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REPORTAGEM DE CAPA
Passarela de verão A bainha das roupas sobe e os acessórios
crescem na estação que começa em um mês Fátima
Sá
Ricardo Fasanello/Strana
 | "Não
combina ir arrumada demais à praia, mas não dá para ir muito
largada. Então, procuro me vestir de um jeito descontraído e charmoso."
Mariana
Brochado, nadadora | | Felipe Varanda/Strana
 | "Já
fui surfista, meu nariz era machucado de tanto sol e eu achava lindo. Hoje, me
encho de protetor e estou sempre de chapéu. É lindo e protege a
pele"
Monica
Martelli, atriz |
Difícil
resistir aos apelos da mais carioca das estações. A moda fica mais
colorida, as praias fervilham e os programas ao ar livre multiplicam-se. Os cariocas
capricham nos cuidados com o corpo e com a alimentação, transformam
o calçadão em passarela de modismos, e o Rio vira uma grande festa.
Com tanta chuva e céu nublado nas últimas semanas, pode até
não parecer, mas falta menos de um mês para a chegada do verão.
E o prognóstico é de muito calor e dias de sol. "Graças a
Deus. Não agüentava mais a chuva", desabafa a advogada Fabrícia
Daflon, 31 anos, freqüentadora das areias da Barra. Segundo o Instituto Nacional
de Meteorologia do Rio, a cidade recebeu quatro frentes frias nas três primeiras
semanas de novembro. "Normalmente o intervalo entre elas é de sete, oito
dias. Desta vez, foi de quatro, cinco", diz Marlene Leal, chefe da previsão.
Houve chuva em catorze dos primeiros 21 dias do mês. Nos outros sete, a
carioca foi à forra. E, com muito estilo, já elegeu os hits que
pretende desfilar no verão: "Short, saia curta e vestidinho", anuncia a
estudante de marketing Mariana Rodrigues, 23 anos, habituée do Coqueirão,
point vizinho à Rua Joana Angélica, em Ipanema, que virou febre
nos dois últimos verões. Os macaquinhos também já
saíram das vitrines para o calçadão. "Acho que são
a peça da temporada, sempre soltinhos e curtos", aposta Jacqueline De Biasi,
da grife Salinas. O que vai se ver nas ruas será muito diferente do que
imperou no verão que passou, quando reinaram os vestidões românticos,
em estilo hippie-chique. Agora, é hora de botar as pernas de fora.
 | "Ando
com mania de biquíni. Já comprei três para este verão.
Para mim, lacinho e cortininha formam uma combinação imbatível"
Yasmin
Jordão, modelo |
A
estação, garantem estilistas e consultores de moda, também
está mais colorida. Os biquínis, lisos ou estampados, aparecem em
cores fortes, como laranja e verde-bandeira. Também ganham a cena estampas
gráficas, ideais para um dos passatempos favoritos da carioca: misturar
o sutiã de um biquíni com a calcinha de outro, criando as próprias
combinações. "Adoro variar. Tenho uma gaveta só de biquínis
e todo verão compro dois, três. Junto as peças e crio novos
biquínis", conta a grafiteira e modelo Lynn Court, 22 anos, freqüentadora
do Posto 8, em Ipanema. "Gosto de misturar listra com estampa, cortininha com
sungão, inventar. Ir à praia e não ter ninguém igual
a você é muito legal", ecoa a atriz Gisele Itié, 25 anos.
Ricardo Fasanello/Strana
 | "No
ano passado usei muito estampado. Agora estou numa fase de liso. Mas adoro misturar.
Não gosto de identificar ano e coleção pela estampa do biquíni."
Isabela
Piereck, dona de restaurante |
O
modelo? "Não tem essa de moda. Biquíni tem de vestir bem. Cada mulher
tem o seu", opina a atriz Monica Martelli, 37 anos. "Meu preferido é inteiro
embaixo, sem lacinhos, com dois dedinhos do lado, e inteiro em cima, sem ser cortininha.
Gosto de ficar totalmente à vontade", afirma a também atriz Luiza
Valdetaro, 21 anos. A preocupação de Luiza com o conforto não
é seguida pela maioria das cariocas. "Os mais vendidos são sempre
os de cortininha em cima e lacinho ou lateral regulável embaixo", diz Fernanda
Cardim, estilista responsável pela linha praia da Farm. A modelo Yasmin
Jordão, 22 anos, que bate ponto em frente à Rua Joana Angélica,
em Ipanema, explica por que é adepta da combinação cortininha
e lacinho. "O lacinho veste bem porque você regula como quiser. E a cortininha
é perfeita porque gosto de variar a amarração. Para não
ficar com muita marca de sol, de vez em quando amarro em volta do pescoço,
às vezes prendo nos ombros", dá a dica. Outra boa pedida para quem
quer fugir da marca é variar os modelos. "Cada dia uso um: de alça
fina, larga, tomara-que-caia. Só não gosto de meia-taça",
diz a estudante Mariana, que também torce o nariz para as calcinhas de
lacinho.
Ricardo Fasanello/Strana
 | "A
praia é o lugar de ver e ser visto, de encontrar os amigos, ler, jogar
frescobol. Cada ano tem seu modismo. Já foi a bata, já foi o vestidão.
Hoje é short e saia curta."
Mariana Rodrigues,
estudante de marketing |
Qualquer
que seja o modelo, porém, faz tempo que escolher o biquíni deixou
de ser a única preocupação de quem vai à praia. O
visual para chegar à areia e sair dela exige cada vez mais atenção.
"Não combina ir arrumada demais, mas não dá para ir muito
largada. Sempre almoço num restaurante japonês depois, então
procuro ir com uma roupa descontraída mas charmosa", conta a nadadora Mariana
Brochado, 21 anos, freqüentadora do trecho em frente à Rua Garcia
D'Ávila e adepta do estilo havaiana nos pés, short jeans e camiseta
soltinha. "Por cima, uso uma bolsa de tecido atravessada, em que cabe tudo o que
eu carrego para a praia", diz. Tudo, no caso, inclui protetor solar, pente, canga
e até uma câmera digital para fazer fotos com os amigos. O hábito
de emendar programas e chegar em casa à noitinha já foi definitivamente
incorporado pela moda praia. Tanto que uma das peças que fazem sucesso
na estação é a camiseta larguinha, com decote ou recorte
que deixa parte do sutiã do biquíni à mostra. "Bata não
dá mais. Foram cinco verões com ela", decreta a produtora de moda
Bebel Moraes. A moda deste verão, ela garante, está sensual mas
sofisticada.
Ricardo Fasanello/Strana
 | "Sou
gulosa, mas no verão não tenho muita fome. Bebo muita água-de-coco,
como mais frutas. Meu corpo pede uma comida mais leve."
Gisele Itié,
atriz |
A
sofisticação vai além do guarda-roupa. "Sempre uso algum
acessório. Pelo menos para chegar à praia ou sair dela. Pode ser
um colar bonito, grande, ou uma pulseira bacana. Adoro", diz a empresária
e professora de ioga Isabela Fortes, 33 anos, freqüentadora de Ipanema, Prainha,
Macumba, Joatinga e da Praia da Ferradura, em Búzios. Para completar o
visual, Isabela investe em roupas confortáveis, como calças de amarrar,
camisetas de malha soltinhas e sandálias Birkenstock. Assim, sente-se pronta
para sair da praia, almoçar e emendar no cinema. Os acessórios,
agora, estão maiores. "Neste verão, saem o bordadinho e as coisinhas
miúdas", diz a estilista Lenny Niemeyer. No Pepê ou em frente ao
condomínio Beton, na Barra, points que freqüenta alternadamente, a
advogada Fabrícia aposta nos complementos. Além do piercing no umbigo,
não abre mão de pulseira de palha, usada no alto do braço,
brinco comprido e anéis inclusive um pequenino, num dedo do pé.
Afinal, é na areia que ela passa a maior parte do tempo livre. "Gosto tanto
que às vezes deixo de sair à noite para acordar mais cedo e chegar
antes à praia. Se fico muito tempo sem sol me sinto até desanimada",
diz Fabrícia.
Ricardo Fasanello/Strana
 | "Biquíni
para mim tem de ser grande, quase tipo exportação. Não sou
comportada. Sento no chão, minhas poses são confortáveis
e não gosto de ter de me preocupar com isso."
Isabela Fortes,
professora de ioga |
Dilmar Cavalher/Strana
 | "Praia
pede roupa fresca e confortável. Gosto de ir de camiseta, saia, short ou
vestidinho. E sou louca por biquínis. Tenho uma gaveta cheia deles."
Lynn
Court, grafiteira e modelo | Feliep
Varanda/Strana
 | "Na
praia, tenho
mania de
roupa branca. Só não uso biquíni
branco porque ainda não
achei um
que não fosse transparente."
Luiza Valdetaro,
atriz |
Apesar
da fissura, as cariocas estão mais atentas aos efeitos nocivos do sol.
O filtro solar virou item obrigatório e, unindo o útil ao agradável,
óculos, bonés e chapéus foram incorporados ao visual à
beira-mar. "Se vou correr no sol, não dispenso boné. Se vou de casa
direto para a praia, uso vestido, biquíni e chapéu. Tenho uma coleção.
Devo ter uns cinco chapéus e uns quatro bonés", diz a empresária
Isabela Piereck, 38 anos, a "Zazá", do Zazá Bistrô. Como ela,
as atrizes Gisele Itié e Monica Martelli e a professora Isabela Fortes
também vivem de chapéu. "Ando numa fase perua. Acabei de fazer uns
tratamentos de pele caríssimos e tenho ido até à ginástica
de chapéu", brinca Monica Martelli. Para enfrentar o sol, além do
chapéu e da barraca, Monica lança mão de um arsenal. "Tenho
protetor para tudo: com filtro de proteção 50 para o rosto, 100
para manchas, 20 para o corpo e um com gosto de morango para a boca. Nunca estive
tão branca, mas a pele ficou bem mais bonita", diz Monica. Com tantas ofertas
no mercado, a carioca às vezes se perde na hora de escolher um protetor.
"De maneira geral, deve-se usar pelo menos um produto com proteção
30. Mas é importante verificar se ele age contra raios UVA e UVB", alerta
a dermatologista Maria Paulina Kede. "Quem pratica algum esporte ou vai muito
à água deve reaplicar o produto a cada hora. Quem fica apenas na
areia precisa retocar o protetor a cada duas horas. E todos devem ter cuidado
especial com os lábios, que são muito sensíveis ao sol",
aconselha. O produto ideal para cada tipo de pele, porém, só pode
ser determinado após uma visita ao dermatologista.
Felipe Varanda/Strana
 | "Comigo
não tem essa de malhar só perto do verão. Vou à academia
o ano todo, faço musculação e running class duas a três
vezes por semana. Também adoro correr no calçadão."
Fabrícia
Daflon, advogada |
Mas,
afinal, qual é o segredo de beleza para não fazer feio de biquíni?
Luiza Valdetaro corre de duas a três vezes por semana no calçadão.
Isabela Fortes faz de duas a três horas de ioga por dia. E Yasmin Jordão
rendeu-se a sessões de drenagem linfática para combater celulite.
Com rotina de atleta, Mariana Brochado nada quatro horas por dia e ainda faz musculação
três vezes por semana. Mas quando chega o verão até ela intensifica
os cuidados. "Faço mais abdominal", diz a nadadora. Gulosa confessa, Gisele
Itié passou quatro anos praticando boxe. Um dia, numa festa, levou um susto
ao ver no espelho uma mulher de costas largas. A mulher era ela. "Cortei álcool,
carboidratos e chocolate e malhava cinco vezes por semana. Em dois meses perdi
5 quilos." Desde então, a balança é a calça comprida.
Se aperta, ela corta álcool, carboidratos e doces. Luiza Valdetaro tem
outra fórmula: "Normalmente, quando as pessoas dizem que o segredo da beleza
é estar de bem com a vida, a gente acha isso uma bobagem. Mas, sinceramente,
acho que é por aí. Quando estamos felizes, ficamos mais bonitas".
*Colaborou
Melissa Jannuzzi |