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29 de novembro de 2006

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REPORTAGEM DE CAPA

Passarela de verão

A bainha das roupas sobe e os acessórios crescem na estação que começa em um mês

Fátima Sá
Ricardo Fasanello/Strana

"Não combina ir arrumada demais à praia, mas não dá para ir muito largada. Então, procuro me vestir de um jeito descontraído e charmoso."

Mariana Brochado, nadadora

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Felipe Varanda/Strana

"Já fui surfista, meu nariz era machucado de tanto sol e eu achava lindo. Hoje, me encho de protetor e estou sempre de chapéu. É lindo e protege a pele"

Monica Martelli, atriz


Difícil resistir aos apelos da mais carioca das estações. A moda fica mais colorida, as praias fervilham e os programas ao ar livre multiplicam-se. Os cariocas capricham nos cuidados com o corpo e com a alimentação, transformam o calçadão em passarela de modismos, e o Rio vira uma grande festa. Com tanta chuva e céu nublado nas últimas semanas, pode até não parecer, mas falta menos de um mês para a chegada do verão. E o prognóstico é de muito calor e dias de sol. "Graças a Deus. Não agüentava mais a chuva", desabafa a advogada Fabrícia Daflon, 31 anos, freqüentadora das areias da Barra. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia do Rio, a cidade recebeu quatro frentes frias nas três primeiras semanas de novembro. "Normalmente o intervalo entre elas é de sete, oito dias. Desta vez, foi de quatro, cinco", diz Marlene Leal, chefe da previsão. Houve chuva em catorze dos primeiros 21 dias do mês. Nos outros sete, a carioca foi à forra. E, com muito estilo, já elegeu os hits que pretende desfilar no verão: "Short, saia curta e vestidinho", anuncia a estudante de marketing Mariana Rodrigues, 23 anos, habituée do Coqueirão, point vizinho à Rua Joana Angélica, em Ipanema, que virou febre nos dois últimos verões. Os macaquinhos também já saíram das vitrines para o calçadão. "Acho que são a peça da temporada, sempre soltinhos e curtos", aposta Jacqueline De Biasi, da grife Salinas. O que vai se ver nas ruas será muito diferente do que imperou no verão que passou, quando reinaram os vestidões românticos, em estilo hippie-chique. Agora, é hora de botar as pernas de fora.

 

"Ando com mania de biquíni. Já comprei três para este verão. Para mim, lacinho e cortininha formam uma combinação imbatível"

Yasmin Jordão, modelo

A estação, garantem estilistas e consultores de moda, também está mais colorida. Os biquínis, lisos ou estampados, aparecem em cores fortes, como laranja e verde-bandeira. Também ganham a cena estampas gráficas, ideais para um dos passatempos favoritos da carioca: misturar o sutiã de um biquíni com a calcinha de outro, criando as próprias combinações. "Adoro variar. Tenho uma gaveta só de biquínis e todo verão compro dois, três. Junto as peças e crio novos biquínis", conta a grafiteira e modelo Lynn Court, 22 anos, freqüentadora do Posto 8, em Ipanema. "Gosto de misturar listra com estampa, cortininha com sungão, inventar. Ir à praia e não ter ninguém igual a você é muito legal", ecoa a atriz Gisele Itié, 25 anos.

 
Ricardo Fasanello/Strana

"No ano passado usei muito estampado. Agora estou numa fase de liso. Mas adoro misturar. Não gosto de identificar ano e coleção pela estampa do biquíni."

Isabela Piereck, dona de restaurante

O modelo? "Não tem essa de moda. Biquíni tem de vestir bem. Cada mulher tem o seu", opina a atriz Monica Martelli, 37 anos. "Meu preferido é inteiro embaixo, sem lacinhos, com dois dedinhos do lado, e inteiro em cima, sem ser cortininha. Gosto de ficar totalmente à vontade", afirma a também atriz Luiza Valdetaro, 21 anos. A preocupação de Luiza com o conforto não é seguida pela maioria das cariocas. "Os mais vendidos são sempre os de cortininha em cima e lacinho ou lateral regulável embaixo", diz Fernanda Cardim, estilista responsável pela linha praia da Farm. A modelo Yasmin Jordão, 22 anos, que bate ponto em frente à Rua Joana Angélica, em Ipanema, explica por que é adepta da combinação cortininha e lacinho. "O lacinho veste bem porque você regula como quiser. E a cortininha é perfeita porque gosto de variar a amarração. Para não ficar com muita marca de sol, de vez em quando amarro em volta do pescoço, às vezes prendo nos ombros", dá a dica. Outra boa pedida para quem quer fugir da marca é variar os modelos. "Cada dia uso um: de alça fina, larga, tomara-que-caia. Só não gosto de meia-taça", diz a estudante Mariana, que também torce o nariz para as calcinhas de lacinho.

 
Ricardo Fasanello/Strana

"A praia é o lugar de ver e ser visto, de encontrar os amigos, ler, jogar frescobol. Cada ano tem seu modismo. Já foi a bata, já foi o vestidão. Hoje é short e saia curta."

Mariana Rodrigues, estudante de marketing

Qualquer que seja o modelo, porém, faz tempo que escolher o biquíni deixou de ser a única preocupação de quem vai à praia. O visual para chegar à areia e sair dela exige cada vez mais atenção. "Não combina ir arrumada demais, mas não dá para ir muito largada. Sempre almoço num restaurante japonês depois, então procuro ir com uma roupa descontraída mas charmosa", conta a nadadora Mariana Brochado, 21 anos, freqüentadora do trecho em frente à Rua Garcia D'Ávila e adepta do estilo havaiana nos pés, short jeans e camiseta soltinha. "Por cima, uso uma bolsa de tecido atravessada, em que cabe tudo o que eu carrego para a praia", diz. Tudo, no caso, inclui protetor solar, pente, canga e até uma câmera digital para fazer fotos com os amigos. O hábito de emendar programas e chegar em casa à noitinha já foi definitivamente incorporado pela moda praia. Tanto que uma das peças que fazem sucesso na estação é a camiseta larguinha, com decote ou recorte que deixa parte do sutiã do biquíni à mostra. "Bata não dá mais. Foram cinco verões com ela", decreta a produtora de moda Bebel Moraes. A moda deste verão, ela garante, está sensual mas sofisticada.

 
Ricardo Fasanello/Strana

"Sou gulosa, mas no verão não tenho muita fome. Bebo muita água-de-coco, como mais frutas. Meu corpo pede uma comida mais leve."

Gisele Itié, atriz

A sofisticação vai além do guarda-roupa. "Sempre uso algum acessório. Pelo menos para chegar à praia ou sair dela. Pode ser um colar bonito, grande, ou uma pulseira bacana. Adoro", diz a empresária e professora de ioga Isabela Fortes, 33 anos, freqüentadora de Ipanema, Prainha, Macumba, Joatinga e da Praia da Ferradura, em Búzios. Para completar o visual, Isabela investe em roupas confortáveis, como calças de amarrar, camisetas de malha soltinhas e sandálias Birkenstock. Assim, sente-se pronta para sair da praia, almoçar e emendar no cinema. Os acessórios, agora, estão maiores. "Neste verão, saem o bordadinho e as coisinhas miúdas", diz a estilista Lenny Niemeyer. No Pepê ou em frente ao condomínio Beton, na Barra, points que freqüenta alternadamente, a advogada Fabrícia aposta nos complementos. Além do piercing no umbigo, não abre mão de pulseira de palha, usada no alto do braço, brinco comprido e anéis – inclusive um pequenino, num dedo do pé. Afinal, é na areia que ela passa a maior parte do tempo livre. "Gosto tanto que às vezes deixo de sair à noite para acordar mais cedo e chegar antes à praia. Se fico muito tempo sem sol me sinto até desanimada", diz Fabrícia.

 
Ricardo Fasanello/Strana

"Biquíni para mim tem de ser grande, quase tipo exportação. Não sou comportada. Sento no chão, minhas poses são confortáveis e não gosto de ter de me preocupar com isso."

Isabela Fortes, professora de ioga


Dilmar Cavalher/Strana

"Praia pede roupa fresca e confortável. Gosto de ir de camiseta, saia, short ou vestidinho. E sou louca por biquínis. Tenho uma gaveta cheia deles."

Lynn Court, grafiteira e modelo

Feliep Varanda/Strana

"Na praia, tenho mania de roupa branca. Só não uso biquíni branco porque ainda não achei um que não fosse transparente."

Luiza Valdetaro, atriz


Apesar da fissura, as cariocas estão mais atentas aos efeitos nocivos do sol. O filtro solar virou item obrigatório e, unindo o útil ao agradável, óculos, bonés e chapéus foram incorporados ao visual à beira-mar. "Se vou correr no sol, não dispenso boné. Se vou de casa direto para a praia, uso vestido, biquíni e chapéu. Tenho uma coleção. Devo ter uns cinco chapéus e uns quatro bonés", diz a empresária Isabela Piereck, 38 anos, a "Zazá", do Zazá Bistrô. Como ela, as atrizes Gisele Itié e Monica Martelli e a professora Isabela Fortes também vivem de chapéu. "Ando numa fase perua. Acabei de fazer uns tratamentos de pele caríssimos e tenho ido até à ginástica de chapéu", brinca Monica Martelli. Para enfrentar o sol, além do chapéu e da barraca, Monica lança mão de um arsenal. "Tenho protetor para tudo: com filtro de proteção 50 para o rosto, 100 para manchas, 20 para o corpo e um com gosto de morango para a boca. Nunca estive tão branca, mas a pele ficou bem mais bonita", diz Monica. Com tantas ofertas no mercado, a carioca às vezes se perde na hora de escolher um protetor. "De maneira geral, deve-se usar pelo menos um produto com proteção 30. Mas é importante verificar se ele age contra raios UVA e UVB", alerta a dermatologista Maria Paulina Kede. "Quem pratica algum esporte ou vai muito à água deve reaplicar o produto a cada hora. Quem fica apenas na areia precisa retocar o protetor a cada duas horas. E todos devem ter cuidado especial com os lábios, que são muito sensíveis ao sol", aconselha. O produto ideal para cada tipo de pele, porém, só pode ser determinado após uma visita ao dermatologista.

 
Felipe Varanda/Strana

"Comigo não tem essa de malhar só perto do verão. Vou à academia o ano todo, faço musculação e running class duas a três vezes por semana. Também adoro correr no calçadão."

Fabrícia Daflon, advogada

Mas, afinal, qual é o segredo de beleza para não fazer feio de biquíni? Luiza Valdetaro corre de duas a três vezes por semana no calçadão. Isabela Fortes faz de duas a três horas de ioga por dia. E Yasmin Jordão rendeu-se a sessões de drenagem linfática para combater celulite. Com rotina de atleta, Mariana Brochado nada quatro horas por dia e ainda faz musculação três vezes por semana. Mas quando chega o verão até ela intensifica os cuidados. "Faço mais abdominal", diz a nadadora. Gulosa confessa, Gisele Itié passou quatro anos praticando boxe. Um dia, numa festa, levou um susto ao ver no espelho uma mulher de costas largas. A mulher era ela. "Cortei álcool, carboidratos e chocolate e malhava cinco vezes por semana. Em dois meses perdi 5 quilos." Desde então, a balança é a calça comprida. Se aperta, ela corta álcool, carboidratos e doces. Luiza Valdetaro tem outra fórmula: "Normalmente, quando as pessoas dizem que o segredo da beleza é estar de bem com a vida, a gente acha isso uma bobagem. Mas, sinceramente, acho que é por aí. Quando estamos felizes, ficamos mais bonitas".

*Colaborou Melissa Jannuzzi

     
   

 

 
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