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OPINIÃO DO LEITOR
Ariadne
Camões,
no século XVI, expressava em sonetos sua angústia contra a inversão
de valores do mundo. Dizia o poeta português que verdade, amor, razão
e merecimento fariam "qualquer alma segura e forte". Mas o acaso e a sorte, o
dinheiro e a cobiça, a aparência e a fama eram os valores que regiam
o mundo. Sorte de Camões, que não precisou ver, na capa de Veja
Rio (7 de fevereiro), o sorriso da senhora Ariadne Coelho representando a
mudança do mundo para pior. Angela
de Souza Rego
Manoel
Carlos Parabéns
a Manoel Carlos pela modernidade dos assuntos abordados em suas crônicas,
como "Comparações" (21 de fevereiro). Sou paulista de Botucatu,
mas vivo há 43 anos entre Rio e Petrópolis. Sou mais carioca que
paulista e tenho visto na internet e-mails fomentando a rivalidade entre Rio e
São Paulo. Alguns são engraçados, outros grosseiros. Parecem
dois países rivais se criticando, e não as duas cidades mais importantes
do mesmo país. É claro que a questão da violência não
se resume só às duas cidades, mas aqui a questão é
mais exacerbada pela falta total de oportunidades para os jovens. O Rio vem sendo
esvaziado economicamente nos últimos trinta anos. Como Manoel Carlos escreveu,
é realmente de péssimo gosto colocar a estúpida morte de
João Hélio como parâmetro de qual cidade seria pior. Aliás,
essa rivalidade é de uma burrice gigantesca, mas não acontece só
aqui. Roma e Milão, Madri e Barcelona, Lisboa e Porto padecem do mesmo
mal. Lourival
Dias Amaral Não
consigo entender o que Rudy, amigo de Manoel Carlos, vem fazer no Rio. Ele não
leu que segundo o IBGE o carioca trabalha uma hora e meia mais por
semana que todos os outros brasileiros? Pela janela enxergo o Dois Irmãos
e o céu azul impecável, mas não sei onde estão os
famosos "187 quilômetros de congestionamento na Marginal" de que eles tanto
se orgulham. E, em matéria de violência, será que ele se esqueceu
do Carandiru? O Rio é foco, é vértice do Brasil. Por isso,
tudo o que acontece aqui tem tanta repercussão. Saudações
leblonianas. Ronaldo
Câmara
Sobre
a crônica "Comparações", de Manoel Carlos, creio que cada
um é livre para comparar o que quiser, mas não acho que violências
e monstruosidades aconteçam somente no Rio. Talvez pelo Rio ter uma visibilidade
maior afinal, é a Cidade Maravilhosa , as atrocidades apareçam
mais. Há coisas ruins na cidade, mas também há muitas coisas
boas que se destacam. A cidade é um deslumbre, com violência ou não.
E admiro o carioca, que não se deixa abater e vive em defesa de sua cidade.
Ah! Se eu pudesse me mudaria para o Rio hoje mesmo, pois nada é maior que
o encanto dessa cidade. Lucimeire
Ramalho Campinas,
SP
Gosto
das crônicas de Manoel Carlos e já estive várias vezes para
escrever, mas minha timidez me fazia adiar a decisão. Porém, com
a situação da violência na cidade, a timidez ficou meio de
escanteio. Pude perceber o alcance dessa alma, viva e atuante, ao ver como ele
tratou do que aconteceu com o menino João Hélio. Só posso
agradecer pela imensa sensibilidade ao compartilhar dessa forma um sentimento
que ficou no coração de tanta gente. Duaia
Assumpção
Tutty
Vasques Encontrei
uma crônica de Tutty Vasques que fala das condições do Maracanã
("Maraca, terra de ninguém", 15 de março de 2006). Foi o primeiro
artigo que li sobre as reais condições do Maracanã. Parece
que não interessa a ninguém mostrar o que uma pessoa sofre ao assistir
a um jogo simples, de uma torcida só, como o último a que fui, Flamengo
x Cabofriense, com 28 000 pagantes apenas. A venda de ingressos não é
mais feita pela Suderj; logo, não há cambistas nem ingressos falsos.
Mas agora as roletas estão sempre "quebradas" e os ingressos são
entregues nas mãos dos fiscais, que com certeza irão revendê-los.
Tenho 47 anos e vou ao Maracanã desde os 10. Lá as entradas são
enormes, justamente para o público fluir, com mais de dez roletas de cada
lado. Mas eles destruíram as duas entradas e agora existe só uma.
Em qualquer jogo há confusão. Eu, que ia a jogos com 120 000 pagantes,
agora tenho de aturar confusão em jogos com 20 000 pessoas. A Suderj põe
a culpa nos pobres policiais, que, como Tutty Vasques disse muito bem, "chegam
ao estádio com atitude de tropa preparada para invasão de torcida".
Por que em Volta Redonda a polícia trata todos bem? Por que quando Flamengo
e Botafogo jogaram na Ilha em 2005 a polícia tratava todos bem? Isso só
acontece no Maracanã! Eles não cuidam dos banheiros e dizem que
a torcida os quebra. Não limpam as cadeiras, permitem que qualquer ambulante
entre e dizem que quem suja tudo é a torcida. Vania
Hoffman
MANDE
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