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28 de fevereiro de 2007

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ARTE

De Rembrandt a Picasso

Seiscentos anos de história da
gravura no CCBB

Isabel Butcher

Fotos Divulgação
Liechtenstein (à esq.), Goeldi (acima) e Picasso (à dir.): três momentos da história da gravura no Brasil e no mundo

Foi no século XV, período de efervescência no campo das artes e das ciências, que a técnica da gravura em metal surgiu e se desenvolveu. Sorte, na época, para os jogadores de baralho e devotos de santos católicos. Isso mesmo. O aparecimento da técnica – a imagem é impressa sobre uma chapa de cobre e a partir daí copiada – fez com que cartas e ilustrações de santos deixassem de ser produzidas de forma artesanal, pintadas uma a uma, passando a um processo muito mais veloz em sua confecção e reprodução. Em sua gênese, a gravura foi importante também para a ilustração de livros. Nessa fase, poucos usavam a técnica como meio para fazer arte. Um dos pioneiros foi o artista alemão Martin Schongauer, figura central da Renascença alemã. Logo depois, veio Albrecht Dürer, que com seus trabalhos deu à técnica status de arte. A primeira grande exposição do CCBB em 2007, Impressões Originais: a Gravura desde o Século XV, com abertura prevista para terça (27), mostra que a técnica levou à produção de arte da melhor qualidade.

 
Rembrandt (1606-1669): Auto-Retrato com Saskia é um dos destaques
Cores fortes: arte de Sonia Delaunay

Nos salões do CCBB estarão obras feitas desde os primórdios da utilização da técnica, com os dois mestres alemães, Schongauer e Dürer, até a produção brasileira dos anos 70. Mas seus curadores tiveram o cuidado, na montagem, de não transformar a exposição num cansativo percurso didático. "Não pretendemos montar um panorama, mas, sim, destacar momentos importantes da gravura na história da arte", explica Carlos Martins, um dos três curadores da mostra. Os trabalhos foram divididos em quatro módulos: Origens da Gravura, Expressionismo, Abstração e Pop Art e Nova Figuração. Sete artistas receberam maior destaque, não só pela qualidade de sua produção como também pela maneira original ou transgressora de utilizar a técnica: o alemão Albrecht Dürer (1471-1528), o francês Jacques Callot (1592-1635), o holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669), o italiano Giovanni Battista Piranesi (1720-1778), os espanhóis Francisco de Goya (1746-1828) e Pablo Picasso (1881-1973) e o italiano Giorgio Morandi (1890-1964).

 
Natureza-Morta: de Giorgio Morandi, um dos gênios italianos do século XX

Ao todo, a exposição apresenta 145 artistas e cerca de 280 obras que exploram diferentes técnicas de impressão – desde gravura em metal até serigrafia, xilogravura e litografia – ao longo de 600 anos de história. Lá estão trabalhos de nomes da pop art, como Roy Lichtenstein e Andy Warhol, além de Henri Matisse, Antoni Tàpies, Joan Miró, Emil Nolde e brasileiros como Oswaldo Goeldi, Anna Letycia, Fayga Ostrower, Lygia Pape e Iberê Camargo. A mostra já passou pelo CCBB de São Paulo, atraindo mais de 34.000 espectadores. "A receptividade lá foi ótima. Sempre que passeava pela exposição ouvia as pessoas comentando, surpresas, o fato de todas aquelas obras estarem em exposição aqui no Brasil", conta Valéria Piccoli, também curadora da mostra. Em sua versão carioca, a exposição teve o acréscimo de setenta trabalhos de artistas brasileiros.

 

Os mestres da técnica

Albrecht Dürer (Alemanha, 1471-1528), figura importante do Renascimento, foi um dos primeiros a explorar as técnicas de impressão como expressão artística

Jacques Callot (França, 1592-1635) revolucionou a técnica em 1612 ao usar nas chapas o verniz utilizado pelos ourives de Florença. Dedicou-se exclusivamente à gravura
Rembrandt van Rijn (Holanda, 1606-1669) desenvolveu a técnica a ponto de obter nas gravuras a mesma expressividade de suas pinturas
Francisco de Goya y Lucientes (Espanha, 1746-1828) satirizava os vícios e preconceitos da sociedade espanhola da época em suas gravuras
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973) criou ao longo de sua carreira mais de 2 500 imagens. Sua técnica favorita era a impressão em metal
Giorgio Morandi (Itália, 1890-1964) criava intensidades diferentes nas linhas de suas naturezas-mortas variando o tempo de imersão de suas matrizes no ácido

     
  
   

 

 
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