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28 de fevereiro de 2007

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OPINIÃO DO LEITOR


Ariadne

Camões, no século XVI, expressava em sonetos sua angústia contra a inversão de valores do mundo. Dizia o poeta português que verdade, amor, razão e merecimento fariam "qualquer alma segura e forte". Mas o acaso e a sorte, o dinheiro e a cobiça, a aparência e a fama eram os valores que regiam o mundo. Sorte de Camões, que não precisou ver, na capa de Veja Rio (7 de fevereiro), o sorriso da senhora Ariadne Coelho representando a mudança do mundo para pior.
Angela de Souza Rego
 

 

Manoel Carlos

Parabéns a Manoel Carlos pela modernidade dos assuntos abordados em suas crônicas, como "Comparações" (21 de fevereiro). Sou paulista de Botucatu, mas vivo há 43 anos entre Rio e Petrópolis. Sou mais carioca que paulista e tenho visto na internet e-mails fomentando a rivalidade entre Rio e São Paulo. Alguns são engraçados, outros grosseiros. Parecem dois países rivais se criticando, e não as duas cidades mais importantes do mesmo país. É claro que a questão da violência não se resume só às duas cidades, mas aqui a questão é mais exacerbada pela falta total de oportunidades para os jovens. O Rio vem sendo esvaziado economicamente nos últimos trinta anos. Como Manoel Carlos escreveu, é realmente de péssimo gosto colocar a estúpida morte de João Hélio como parâmetro de qual cidade seria pior. Aliás, essa rivalidade é de uma burrice gigantesca, mas não acontece só aqui. Roma e Milão, Madri e Barcelona, Lisboa e Porto padecem do mesmo mal.
Lourival Dias Amaral


Não consigo entender o que Rudy, amigo de Manoel Carlos, vem fazer no Rio. Ele não leu que – segundo o IBGE – o carioca trabalha uma hora e meia mais por semana que todos os outros brasileiros? Pela janela enxergo o Dois Irmãos e o céu azul impecável, mas não sei onde estão os famosos "187 quilômetros de congestionamento na Marginal" de que eles tanto se orgulham. E, em matéria de violência, será que ele se esqueceu do Carandiru? O Rio é foco, é vértice do Brasil. Por isso, tudo o que acontece aqui tem tanta repercussão. Saudações leblonianas.
Ronaldo Câmara


Sobre a crônica "Comparações", de Manoel Carlos, creio que cada um é livre para comparar o que quiser, mas não acho que violências e monstruosidades aconteçam somente no Rio. Talvez pelo Rio ter uma visibilidade maior – afinal, é a Cidade Maravilhosa –, as atrocidades apareçam mais. Há coisas ruins na cidade, mas também há muitas coisas boas que se destacam. A cidade é um deslumbre, com violência ou não. E admiro o carioca, que não se deixa abater e vive em defesa de sua cidade. Ah! Se eu pudesse me mudaria para o Rio hoje mesmo, pois nada é maior que o encanto dessa cidade.
Lucimeire Ramalho
Campinas, SP


Gosto das crônicas de Manoel Carlos e já estive várias vezes para escrever, mas minha timidez me fazia adiar a decisão. Porém, com a situação da violência na cidade, a timidez ficou meio de escanteio. Pude perceber o alcance dessa alma, viva e atuante, ao ver como ele tratou do que aconteceu com o menino João Hélio. Só posso agradecer pela imensa sensibilidade ao compartilhar dessa forma um sentimento que ficou no coração de tanta gente.
Duaia Assumpção  

 

Tutty Vasques

Encontrei uma crônica de Tutty Vasques que fala das condições do Maracanã ("Maraca, terra de ninguém", 15 de março de 2006). Foi o primeiro artigo que li sobre as reais condições do Maracanã. Parece que não interessa a ninguém mostrar o que uma pessoa sofre ao assistir a um jogo simples, de uma torcida só, como o último a que fui, Flamengo x Cabofriense, com 28 000 pagantes apenas. A venda de ingressos não é mais feita pela Suderj; logo, não há cambistas nem ingressos falsos. Mas agora as roletas estão sempre "quebradas" e os ingressos são entregues nas mãos dos fiscais, que com certeza irão revendê-los. Tenho 47 anos e vou ao Maracanã desde os 10. Lá as entradas são enormes, justamente para o público fluir, com mais de dez roletas de cada lado. Mas eles destruíram as duas entradas e agora existe só uma. Em qualquer jogo há confusão. Eu, que ia a jogos com 120 000 pagantes, agora tenho de aturar confusão em jogos com 20 000 pessoas. A Suderj põe a culpa nos pobres policiais, que, como Tutty Vasques disse muito bem, "chegam ao estádio com atitude de tropa preparada para invasão de torcida". Por que em Volta Redonda a polícia trata todos bem? Por que quando Flamengo e Botafogo jogaram na Ilha em 2005 a polícia tratava todos bem? Isso só acontece no Maracanã! Eles não cuidam dos banheiros e dizem que a torcida os quebra. Não limpam as cadeiras, permitem que qualquer ambulante entre e dizem que quem suja tudo é a torcida.
Vania Hoffman


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