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GUIA IMOBILIÁRIO
O crime desvaloriza São Conrado Sem os bandidos
das favelas próximas, os imóveis do bairro valeriam fortunas Oscar
Cabral
 | 1.
ROCINHA
Área
total: 1,43 km2
Área
urbanizada: 0,69 km2
Moradores:
56 338
Domicílios:
16 999 (12 376 casas e
3 611 apartamentos)
Escolas:
3 municipais 2.
SÃO CONRADO
Área
total: 6,48 km2
Área
urbanizada: 2,04 km2
Moradores:
11 155
Domicílios:
3 513 (1 040 casas e
2 412 apartamentos)
Escolas:
1 municipal, 1 estadual e 3 particulares. |
Avenida
Niemeyer, 1 hora da manhã. A arquiteta e artista plástica Mônica
Ridolfi voltava com o marido para casa, após uma festa na Zona Sul. Ao
se aproximar do Hotel Sheraton, percebeu que a Niemeyer estava às escuras.
No meio do breu, eles passaram por dois homens encapuzados e armados com fuzis
que andavam pela lateral da pista. Por sorte, o carro do casal não foi
abordado pelos bandidos. Trêmula, Mônica respirou aliviada ao chegar
a seu apartamento em São Conrado. Infelizmente, não se trata de
um episódio isolado. No bairro conhecido por seus prédios e residências
de alto luxo, e que abriga a rua com o IPTU mais alto do Rio a Avenida
Prefeito Mendes de Moraes , os moradores colecionam histórias de
assaltos ou sustos. Sob tensão ainda maior estão os moradores das
favelas da Rocinha e do Vidigal. Os confrontos gerados pelo tráfico de
drogas local repercutem em todas as direções. Nos dois lados da
fronteira dessa cidade partida prevalece a sensação de insegurança.
André
Nazareth/Strana
 | Mônica:
medo da violência
foi um dos motivos
da mudança |
Mônica
mudou-se com a família para Ipanema. Por várias razões, entre
elas os engarrafamentos diários e a necessidade de usar o carro para tudo,
preferiu sair de São Conrado. Mas admite que o medo da violência
pesou muito na decisão. A família da fotógrafa Victa de Carvalho
tem dois apartamentos num condomínio de luxo em São Conrado. Ela
mora em um deles e teve grande dificuldade para alugar o segundo, que ficou mais
de um ano fechado. "Demoramos para conseguir alugar. A imobiliária diz
que a procura no bairro está menor", conta Victa. Para fechar o contrato,
abriu uma exceção. "Sempre alugamos sem problemas. Dessa vez, tivemos
de diminuir o preço", revela. A
sensação de insegurança em São Conrado se intensificou
em 2004. Naquele ano, a guerra pelo controle do tráfico de drogas entre
duas facções rivais na Rocinha se arrastou por meses a fio. Em abril,
doze pessoas morreram, entre elas a mineira Telma Veloso, assassinada com um tiro
de fuzil em uma falsa blitz feita por traficantes armados na Avenida Niemeyer.
Desde então, São Conrado ficou sob o estigma de bairro marcado pela
violência. No início, profissionais do mercado imobiliário
hesitavam em admitir os efeitos do medo da população sobre as vendas.
Hoje estima-se que a queda no valor dos imóveis esteja em torno de 30%.
"São Conrado está sofrendo, as pessoas não querem comprar
lá", admite Rogério Jonas Zylbersztajn, dono da RJZ. A sensação
de insegurança é citada como o grande problema. "As pessoas estão
com medo, o que é errado, porque é seguro morar lá", diz
Rogério, que tem dois empreendimentos no bairro. A empresária Patrícia
Mayer, uma das produtoras da Casa Cor, concorda com Rogério. "Adoro morar
em São Conrado. O mar, a beleza, a tranqüilidade me encantam. Fico
apreensiva quando volto tarde para casa, mas fico tensa em vários outros
lugares da cidade", pondera. O corretor Marcus Cavalcanti, morador do bairro,
critica o estigma que se criou em torno de São Conrado. "No último
episódio, os bandidos chegaram ao Leblon. Toda a cidade está com
problemas, não apenas São Conrado." Leia
nesta edição:
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