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ARTE De
Rembrandt a Picasso Seiscentos
anos de história da gravura no CCBB Isabel
Butcher Fotos
Divulgação
 | | Liechtenstein
(à esq.), Goeldi (acima)
e Picasso (à dir.): três momentos
da história da gravura no Brasil e no mundo
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Foi
no século XV, período de efervescência no campo das artes
e das ciências, que a técnica da gravura em metal surgiu e se desenvolveu.
Sorte, na época, para os jogadores de baralho e devotos de santos católicos.
Isso mesmo. O aparecimento da técnica a imagem é impressa
sobre uma chapa de cobre e a partir daí copiada fez com que cartas
e ilustrações de santos deixassem de ser produzidas de forma artesanal,
pintadas uma a uma, passando a um processo muito mais veloz em sua confecção
e reprodução. Em sua gênese, a gravura foi importante também
para a ilustração de livros. Nessa fase, poucos usavam a técnica
como meio para fazer arte. Um dos pioneiros foi o artista alemão Martin
Schongauer, figura central da Renascença alemã. Logo depois, veio
Albrecht Dürer, que com seus trabalhos deu à técnica status
de arte. A primeira grande exposição do CCBB em 2007, Impressões
Originais: a Gravura desde o Século XV, com abertura prevista para
terça (27), mostra que a técnica levou à produção
de arte da melhor qualidade.
 | | Rembrandt
(1606-1669): Auto-Retrato com Saskia é um dos destaques
|  | | Cores
fortes: arte de Sonia Delaunay |
Nos
salões do CCBB estarão obras feitas desde os primórdios da
utilização da técnica, com os dois mestres alemães,
Schongauer e Dürer, até a produção brasileira dos anos
70. Mas seus curadores tiveram o cuidado, na montagem, de não transformar
a exposição num cansativo percurso didático. "Não
pretendemos montar um panorama, mas, sim, destacar momentos importantes da gravura
na história da arte", explica Carlos Martins, um dos três curadores
da mostra. Os trabalhos foram divididos em quatro módulos: Origens da Gravura,
Expressionismo, Abstração e Pop Art e Nova Figuração.
Sete artistas receberam maior destaque, não só pela qualidade de
sua produção como também pela maneira original ou transgressora
de utilizar a técnica: o alemão Albrecht Dürer (1471-1528),
o francês Jacques Callot (1592-1635), o holandês Rembrandt van Rijn
(1606-1669), o italiano Giovanni Battista Piranesi (1720-1778), os espanhóis
Francisco de Goya (1746-1828) e Pablo Picasso (1881-1973) e o italiano Giorgio
Morandi (1890-1964).
 | | Natureza-Morta:
de Giorgio Morandi, um dos gênios italianos do século XX
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Ao
todo, a exposição apresenta 145 artistas e cerca de 280 obras que
exploram diferentes técnicas de impressão desde gravura em
metal até serigrafia, xilogravura e litografia ao longo de 600 anos
de história. Lá estão trabalhos de nomes da pop art, como
Roy Lichtenstein e Andy Warhol, além de Henri Matisse, Antoni Tàpies,
Joan Miró, Emil Nolde e brasileiros como Oswaldo Goeldi, Anna Letycia,
Fayga Ostrower, Lygia Pape e Iberê Camargo. A mostra já passou pelo
CCBB de São Paulo, atraindo mais de 34.000 espectadores. "A receptividade
lá foi ótima. Sempre que passeava pela exposição ouvia
as pessoas comentando, surpresas, o fato de todas aquelas obras estarem em exposição
aqui no Brasil", conta Valéria Piccoli, também curadora da mostra.
Em sua versão carioca, a exposição teve o acréscimo
de setenta trabalhos de artistas brasileiros. |