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GUIA IMOBILIÁRIO
Bairros com retorno garantido Localização privilegiada
e falta de espaço para novas construções valorizam Ipanema, Leblon e Lagoa Fabio
Brisolla André
Nazareth/Strana
 | | Lagoa:
bairro cobiçado
e cheio de charme
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Um
apartamento de quatro quartos no Edifício Belmont Plaza, na Rua Almirante
Guinle, no Leblon, foi vendido por 3 milhões de reais há um mês.
O mesmo apartamento, quando foi lançado, em 2001, custava 1,2 milhão
de reais. Esse é apenas um exemplo da supervalorização alcançada
pelos imóveis localizados nos 4,5 quilômetros quadrados do eixo IpanemaLeblon.
O preço dos apartamentos da Lagoa chega às mesmas cifras no trecho
próximo a Ipanema. O bairro tem 1,9 quilômetro quadrado de área
urbanizada (descontado o espelho-d'água da Lagoa Rodrigo de Freitas), e
o metro quadrado ali custa entre 7 000 reais, nas proximidades da Fonte da Saudade,
e 10 000 reais, na altura de Ipanema. Leblon, Ipanema e Lagoa são três
dos bairros mais charmosos e cobiçados da cidade. Neles, os imóveis
tendem a se valorizar automaticamente, seja pela localização privilegiada,
seja pelas restrições de espaço que inviabilizam o surgimento
de novas áreas residenciais. Um episódio, no entanto, movimentou
o mercado e inflacionou ainda mais o preço dos imóveis do triângulo
Lagoa, Barra e Ipanema: o decreto das Apacs. Ricardo
Fasanello/Strana
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O
preço do charme
O metro quadrado residencial em Ipanema e no Leblon é o mais caro do Rio.
Varia de 8 000 a 12.000
reais, o dobro do de Botafogo, que oscila entre 3 500
e 3 800 reais
A Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) de Ipanema
preservou 218 endereços no Leblon e
412 em Ipanema | |
Em
julho de 2001, o prefeito Cesar Maia divulgou uma lista de imóveis do Leblon
incluídos na chamada Área de Proteção do Ambiente
Cultural (Apac). O principal ponto do decreto, de acordo com o prefeito Cesar
Maia (veja entrevista):
os edifícios escolhidos deveriam preservar suas configurações
originais. Ou seja, um prédio de três andares incluído na
Apac pode até ser demolido. Mas em seu lugar só poderá ser
construído outro com os mesmos três andares
e ocupando a mesma área do original. De acordo com o Projeto de Estruturação
Urbana (PEU), do Leblon, os edifícios em construção podem
ter no máximo 25 metros de altura, o equivalente a um prédio de
seis andares. Aí surgiu o problema: para os construtores, comprar um prédio
de dois ou três andares e erguer outro com a mesma altura é um negócio
pouco lucrativo. Isso dificultou a venda de uma série de pequenos prédios
e provocou a fúria de alguns moradores incluídos na Apac.
André
Nazareth/Strana
 | | Agostinho
contra a Apac: decreto municipal
limita construções |
Na
Rua Conde de Bernadotte, moradores do edifício número 168 instalaram
faixas na fachada com o protesto: "Propriedade é direito sagrado. Revisão
da Apac-Leblon já" e "Os idosos e aposentados, vítimas desta Apac
sem critérios, pedem justiça". O aposentado Agostinho Ferreira,
75 anos, morador do prédio, já estava contando com a venda de seu
apartamento a uma construtora quando veio a Apac. Ele lembra que, com o valor
da venda, poderia se mudar para um edifício com elevador. "Essa Apac acabou
desvalorizando o nosso imóvel", lamenta Agostinho. Enquanto alguns perderam,
outros ganharam alto com a Apac. Logo
na seqüência da Apac-Leblon veio a de Ipanema, e os construtores iniciaram
uma disputa pelos endereços não incluídos no decreto. O leilão
elevou o valor do metro quadrado a níveis históricos. "Arrumar terreno
na Zona Sul não é fácil, mas conseguimos um excepcional na
Lagoa. Foi uma competição feroz, com quatro empresas brigando pelo
terreno", lembra Francisco Pedroso, diretor de incorporação da Gafisa.
O valor do metro quadrado em Ipanema, no Leblon e na Lagoa foi de 10 000 reais
a picos de 15 000 reais. O resultado: uma parcela dos apartamentos supervalorizados
lançados encalhou. Os incorporadores, porém, mantiveram os preços.
Para eles, Ipanema, Leblon e Lagoa são apostas certas. Basta esperar.
Os
números do mercado imobiliário
9 170 apartamentos foram lançados em
2005 em 82 empreendimentos pela
cidade
No ano passado, 5 000 dessas novas unidades já
foram vendidas, o equivalente a
55% dos lançamentos. A venda total vai movimentar 2 bilhões
de reais
4 560 apartamentos metade dos lançamentos
na cidade concentram-se nos
bairros da Barra da Tijuca e Recreio
A Zona Sul representa 16% do total de imóveis lançados, com 1 476
unidades
O município tem 24 shoppings, e o estado
do Rio, 37
Existem 31 000 condomínios registrados
no estado, num total de 1 milhão de apartamentos,
onde vivem 2,5 milhões de pessoas.
Dessas, 20% pagam aluguel
Há no estado 3 000 empresas de construção
civil, e o setor emprega 130 000
trabalhadores em território fluminense
Em 2005, a prefeitura concedeu licença
para 1 660 novas construções, residenciais
ou não 5% a mais que no ano anterior
A área licenciada para as novas edificações
passou de 3 milhões de metros quadrados
um aumento de 34% em relação ao ano anterior
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