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GUIA IMOBILIÁRIO
A Lapa e outras surpresas Bairros esquecidos
pela indústria da construção mostram seu valor no mercado Telma
Alvarenga Dilmar
Cavalher /Strana
 | | Agitação
nos Arcos:
a Lapa se valoriza
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André
Nazareth/Strana
 | | Plínio:
aposta na revitalização |
O
empresário Plínio Fróes, 50 anos, é um pioneiro da
revitalização da Lapa. Há dezessete anos, abriu um antiquário
na Rua do Lavradio, na época um local sem grandes atrativos além
da bela arquitetura de seus casarões. Plínio continuou acreditando
no potencial da área e há seis anos tomou uma decisão ousada.
Deixou um apartamento na quadra da praia em Copacabana para morar em um casarão
na Rua do Lavradio. Ali, mostrou realmente acreditar na revitalização
da Lapa. Outrora boêmio, o bairro experimentava uma volta a tempos melhores.
O Circo Voador, instalado ali em 1982, mais a promessa nunca cumprida de um shopping
cultural na antiga Fundição Progresso serviram de alento para o
bairro. Nos anos 90, uma profusão de bares que tinham o samba como principal
atrativo ajudou a movimentar a Lapa e fez o bairro relembrar antigas tradições.
Em 2001, Plínio também abriu um bar com programação
musical, o Rio Scenarium, em um casarão na Rua do Lavradio. A casa tornou-se
um dos points mais concorridos da noite na Lapa. O que Plínio antevia o
mercado imobiliário confirmou em novembro de 2005 com o lançamento
de um novo condomínio no bairro: a Lapa é um excelente negócio.
Fotos
Divulgação
 | | O
condomínio Cores da Lapa
foi totalmente vendido
no lançamento. O
projeto reúne treze edifícios, com 688 apartamentos de um, dois
e três quartos, além
de quadra de boliche
(abaixo), piscina e lojas. O apartamento mais barato custou R$
85 000 e o mais caro,
R$ 150 000. Em apenas uma noite, a construtora vendeu todos
os apartamentos |  |
O
projeto, batizado de Cores da Lapa, foi uma aposta arriscada. Num bairro onde
o investimento da construção civil era zero havia mais de uma década,
estão sendo construídos treze edifícios residenciais, com
688 apartamentos no total. Plínio comprou um apartamento de três
quartos no 12º andar e planeja morar lá. "Vou ter vista para os Arcos
da Lapa e a Praia do Flamengo", conta. Seus quatro sócios adquiriram apartamentos
no condomínio. E a irmã de Plínio, moradora de Belo Horizonte,
também comprou um imóvel como investimento. Todos os apartamentos
do Cores da Lapa foram vendidos no dia do lançamento. Os empresários
Joaquim Pedro Bertoletti e Marcelo Latini, sócios de uma empresa especializada
no desenvolvimento de negócios imobiliários, foram os primeiros
a identificar a oportunidade de um projeto residencial na Lapa. "O que nos chamou
a atenção foi ver um lado da cidade adormecido, enquanto havia iniciativas
de pequenos empresários, artistas e formadores de opinião para promover
a Lapa", lembra Joaquim Pedro. A dupla procurou então a incorporadora e
construtora paulistana Klabin Segall, que assumiu o empreendimento. "Percebemos
que havia uma vontade política, um interesse do poder público em
colaborar com o projeto", avalia Sérgio Segall, dono da Klabin Segall.
Ao apoio da prefeitura se juntou um projeto de condomínio desenvolvido
nos moldes dos lançamentos da Barra da Tijuca. Ao mesmo tempo, uma campanha
maciça de marketing foi lançada. Em vez de concentrar a propaganda
nos atributos do empreendimento, os incorporadores decidiram investir também
em uma campanha institucional para promover a Lapa. O slogan "Eu sou da Lapa"
se espalhou pela cidade em anúncios de televisão, na mídia
impressa e até mesmo em jogos de futebol. Os criadores da campanha produziram
bandeirões com os escudos dos principais times cariocas acompanhados pelo
slogan "Eu sou da Lapa". O
resultado surpreendente nas vendas do Cores da Lapa mudou a visão do mercado
imobiliário carioca. Os próprios concorrentes reconhecem que, após
a Lapa, a perspectiva de investimentos foi multiplicada e os incorporadores passaram
a olhar com atenção para todas as áreas da cidade. Outro
sinal contundente do potencial de bairros menos valorizados veio três semanas
depois, com o lançamento do Quartier Carioca, outro supercondomínio,
com 880 apartamentos distribuídos em oito edifícios, na Rua Bento
Lisboa, no Catete. Por lá, 580 unidades foram escrituradas no primeiro
dia de vendas. "Percebemos que os clientes queriam empreendimentos do porte dos
da Barra, mas na Zona Sul", ressalta Rogério Chor, dono da construtora
CHL. O conceito de condomínio da Barra, aliás, provou ser uma fórmula
de sucesso para toda a cidade. Onde houver espaço, é claro.
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