada |
Para
Ricardo Hallak o roubo no edifício e o assassinato "são casos totalmente
distintos. No assalto aos apartamentos houve um mínimo de planejamento".
Já o assassinato de Ana Cristina foi "um crime eventual, amador". O sociólogo
Jaílson de Souza e Silva sinaliza o que pode estar contribuindo para ações
mais violentas na Zona Sul. Em pesquisa realizada nos últimos dois anos
pela organização Observatório das Favelas, entidade que ele
coordena, foi constatado que houve uma queda na renda do tráfico de drogas
no Rio de Janeiro. Os rendimentos mais baixos pagos na estrutura do tráfico
há cinco anos oscilavam entre dez e quinze salários mínimos.
Esse valor foi reduzido para um a três salários. Dos 230 entrevistados
pela equipe de Jaílson, 22 atuavam no tráfico na favela da Rocinha,
na Zona Sul. "Essa mudança sem dúvida contribuiu para aumentar o
número de assaltos e furtos", diz Jaílson.
Ana Cristina tinha
duas filhas com Germano Gerdau Johannpeter, Germana, 32 anos, e Fernanda, 31.
O casal se separou em 1983 num processo que, na época, rendeu a Ana Cristina
a maior pensão já paga no país. Em valores atuais, algo em
torno de 14.000 dólares por mês. Ana Cristina casou-se então
com o empresário Mário Pacheco, pai de sua filha caçula,
Manoela. Uma de suas grandes amigas era a socialite Narcisa Tamborindeguy, ex-mulher
de Caco, filho de Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau. No velório,
Narcisa esteve todo o tempo ao lado de Fernanda. "Perdi minha melhor amiga, minha
analista e professora de ioga", lamentou Narcisa. |