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27 de dezembro de 2006

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Novidades em flor

O Jardim Botânico vira
o ano cheio de atrações

Fátima Sá

 
Fotos André Valentim/Strana

 

Novo JB: as fontes (acima, à esq.) foram recuperadas, o Centro de Visitantes foi reformado (à dir.) e o Museu Botânico (abaixo), hoje fechado, vai abrigar o primeiro Museu do Meio Ambiente do Brasil

Os visitantes mais assíduos já percebem as mudanças. Os bebedouros do século XIX, forjados em Val d'Osne, recuperaram o brilho do passado. A trilha com 600 metros de Mata Atlântica, fechada por trinta anos, foi reaberta para caminhadas. E o antigo bromeliário está ganhando vida nova depois de uma ampla reforma. No apagar das luzes de 2006, as aléias do Jardim Botânico estão cheias de novidades. E há mais atrações previstas para 2007, entre elas a recuperação do gradil da Rua Jardim Botânico. As mudanças serão alvo de uma cerimônia na próxima quarta (27), com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A ministra vai percorrer e inaugurar oficialmente quatro atrações do parque: o novo bromeliário, a trilha, o Centro de Visitantes, que estava infestado por cupins e foi reformado, ganhando salas de vídeo e de exposição, e o Centro de Produtos Sustentáveis, que foi instalado na antiga marcenaria do parque. Além das quatro inaugurações, que somam 560.000 reais de investimentos, entre recursos públicos e parcerias com empresas privadas, a cerimônia do dia 27 marcará o início de uma obra histórica: a criação do primeiro Museu do Meio Ambiente do Brasil.

O novo museu ficará no casarão que abrigou a sede administrativa e o museu botânico do parque. É uma das mais destacadas construções do lugar, localizada às margens da Rua Jardim Botânico, à direita da entrada para o estacionamento. Hoje interditado devido às más condições de conservação, o casarão de dois andares será restaurado e, depois, equipado para servir de museu. A obra está orçada em 5 milhões de reais – dos quais 1,8 milhão virá do BNDES e 2,5 milhões da Petrobras – e será feita em etapas. A primeira, que prevê a recuperação do prédio, deve ficar pronta já no ano que vem. A última, que deixará o espaço pronto para abrir as portas, só em meados de 2008. A inauguração do museu fará parte das comemorações dos 200 anos do Jardim Botânico, criado em 13 de junho de 1808 pelo então príncipe regente dom João.

Trilha aberta: 600 metros de verde

O espaço promete surpreender os visitantes com exposições permanentes e temporárias, tratando de temas como biodiversidade, mudanças climáticas, efeito estufa. "Será um espaço interativo, multimídia. Pelo que vi, parece algo nos moldes do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo", compara Sérgio Sá Leitão, assessor da presidência do BNDES para assuntos de cultura. Atrás do casarão, outra construção recuperada abrirá as portas já nos próximos dias: a Biblioteca Barbosa Rodrigues, que foi modernizada para receber a coleção de mais de 65.000 títulos, entre eles 3.000 obras raras, protegidas da umidade por um sistema de climatização e de roubos por um circuito interno de TV. "Aos poucos, graças a recursos públicos e parcerias com a iniciativa privada, estamos recuperando vários espaços do parque e, com isso, aumentando a própria visitação", conta o engenheiro Charles Kocerginskis, que coordena todas as obras do Jardim Botânico.

No meio do ano já havia sido reaberto o cactário, que estava fechado havia uma década. Também foi criado um serviço com carrinho elétrico que circula de hora em hora transportando visitantes pelas aléias do parque (sem custo extra, além dos 4 reais de ingresso). Foi em 2006 também que abriu as portas o Espaço Cultural Tom Jobim, que oferece shows, exposições, palestras e a possibilidade de pesquisar a obra do compositor, um apaixonado pelo parque, onde costumava inspirar-se observando a natureza. O roteiro de novidades inclui ainda o Jardim dos Beija-Flores, povoado por espécies que atraem as aves, com banquinhos que permitem contemplá-las em vaivém pelos ares. Para o ano que vem, os planos do parque incluem a construção de um aquário marinho, reproduzindo o ecossistema de corais do sul da Bahia, e a recuperação de boa parte do piso, facilitando as caminhadas. Como se vê, motivos não faltam para explorar o parque.

     
   

 

 
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