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27 de dezembro de 2006

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Verão sem tapumes?

Orla Rio acelera obras para
aprontar quiosques

Fabio Brisolla

 
Fotos André Valentim/Strana
Novos quiosques: inauguração marcada para janeiro

A obra foi a toque de caixa. Nos últimos três meses, a concessionária Orla Rio armou onze canteiros de obras ao longo das praias de Copacabana e do Leme para construir 22 quiosques. Os tapumes tomaram conta do calçadão. Mas, de acordo com a concessionária, tudo estará pronto até o próximo sábado (30). A velocidade nas obras do novo mobiliário teve motivo: a intrincada disputa judicial envolvendo quiosqueiros e a Orla Rio. A empresa obteve a concessão para substituir os quiosques das praias cariocas em 1999, mas uma decisão judicial proibiu a intervenção. A autorização só veio em março de 2005 e, com a disputa na Justiça, apenas quatro quiosques foram instalados. Em agosto passado, a Orla Rio obteve a permissão para prosseguir e investiu na construção simultânea de 22 quiosques. "Deixaremos tudo pronto para o Ano-Novo. Sem os tapumes, com calçadão e deque concluídos, e a areia de volta ao lugar", promete João Marcello Barreto, vice-presidente da Orla Rio. O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, é contrário ao projeto. "A poucos dias do evento mais importante do ano, a Praia de Copacabana é um canteiro de obras. Não houve planejamento, há uma série de irregularidades", reclama Horácio.

Demora: só quatro quiosques prontos

Segundo o representante da concessionária, a inauguração dos quiosques será em janeiro e a intenção é iniciar em seguida a construção de mais 38 unidades, concluindo a reformulação do mobiliário do eixo Leme–Copacabana. "A idéia é terminar todos os quiosques antes dos Jogos Pan-Americanos", diz Barreto. Cada quiosque custa 1,5 milhão de reais e quatro empresas – Nestlé, Ambev, Souza Cruz e Coca-Cola – estão contribuindo para a realização das obras. Em contrapartida, essas empresas poderão estampar sua marca em pontos determinados nos quiosques. "A Orla Rio está transferindo direitos de concessão para outras empresas. Isso é uma ilegalidade", protesta Júlio César Gomes, advogado da Orla Legal, entidade que reúne quiosqueiros contrários ao projeto da concessionária. O ponto mais polêmico é a obra subterrânea tocada abaixo de cada quiosque para a construção de banheiros, depósito e cozinha. As licenças, segundo o advogado, foram concedidas sem um estudo de impacto ambiental. A Orla Legal reúne quinze quiosqueiros de Copacabana que prometem resistir às mudanças programadas pela concessionária. "A Orla Rio terá de entrar com ação judicial porque os quiosqueiros não vão sair. A briga vai continuar", conclui o representante da Orla Legal.

     
   

 

 
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