| |
| |  | |
BEIRA-MAR Patins,
injeção e outras histórias da passarela Fotos
André Nazareth/Strana
 |
 | | O
cartunista Lan: velha-guarda | Tatiane:
professora de
samba da madrinha
de bateria
|
A passista Tatiane de Sousa merece descanso. Nas semanas que antecederam
o Carnaval, ela teve trabalho dobrado: ensaiou diariamente seus meneios e ainda
teve de ensinar o bê-á-bá do samba a Grazielli Massafera,
a madrinha de bateria da Grande Rio. "Ela aprendeu algumas coisinhas, mas precisava
de muito mais tempo", diz. Na pista, ela sofreu com o excesso de adereços
e a bota plataforma. "É difícil sambar assim. Só agüentei
por amor à escola."
Há dois anos, a velha-guarda da Portela foi impedida pela diretoria de
desfilar, para não estourar o tempo. Desta vez, a turma só viu vantagens
em sair no último carro. A derradeira alegoria da Portela foi a primeira
a ser posicionada na avenida, logo na entrada do Sambódromo. "Desfilei
e ainda vi o desfile", comemorou, duplamente, o cartunista Lan, que fez
82 anos no domingo de Carnaval. Ele cruzou a Sapucaí ao lado de Zeca Pagodinho,
Paulinho da Viola e Monarco. André
Valentim/Strana
 | | Alexandre,
Julia e Luiza: desfile em família na Mangueira |
Mangueirense desde criança ou melhor, desde que gravou a série
Mangueira: Amor à Primeira Vista , Julia Lemmertz é
uma veterana que completou seu 11º ano de avenida. "Antes, torcia de longe."
A atriz saiu na ala dos amigos da escola um Projac dentro do Sambódromo
, na companhia de Luana Piovani, Débora Bloch, do marido, Alexandre
Borges, e da filha, Luiza. "É a segunda vez que desfilo. Tinha
8 anos quando minha mãe me trouxe pela primeira vez", disse Luiza, de 18
anos, que segue a carreira da mãe.
André
Nazareth/Strana
 |  | | Francine:
comandando
uma roda de
samba no Carnaval
| Erika
e os patinadores: agora com patins |
Com voz no melhor estilo blueseira, ginga de passista e olhinhos puxados, Francine
Missaka chamava atenção no camarote de uma cervejaria. Filha
de japoneses, ela comandou uma roda de samba no local. Francine mora em São
Paulo, onde lidera uma banda de samba-rock. "Adorei a experiência. Eu me
senti no churrasco de amigos. Cantei o que eu curto e soltei a voz", disse.
Em 2001, Erika Cordeiro foi protagonista de uma enorme confusão.
Minutos antes da entrada da comissão de frente da Mocidade, a escola foi
avisada de que os patins eram considerados alegorias, por causa das rodas. "Tivemos
de desfilar descalços", lembra a coreógrafa e patinadora. O regulamento
mudou e ela voltou, junto com cinco integrantes de sua companhia de dança,
numa ala da Grande Rio. "Pela primeira vez saí de patins e no chão.
É bem melhor para evoluir", disse ela, que já havia desfilado outras
três vezes de patins, mas em cima de alegorias. André
Nazareth/Strana
 | | Ana
Botafogo: comissão de frente de primatas |
Primeira-bailarina do Theatro Municipal há 26 anos, Ana Botafogo
fez seu noviciado no Sambódromo em 2006, ao criar a pantomima da comissão
de frente da Mocidade. Neste ano, ela repetiu a dose, só que na Vila Isabel,
envolta num vestidão azul e à frente de quinze dançarinos
caracterizados de primatas. "Convidei bailarinos que trabalharam comigo e gente
da Vila Isabel para executar a coreografia."
André
Valentim/Strana
 | | Os
imortais da ABL: apreensão com o resultado |
Na Quarta-Feira de Cinzas, o imortal Antônio Carlos Secchin fez um
programa inédito. Sentou-se em frente à TV para acompanhar a apuração
das notas. E comemorou o terceiro lugar da Mangueira. "Vou ter emoção
dobrada. Estaremos no desfile das campeãs." Junto com outros quatro membros
da Academia Brasileira de Letras Ivan Junqueira, Domício Proença
Filho, Antônio Olinto e Marcos Villaça , ele estava
no carro Estação Primeira da Luz, que encerrou o desfile da escola.
A alegoria, por sinal, foi palco da baixaria provocada por um baluarte da escola,
que expulsou aos brados a cantora Beth Carvalho lá de cima. "Só
fiquei sabendo pelos jornais. O carro tinha dois patamares", disse Secchin.
André
Nazareth/Strana
 | | Lucinha:
injeção para suportar o desfile |
O espetáculo de superação neste ano aquele tipo de
cena da destaque com os pés ensangüentados ou da baiana idosa que
suporta o fardo da fantasia coube a Lucinha Nobre. A porta-bandeira
da Unidos da Tijuca fraturou um dedo do pé um mês antes do Carnaval.
Teve de ficar duas semanas de pernas para o ar e outras duas na fisioterapia.
"Não pude me preparar como de costume e tive tonturas na pista", disse,
dentro de uma fantasia de 35 quilos. "Tomei injeção para relaxar
os músculos. Afinal, eram 40 pontos em jogo", revelou Lucinha, que recebeu
maldade 39,9 dos julgadores. "Foi meu Carnaval da superação,
uma guerra particular."
André
Nazareth/Strana
 | | Janine:
desta vez, a trabalho |
No camarote da Riotur, a musa não era uma celebridade, mas a presidente
da Embratur, Janine Pires. Com 41 anos e porte digno de destaque de alegoria,
ela participou da festa oficialmente pela primeira vez. "Eu já vim três
vezes como foliã. Até já desfilei na Mangueira, minha escola
do coração."
André
Nazareth/Strana
 | | A
ginasta Laís: estréia na pista |
Eleita a melhor atleta do ano pelo Comitê Olímpico Brasileiro, a
ginasta Laís Souza estreou no Carnaval carioca. "Estou ansiosa",
disse, antes do desfile. "É como competir. Dá um frio na barriga",
comparou. Paulista de Ribeirão Preto, Laís treina em Curitiba e
estava entre os 100 atletas de várias modalidades que saíram na
Portela, cujo enredo era o Pan-2007.
Atriz
abençoada André
Valentim/Strana
 | | Antonia:
pronta para A Paixão
de Cristo |
Aquele
discurso de que o ofício de interpretar é uma religião casa
perfeitamente com Antonia Frering. Depois de personificar nas telas Madre
Teresa de Calcutá e Raquel, ela segue, involuntariamente, em sua missão
artístico-eclesiástica. A atriz viverá Maria em A Paixão
de Cristo, que será encenada em Nova Jerusalém, Pernambuco.
"O diretor me pediu para chorar, mas nem precisou. Quando me vesti de Nossa Senhora,
caí em prantos", diz ela, que retornou para sua residência em Londres
no sábado de Carnaval. Antonia volta ao país em março, para
os ensaios finais. "É uma bênção esse projeto. Meu
laboratório será minha fé. Trata-se de uma personagem muito
próxima de mim." O
ano vai começar Marcos
Serra Lima
 | | Sheron
Menezes: de
volta ao batente |
Antes
de ser um clichê, a afirmação de que o ano começa depois
do Carnaval é uma constatação para Sheron Menezes.
Depois de um verão movido a viagens, sessões de cinema e teatro
e ociosidade, ela começa a gravar nesta semana sua participação
na série Amazônia. Sua personagem chama-se Verônica,
musa do poeta vivido por Diogo Vilela. Sheron visitou a família em Porto
Alegre, passou o réveillon em Florianópolis e foi a Salvador na
semana anterior ao Carnaval. Voltou só no domingo, e pousou no Sambódromo.
"Estou fazendo aulas de dança e ioga. Quando a correria começa,
tenho de parar tudo. Mas já estou com saudade do ritmo intenso de trabalho",
diz ela, que está num ensaio fotográfico do site Ego. Editado
por Sérgio Garcia. Colaboraram Fernanda Thedim e Karla Monteiro |