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29 de março de 2006

REPORTAGEM DE CAPA
VEJA RIO 15 ANOS
CRÔNICA
  

GUIA IMOBILIÁRIO

A Lapa e outras surpresas

Bairros esquecidos pela indústria da construção mostram seu valor no mercado

Telma Alvarenga

 
Dilmar Cavalher /Strana
Agitação nos Arcos: a Lapa se valoriza

André Nazareth/Strana
Plínio: aposta na revitalização


O empresário Plínio Fróes, 50 anos, é um pioneiro da revitalização da Lapa. Há dezessete anos, abriu um antiquário na Rua do Lavradio, na época um local sem grandes atrativos além da bela arquitetura de seus casarões. Plínio continuou acreditando no potencial da área e há seis anos tomou uma decisão ousada. Deixou um apartamento na quadra da praia em Copacabana para morar em um casarão na Rua do Lavradio. Ali, mostrou realmente acreditar na revitalização da Lapa. Outrora boêmio, o bairro experimentava uma volta a tempos melhores. O Circo Voador, instalado ali em 1982, mais a promessa nunca cumprida de um shopping cultural na antiga Fundição Progresso serviram de alento para o bairro. Nos anos 90, uma profusão de bares que tinham o samba como principal atrativo ajudou a movimentar a Lapa e fez o bairro relembrar antigas tradições. Em 2001, Plínio também abriu um bar com programação musical, o Rio Scenarium, em um casarão na Rua do Lavradio. A casa tornou-se um dos points mais concorridos da noite na Lapa. O que Plínio antevia o mercado imobiliário confirmou em novembro de 2005 com o lançamento de um novo condomínio no bairro: a Lapa é um excelente negócio.

 
Fotos Divulgação
O condomínio Cores da Lapa foi totalmente vendido no lançamento. O projeto reúne treze edifícios, com 688 apartamentos de um, dois e três quartos, além de quadra de boliche (abaixo), piscina e lojas. O apartamento mais barato custou R$ 85 000 e o mais caro, R$ 150 000. Em apenas uma noite, a construtora vendeu todos os apartamentos

O projeto, batizado de Cores da Lapa, foi uma aposta arriscada. Num bairro onde o investimento da construção civil era zero havia mais de uma década, estão sendo construídos treze edifícios residenciais, com 688 apartamentos no total. Plínio comprou um apartamento de três quartos no 12º andar e planeja morar lá. "Vou ter vista para os Arcos da Lapa e a Praia do Flamengo", conta. Seus quatro sócios adquiriram apartamentos no condomínio. E a irmã de Plínio, moradora de Belo Horizonte, também comprou um imóvel como investimento. Todos os apartamentos do Cores da Lapa foram vendidos no dia do lançamento. Os empresários Joaquim Pedro Bertoletti e Marcelo Latini, sócios de uma empresa especializada no desenvolvimento de negócios imobiliários, foram os primeiros a identificar a oportunidade de um projeto residencial na Lapa. "O que nos chamou a atenção foi ver um lado da cidade adormecido, enquanto havia iniciativas de pequenos empresários, artistas e formadores de opinião para promover a Lapa", lembra Joaquim Pedro. A dupla procurou então a incorporadora e construtora paulistana Klabin Segall, que assumiu o empreendimento.

"Percebemos que havia uma vontade política, um interesse do poder público em colaborar com o projeto", avalia Sérgio Segall, dono da Klabin Segall. Ao apoio da prefeitura se juntou um projeto de condomínio desenvolvido nos moldes dos lançamentos da Barra da Tijuca. Ao mesmo tempo, uma campanha maciça de marketing foi lançada. Em vez de concentrar a propaganda nos atributos do empreendimento, os incorporadores decidiram investir também em uma campanha institucional para promover a Lapa. O slogan "Eu sou da Lapa" se espalhou pela cidade em anúncios de televisão, na mídia impressa e até mesmo em jogos de futebol. Os criadores da campanha produziram bandeirões com os escudos dos principais times cariocas acompanhados pelo slogan "Eu sou da Lapa".

O resultado surpreendente nas vendas do Cores da Lapa mudou a visão do mercado imobiliário carioca. Os próprios concorrentes reconhecem que, após a Lapa, a perspectiva de investimentos foi multiplicada e os incorporadores passaram a olhar com atenção para todas as áreas da cidade. Outro sinal contundente do potencial de bairros menos valorizados veio três semanas depois, com o lançamento do Quartier Carioca, outro supercondomínio, com 880 apartamentos distribuídos em oito edifícios, na Rua Bento Lisboa, no Catete. Por lá, 580 unidades foram escrituradas no primeiro dia de vendas. "Percebemos que os clientes queriam empreendimentos do porte dos da Barra, mas na Zona Sul", ressalta Rogério Chor, dono da construtora CHL. O conceito de condomínio da Barra, aliás, provou ser uma fórmula de sucesso para toda a cidade. Onde houver espaço, é claro.


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