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28 de fevereiro de 2007

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BEIRA-MAR

Patins, injeção e outras histórias da passarela

Fotos André Nazareth/Strana

O cartunista Lan: velha-guarda Tatiane: professora de samba da madrinha de bateria

A passista Tatiane de Sousa merece descanso. Nas semanas que antecederam o Carnaval, ela teve trabalho dobrado: ensaiou diariamente seus meneios e ainda teve de ensinar o bê-á-bá do samba a Grazielli Massafera, a madrinha de bateria da Grande Rio. "Ela aprendeu algumas coisinhas, mas precisava de muito mais tempo", diz. Na pista, ela sofreu com o excesso de adereços e a bota plataforma. "É difícil sambar assim. Só agüentei por amor à escola."

Há dois anos, a velha-guarda da Portela foi impedida pela diretoria de desfilar, para não estourar o tempo. Desta vez, a turma só viu vantagens em sair no último carro. A derradeira alegoria da Portela foi a primeira a ser posicionada na avenida, logo na entrada do Sambódromo. "Desfilei e ainda vi o desfile", comemorou, duplamente, o cartunista Lan, que fez 82 anos no domingo de Carnaval. Ele cruzou a Sapucaí ao lado de Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola e Monarco.

 
André Valentim/Strana
Alexandre, Julia e Luiza: desfile em família na Mangueira

Mangueirense desde criança – ou melhor, desde que gravou a série Mangueira: Amor à Primeira Vista –, Julia Lemmertz é uma veterana que completou seu 11º ano de avenida. "Antes, torcia de longe." A atriz saiu na ala dos amigos da escola – um Projac dentro do Sambódromo –, na companhia de Luana Piovani, Débora Bloch, do marido, Alexandre Borges, e da filha, Luiza. "É a segunda vez que desfilo. Tinha 8 anos quando minha mãe me trouxe pela primeira vez", disse Luiza, de 18 anos, que segue a carreira da mãe.

 
André Nazareth/Strana
Francine: comandando uma roda de samba no Carnaval Erika e os patinadores: agora com patins

Com voz no melhor estilo blueseira, ginga de passista e olhinhos puxados, Francine Missaka chamava atenção no camarote de uma cervejaria. Filha de japoneses, ela comandou uma roda de samba no local. Francine mora em São Paulo, onde lidera uma banda de samba-rock. "Adorei a experiência. Eu me senti no churrasco de amigos. Cantei o que eu curto e soltei a voz", disse.

Em 2001, Erika Cordeiro foi protagonista de uma enorme confusão. Minutos antes da entrada da comissão de frente da Mocidade, a escola foi avisada de que os patins eram considerados alegorias, por causa das rodas. "Tivemos de desfilar descalços", lembra a coreógrafa e patinadora. O regulamento mudou e ela voltou, junto com cinco integrantes de sua companhia de dança, numa ala da Grande Rio. "Pela primeira vez saí de patins e no chão. É bem melhor para evoluir", disse ela, que já havia desfilado outras três vezes de patins, mas em cima de alegorias.

 
André Nazareth/Strana
Ana Botafogo: comissão de frente de primatas

Primeira-bailarina do Theatro Municipal há 26 anos, Ana Botafogo fez seu noviciado no Sambódromo em 2006, ao criar a pantomima da comissão de frente da Mocidade. Neste ano, ela repetiu a dose, só que na Vila Isabel, envolta num vestidão azul e à frente de quinze dançarinos caracterizados de primatas. "Convidei bailarinos que trabalharam comigo e gente da Vila Isabel para executar a coreografia."

 
André Valentim/Strana
Os imortais da ABL: apreensão com o resultado

Na Quarta-Feira de Cinzas, o imortal Antônio Carlos Secchin fez um programa inédito. Sentou-se em frente à TV para acompanhar a apuração das notas. E comemorou o terceiro lugar da Mangueira. "Vou ter emoção dobrada. Estaremos no desfile das campeãs." Junto com outros quatro membros da Academia Brasileira de Letras – Ivan Junqueira, Domício Proença Filho, Antônio Olinto e Marcos Villaça –, ele estava no carro Estação Primeira da Luz, que encerrou o desfile da escola. A alegoria, por sinal, foi palco da baixaria provocada por um baluarte da escola, que expulsou aos brados a cantora Beth Carvalho lá de cima. "Só fiquei sabendo pelos jornais. O carro tinha dois patamares", disse Secchin.

 
André Nazareth/Strana
Lucinha: injeção para suportar o desfile

O espetáculo de superação neste ano – aquele tipo de cena da destaque com os pés ensangüentados ou da baiana idosa que suporta o fardo da fantasia – coube a Lucinha Nobre. A porta-bandeira da Unidos da Tijuca fraturou um dedo do pé um mês antes do Carnaval. Teve de ficar duas semanas de pernas para o ar e outras duas na fisioterapia. "Não pude me preparar como de costume e tive tonturas na pista", disse, dentro de uma fantasia de 35 quilos. "Tomei injeção para relaxar os músculos. Afinal, eram 40 pontos em jogo", revelou Lucinha, que recebeu – maldade – 39,9 dos julgadores. "Foi meu Carnaval da superação, uma guerra particular."

 
André Nazareth/Strana
Janine: desta vez, a trabalho

No camarote da Riotur, a musa não era uma celebridade, mas a presidente da Embratur, Janine Pires. Com 41 anos e porte digno de destaque de alegoria, ela participou da festa oficialmente pela primeira vez. "Eu já vim três vezes como foliã. Até já desfilei na Mangueira, minha escola do coração."

 
André Nazareth/Strana
A ginasta Laís: estréia na pista

Eleita a melhor atleta do ano pelo Comitê Olímpico Brasileiro, a ginasta Laís Souza estreou no Carnaval carioca. "Estou ansiosa", disse, antes do desfile. "É como competir. Dá um frio na barriga", comparou. Paulista de Ribeirão Preto, Laís treina em Curitiba e estava entre os 100 atletas de várias modalidades que saíram na Portela, cujo enredo era o Pan-2007.

 

Atriz abençoada

 
André Valentim/Strana
Antonia: pronta para A Paixão de Cristo

Aquele discurso de que o ofício de interpretar é uma religião casa perfeitamente com Antonia Frering. Depois de personificar nas telas Madre Teresa de Calcutá e Raquel, ela segue, involuntariamente, em sua missão artístico-eclesiástica. A atriz viverá Maria em A Paixão de Cristo, que será encenada em Nova Jerusalém, Pernambuco. "O diretor me pediu para chorar, mas nem precisou. Quando me vesti de Nossa Senhora, caí em prantos", diz ela, que retornou para sua residência em Londres no sábado de Carnaval. Antonia volta ao país em março, para os ensaios finais. "É uma bênção esse projeto. Meu laboratório será minha fé. Trata-se de uma personagem muito próxima de mim."

 

O ano vai começar

 
Marcos Serra Lima
Sheron Menezes: de volta ao batente

Antes de ser um clichê, a afirmação de que o ano começa depois do Carnaval é uma constatação para Sheron Menezes. Depois de um verão movido a viagens, sessões de cinema e teatro e ociosidade, ela começa a gravar nesta semana sua participação na série Amazônia. Sua personagem chama-se Verônica, musa do poeta vivido por Diogo Vilela. Sheron visitou a família em Porto Alegre, passou o réveillon em Florianópolis e foi a Salvador na semana anterior ao Carnaval. Voltou só no domingo, e pousou no Sambódromo. "Estou fazendo aulas de dança e ioga. Quando a correria começa, tenho de parar tudo. Mas já estou com saudade do ritmo intenso de trabalho", diz ela, que está num ensaio fotográfico do site Ego.

 

Editado por Sérgio Garcia. Colaboraram Fernanda Thedim e Karla Monteiro

     
   

 

 
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