| |
| |  | |
CRÔNICA
Bisbilhotices
Manoel
Carlos Houve
uma época em que as garotas viviam com um caderno na mão, pedindo
aos amigos e conhecidos que respondessem a uma série de perguntas. Eram
os questionários. Uma febre naqueles tempos. Não sei se esse hábito
ainda existe nos dias de hoje, se não nos grandes centros, pelo menos na
província. Ia-se a uma festinha na casa de alguém e pronto: lá
vinham os cadernos, adornados com desenhos coloridos, em que estavam as perguntas
de sempre. Ingênuas, diga-se de passagem. Atualmente, quando passo os olhos
numa dessas enquetes, a pergunta que aparece em todas elas, persistentemente,
é: qual o lugar mais esquisito em que você fez amor? A imaginação,
como se vê, está sempre atrelada à permissividade da época.
Sei
que essa moda dos questionários não começou no Brasil nem
é deste século. Sei também que eram os jovens ricos que promoviam
essa bobageira em suas reuniões sociais, animadas pelo champanhe. E, entre
tantas histórias que cercam sua origem e permanência nos costumes
de vários países, destaca-se a que envolve a figura do escritor
francês Marcel Proust, autor de Em Busca do Tempo Perdido. Bon-vivant,
sedutor e cheio de espírito, Proust enfeitava as festas da alta-roda parisiense
e numa delas, a convite da dona da casa, sua prima Antoinette Faure, o escritor
respondeu a um questionário que era oferecido a todos os convidados. Segundo
alguns, Proust gostou tanto das perguntas que o modelo ficou batizado com o seu
nome; segundo outra versão, a partir daquele dia, ou melhor, daquela noite,
Proust começou a interessar-se pelo assunto e fez mudanças significativas
no questionário. O que se sabe, e isso é certo, é que o mundo
inteiro conhece o Questionário Proust, o qual já foi respondido
por escritores e artistas de todo o planeta. Entre nós, o Jornal de
Letras, dos irmãos Condé, lá pelos anos 50, publicou
respostas de gente do calibre de Drummond e Bandeira, por exemplo. Na versão
que dizem ser completa, o questionário tem dezoito perguntas que devem
ser respondidas espontaneamente, sem muito pensar, pois isso, segundo afirmam,
permitirá que as respostas sejam reveladoras. Como não há
quem não goste de fazer esse, digamos assim, jogo social, listo abaixo
as perguntas para que os meus possíveis leitores respondam. Que não
procurem originalidade, já que o escritor francês, com toda a sua
genialidade, não hesitou diante da pergunta "Quais são suas qualidades
favoritas numa mulher?" e respondeu: a doçura, a naturalidade, a inteligência.
Segue o Questionário Proust. Respondam, peçam aos amigos, namorado
ou marido, irmãos e filhos, que façam o mesmo, e tirem suas conclusões.
No fundo, no fundo, é pura bisbilhotice. Por isso mesmo, muito divertido.
1
Qual a sua idéia de felicidade perfeita?
2 Com qual
figura histórica você mais se identifica?
3 Qual a pessoa
que mais admira?
4
Qual a sua característica mais marcante?
5 Qual a sua
característica mais deplorável?
6
Qual a característica que mais deplora nos outros?
7 Qual a sua
maior extravagância?
8
Qual a sua viagem preferida?
9
Qual o maior amor da sua vida?
10
Onde e quando foi mais feliz?
11
Qual a sua maior realização?
12 Qual a sua
ocupação preferida?
13
Qual a qualidade que mais admira num homem?
14 E numa mulher?
15
O que mais valoriza nos amigos?
16
Qual o seu escritor preferido?
17
Como gostaria de morrer?
18
Qual o seu lema?
Como
podem ver, nenhuma das perguntas tem uma conotação explicitamente
sexual, mas, segundo dizem, as respostas podem conter claras revelações
sobre o tema. Confiram e me digam depois. E-mails
para o cronista: almaviva@uninet.com.br |