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29 de novembro de 2006

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CRÔNICA

Bisbilhotices

Manoel Carlos

Houve uma época em que as garotas viviam com um caderno na mão, pedindo aos amigos e conhecidos que respondessem a uma série de perguntas. Eram os questionários. Uma febre naqueles tempos. Não sei se esse hábito ainda existe nos dias de hoje, se não nos grandes centros, pelo menos na província. Ia-se a uma festinha na casa de alguém e pronto: lá vinham os cadernos, adornados com desenhos coloridos, em que estavam as perguntas de sempre. Ingênuas, diga-se de passagem. Atualmente, quando passo os olhos numa dessas enquetes, a pergunta que aparece em todas elas, persistentemente, é: qual o lugar mais esquisito em que você fez amor? A imaginação, como se vê, está sempre atrelada à permissividade da época.

Sei que essa moda dos questionários não começou no Brasil nem é deste século. Sei também que eram os jovens ricos que promoviam essa bobageira em suas reuniões sociais, animadas pelo champanhe. E, entre tantas histórias que cercam sua origem e permanência nos costumes de vários países, destaca-se a que envolve a figura do escritor francês Marcel Proust, autor de Em Busca do Tempo Perdido. Bon-vivant, sedutor e cheio de espírito, Proust enfeitava as festas da alta-roda parisiense e numa delas, a convite da dona da casa, sua prima Antoinette Faure, o escritor respondeu a um questionário que era oferecido a todos os convidados. Segundo alguns, Proust gostou tanto das perguntas que o modelo ficou batizado com o seu nome; segundo outra versão, a partir daquele dia, ou melhor, daquela noite, Proust começou a interessar-se pelo assunto e fez mudanças significativas no questionário. O que se sabe, e isso é certo, é que o mundo inteiro conhece o Questionário Proust, o qual já foi respondido por escritores e artistas de todo o planeta. Entre nós, o Jornal de Letras, dos irmãos Condé, lá pelos anos 50, publicou respostas de gente do calibre de Drummond e Bandeira, por exemplo. Na versão que dizem ser completa, o questionário tem dezoito perguntas que devem ser respondidas espontaneamente, sem muito pensar, pois isso, segundo afirmam, permitirá que as respostas sejam reveladoras. Como não há quem não goste de fazer esse, digamos assim, jogo social, listo abaixo as perguntas para que os meus possíveis leitores respondam. Que não procurem originalidade, já que o escritor francês, com toda a sua genialidade, não hesitou diante da pergunta "Quais são suas qualidades favoritas numa mulher?" e respondeu: a doçura, a naturalidade, a inteligência. Segue o Questionário Proust. Respondam, peçam aos amigos, namorado ou marido, irmãos e filhos, que façam o mesmo, e tirem suas conclusões. No fundo, no fundo, é pura bisbilhotice. Por isso mesmo, muito divertido.

1 – Qual a sua idéia de felicidade perfeita?

2 – Com qual figura histórica você mais se identifica?

3 – Qual a pessoa que mais admira?

4 – Qual a sua característica mais marcante?

5 – Qual a sua característica mais deplorável?

6 – Qual a característica que mais deplora nos outros?

7 – Qual a sua maior extravagância?

8 – Qual a sua viagem preferida?

9 – Qual o maior amor da sua vida?

10 – Onde e quando foi mais feliz?

11 – Qual a sua maior realização?

12 – Qual a sua ocupação preferida?

13 – Qual a qualidade que mais admira num homem?

14 – E numa mulher?

15 – O que mais valoriza nos amigos?

16 – Qual o seu escritor preferido?

17 – Como gostaria de morrer?

18 – Qual o seu lema?

 

Como podem ver, nenhuma das perguntas tem uma conotação explicitamente sexual, mas, segundo dizem, as respostas podem conter claras revelações sobre o tema. Confiram e me digam depois.

E-mails para o cronista: almaviva@uninet.com.br

     
   

 

 
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