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27 de dezembro de 2006

REPORTAGEM DE CAPA

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REPORTAGEM DE CAPA

O mediador de conflitos

Contando histórias, Júnior do
AfroReggae conquista
o apoio de
empresários e afasta jovens do tráfico

Karla Monteiro

Júnior, na sede do AfroReggae: em Vigário Geral, onde tudo começou

Ele gosta de contar histórias. Na sala de seu apartamento, um três-quartos na Glória modestamente decorado, José Pereira de Oliveira Júnior, o Júnior, discorre por horas a fio sobre a sua obra. O Grupo Cultural AfroReggae é uma das mais bem-sucedidas iniciativas sociais do Brasil, com 176 pessoas na folha de pagamento, 2.000 beneficiados, 41 prêmios nacionais e internacionais e orçamento em torno de 6 milhões de reais, entre patrocínios, palestras, shows e vendas de CDs e DVDs. Quatro horas e um Red Bull depois, ele troca a bermuda por uma calça camuflada com bolsos laterais, coloca argolas de prata nas orelhas, calça sandálias, pendura a mochila nas costas. Está pronto para o evento da noite: uma palestra para executivos da Vale do Rio Doce, em Itaipava. Ao cruzar o Centro do Rio, vai relembrando sua infância e adolescência. "Isso aqui é a minha área. Cresci entre as ruas de Santana, do Riachuelo. Eu morava ali, na Rua do Senado", diz, apontando para um prédio decadente. "Naquela época, o lugar era um mar de prostitutas, jogatina, tráfico e violência. Mas tinha uma cultura marginal muito rica."

Em Itaipava é recebido com pompa pelos executivos. O tema da palestra é a trajetória do AfroReggae. Conta casos divertidos e outros dramáticos, como o dia em que viu em uma favela um menino que aparentava menos de 10 anos na fila para comprar cocaína. Fez de tudo para convencer o chefe da boca-de-fumo a não vender a droga para o menino. "Virei um encosto no ouvido dele", diz Júnior. "Ele terminou proibindo a venda de drogas para crianças", conta para os executivos, fascinados. Júnior sabe seduzir seu público. Leva-os para o exotismo de um mundo desconhecido e temido. No fim do papo, é ovacionado. Nesse momento, entra no palco a banda AfroReggae para um pocket show. A platéia se acaba de dançar. No fim, executivos amarrotados e falantes cercam Júnior. Boa parte deles se oferece para ajudar a ONG. "Eu vi uma palestra do Júnior em 2005, na Bahia. Naquele dia percebi que as melhores pessoas para resolver os problemas de qualquer lugar, seja numa favela, seja numa grande empresa, são aquelas que vivem esses problemas", diz um dos diretores da Vale, Márcio Hannas, organizador do evento. A tal palestra, na Costa do Sauípe, reuniu 150 presidentes de empresas que movimentam mais de 100 milhões de reais por ano, todos com menos de 45 anos. O grupo, conhecido como Jovens Líderes, é comandado por André Skaf, 25 anos, sócio do publicitário Nizan Guanaes e filho do presidente da Fiesp, Paulo Skaf. "Falei para o Júnior que, no começo, ele seria ignorado. Mas que, depois que fizesse a palestra, não ia ter mais sossego", conta André. Dito e feito. Júnior saiu de lá com parcerias firmadas com mais de dez empresários. E André Skaf virou um de seus melhores amigos, o homem que faz a ponte entre a ONG surgida em Vigário Geral após a chacina de 1993 e o alto empresariado do país.

 
Separadas por um Ciep e pela violência de dois grupos de traficantes rivais, as favelas de Vigário Geral e Parada de Lucas (no alto) abrigam as principais sedes do AfroReggae: a ONG conseguiu o apoio de gente como Luciano Huck (acima, visitando Parada de Lucas); do empresário André Skaf e do senador Eduardo Suplicy; e de Flora Gil e Caetano Veloso (abaixo)

O coordenador do AfroReggae conhece a fundo o drama das áreas marginalizadas do Rio. A trajetória dos garotos ligados à ONG, que o seguem com fidelidade, é muito parecida com a dele. O pai de Júnior era alcoólatra. A mãe, vítima de violência doméstica. O cunhado, seu ídolo e conselheiro, viciado em drogas. Não era incomum ver amigos morrer antes dos 20 anos. Tinha pouco estudo, nenhum emprego e, imaginava, pouquíssimas chances de um futuro melhor. Júnior nasceu em Ramos, bairro aos pés do Complexo do Alemão, em 1968. Aos 10 anos, mudou com a mãe, a enfermeira Clenair de Almeida Coutinho, e os três irmãos para o Centro. Os pais haviam se separado depois de incontáveis espancamentos presenciados pelos filhos. Daí surgiu o horror de Júnior ao álcool, às drogas e ao tabaco. "Meu pai bebia e espancava a minha mãe. E, depois de cada surra, ela fumava muito. Meu cunhado, a quem eu amava como um pai, era viciado. Eu buscava drogas para ele no Morro da Providência", relembra. No estatuto da ONG que hoje comanda com voz macia e mão-de-ferro, o consumo de álcool, tabaco ou qualquer outra droga, lícita ou ilícita, é proibido. Quem sai da linha é suspenso ou afastado do grupo. "Todos os meus amigos fumavam, bebiam, usavam drogas. Eu nunca experimentei nada", diz.

Não que ele tenha sido um santo na juventude. Na sua "área" havia duas formas de conquistar respeito: virar bandido ou brigão. Júnior escolheu a segunda opção. "Eu era uma máquina de bater. Tinha um senso de justiça estranho", conta. "Se alguém roubasse uma criança ou um velho, por exemplo, eu distribuía porrada." Foi parar na cadeia algumas vezes. Numa delas, por ter batido num policial. "Nada dava certo na minha vida, até que em 1986 consegui entrar para os pára-quedistas do Exército. Era meu único sucesso até então." Seu período militar não durou muito. Desistiu do Exército e passou a dividir o tempo entre a animação de festas infantis, vestido de Batman, e a organização de bailes funk. Usou a fantasia por dois anos. "Ele ficou meio Batman por dentro, quer sempre a justiça social", diverte-se a produtora Flora Gil, mulher do ministro da Cultura, Gilberto Gil, e fiel suporte da ONG. Nessa época, Júnior começou a buscar respostas na religião. Freqüentou umbanda, quimbanda, Testemunhas de Jeová, Igreja Universal, Igreja Messiânica, templos budistas, hare krishnas. "Meus amigos estavam morrendo. Eu queria conhecer Deus, ter uma proteção espiritual", conta. As filosofias orientais deixaram mais marcas: uma tatuagem de Shiva no braço e os nomes hindus de suas duas filhas, Narayna e Nataraja, de 6 e 3 anos, do casamento de seis anos com a ex-moradora de Vigário Geral Alessandra Vale Lins.

 
Fotos Felipe Varanda/Strana
Júnior e a banda AfroReggae em ação: show para as internas do presídio feminino Talavera Bruce (no alto) e visita, também com apresentação da banda, à penitenciária Bangu V

Júnior começou a virar o jogo em 1992, ironicamente por causa da proibição de bailes funk, depois do famoso arrastão do Arpoador. Tinha vendido todos os ingressos para uma festa funk e viu-se obrigado a arrumar uma música substituta. Um amigo sugeriu o reggae. Mesmo sem conhecer o gênero, topou. "A festa foi um fracasso. O povo queria funk", diz. Insistiu e fez uma segunda tentativa. Conseguiu levar centenas de pessoas para um baile no Centro. Embalado pelo sucesso, juntou-se a um grupo de fãs do ritmo para criar um jornal que divulgasse a cultura negra. Surgiu, assim, o AfroReggae Notícias, embrião do Grupo Cultural AfroReggae. "Falávamos de gente até então pouco conhecida: Seu Jorge, Timbalada, Nação Zumbi, Carlinhos Brown. Ninguém conhecia essa galera. A militância distribuía o jornal e mandávamos exemplares para gente famosa, como Caetano Veloso", lembra.

A chacina de Vigário Geral, em 29 de agosto de 1993, quando 21 moradores da favela foram assassinados por uma milícia formada por policiais, mudou a vida de Júnior e do AfroReggae Notícias. "Fomos procurados pelo Zé da Uerj, um bicho-grilo que queria organizar uma caminhada da Candelária até Vigário." A caminhada levou catorze horas. E, a partir daí, Júnior começou a freqüentar reuniões semanais na favela. "Se eu tivesse chegado a Vigário e oferecido oficina de jogar bolinha na parede, eles tinham topado. Lá só tinha tráfico, tráfico e tráfico." Sem experiência e com boa vontade, Júnior e alguns companheiros montaram oficinas de reciclagem de lixo, percussão e dança afro. "Eu ensinava o que nem sabia. A gente trabalhava na rua, com os traficantes trocando tiros com a polícia. Mas chegou um momento em que os traficantes não atiravam mais quando estávamos lá. Depois a polícia também não atirava até a gente sair. Fomos ganhando respeito dos dois lados", diz. Desde então, Vigário Geral e Parada de Lucas, duas favelas divididas por uma fronteira imaginária, passaram a ser os quartéis-generais do AfroReggae. A nova sede de Parada de Lucas, com projeto visual de Gringo Cardia, foi inaugurada recentemente. A de Vigário fica pronta no início do ano. Custou 2,5 milhões de reais, financiados pela Petrobras e pelo BNDES, e vai funcionar 24 horas por dia.

 

Palestra para executivos da Vale do Rio Doce, em Itaipava (à esq.): discurso igual ao que ajudou a tirar do tráfico gente como LG (à dir.), hoje vocalista da banda AfroReggae

Vigário é controlada pelo Comando Vermelho; Parada de Lucas, pelo Terceiro Comando, facções rivais do crime organizado do Rio. Júnior e sua trupe cruzam livremente as fronteiras ali, o que ninguém mais faz. Entram, hoje, em qualquer favela da cidade, sem importar a facção criminosa que a comande. Cruzar fronteiras virou a especialidade de Júnior. Aos velhos amigos daqueles tempos difíceis, ele juntou gente como o casal Flora e Gilberto Gil, Regina Casé e o marido, o diretor de TV Estevão Ciavatta, Luciano Huck, Caetano Veloso, o presidente do Sesc de São Paulo, Danilo Santos de Miranda, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e seu filho André, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, o diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger, o artista gráfico Gringo Cardia. A lista de amigos nos altos escalões é longa e eclética. O poeta Wally Salomão, morto em 2003, foi um dos primeiros a abrir portas para o coordenador da ONG. O outro foi o padre Lorenzo Zanneti, morto em 2004, especialista em empreendimentos sociais e presidente da Fase, uma das mais antigas ONGs do Brasil. "Sou o resultado do investimento deles dois. Por isso tem hora em que sou padre, tem hora em que sou louco." Em 1995, apresentado por Wally, convenceu Regina e Caetano a entrar em Vigário para apadrinhar a então iniciante banda AfroReggae. "O que mais me chamou atenção nele foi a falta de rancor, de revolta. Ele não era contra os ricos, contra os brancos. Não queria opor a favela ao asfalto", diz Regina.

Júnior transita entre os vários mundos sem fazer o gênero tapinha nas costas. É econômico com as palavras e usa muitas gírias dos morros cariocas: caô, moral, entubar, meter o pé são as preferidas. É cheio de marra. "Ele tem uma causa e acredita nela. Acho que isso o tornou uma força da natureza", arrisca-se a explicar o jornalista e amigo Zuenir Ventura. "Se ele consegue fazer a mim, Caetano, Regina e Gil trabalhar para ele, imagina o que pode fazer com os jovens das favelas", diverte-se Zuenir. Para conquistar para as suas fileiras os nomes que abrem as portas do país, Júnior usa a estratégia de convidá-los para um tour pelas favelas. Foi assim com André Skaf. Os dois se conheceram em São Paulo. André encantou-se por suas histórias e topou visitar Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade de Deus. Durante a visita, o então chefe do tráfico de Vigário apareceu para perguntar a Júnior se a "parada" ainda estava de pé. A "parada" era a negociação para a sua saída do tráfico e para arranjar um emprego no AfroReggae. A conversa, claro, impressionou André. Afinal, não era mais um garoto querendo bater lata. Era o chefe, de 36 anos, entregando as armas. "O Júnior virou meu irmão", diz o filho do presidente da Fiesp. "Conheci o Juninho com o meu filho. Olho no olho, vi que se tratava de uma pessoa do bem. Estou planejando uma visita às favelas do Rio no início do ano", conta Paulo Skaf. Flora Gil, Márcio Hannas, Luciano Huck, todos percorreram o mesmo caminho. "Eu nunca tinha pisado numa favela. Há quatro anos, ele me colocou numa van e fez um tour: Pavão-Pavãozinho, Vigário, Alemão, Parada, Vila Cruzeiro, Vila Pinheiro", conta a mulher de Gilberto Gil. "Ali ele me conquistou para sempre. Caiu, para mim, o mito de que não se pode falar com bandido, não se pode entrar", diz. Huck também se impressionou. "O Júnior não se corrompeu nem pelo fascínio do banditismo nem pelo fascínio do dinheiro da Fiesp", comenta. De fato. O salário de Júnior no AfroReggae é de 2.500 reais, além de um porcentual pelas apresentações da banda, da qual é produtor e compositor.

 
Dois momentos da banda AfroReggae: em ação (abaixo) e confraternizando com os integrantes dos Rolling Stones logo após o show que levou mais de 500.000 pessoas à Praia de Copacabana (acima)

Para disputar com o tráfico a admiração dos garotos das favelas, procura mostrar o mundo que existe fora das comunidades. Criar ídolos é a sua principal arma. Os meninos da banda AfroReggae, que abriram o show dos Rolling Stones na Praia de Copacabana, são a linha de frente. "Vestir roupas das grifes certas, usar as gírias das bocas, tudo ajuda", diz. "Os caras do AfroReggae, com o mesmo biotipo, a mesma criação, a mesma história, a mesma linguagem, a mesma roupa, mostram que dá para ser mocinho também", explica. No início de dezembro, Júnior e o pessoal da ONG AfroReggae foram aos presídios Talavera Bruce e Bangu V. Lá encontraram vários amigos, da mesma forma que um morador do Leblon esbarra em conhecidos no Baixo Gávea. Entre eles, Cristina, 30 anos, nascida em Vigário e presa com 150 quilos de maconha. Há dois anos, não recebia visitas. "Ver os meninos foi como ter uma visita só para mim. Conheço eles desde criança. Eles tinham mais necessidade do que eu e viraram artistas famosos. Enquanto eu, olha aí, vacilei", disse. Na volta de Bangu, Júnior recebeu um telefonema. Alguém de Vigário avisava que traficantes haviam roubado centenas de metros de cabos que seriam usados para consertar a iluminação, danificada pelos tiroteios. "Tu tá de brincadeira, meu irmão. Vai lá e diz para ele (o chefe) que eu quero conversar pessoalmente. Não vou mandar recado. Roubar a favela é sacanagem", respondeu exaltado, em tom furioso.

Um dos maiores prazeres de Júnior é tirar jovens do tráfico. Ele vibra. Conta cheio de orgulho a história dos ex-bandidos que viraram ídolos. Gosta, também, de fazer o que chama de "mediação de conflitos" – discutir tête–tête com os chefes do tráfico regras de convivência, tréguas e, principalmente, como proteger vidas. "Não faço nada em favela tranqüila. Temos oito negociadores no AfroReggae", diz. Nem sempre a negociação é fácil. Em 2004, quis viabilizar a apresentação da peça Antônio e Cleópatra – Amor em Tempo de Guerra na fronteira entre Vigário e Lucas. Foi a Lucas para conversar com o chefe local e mandou um dos seus para Vigário, com a mesma missão. "Ficou cada grupo de um lado da fronteira entre as favelas. Ninguém se mexia." Junior resolveu atravessar para mostrar que estava tudo bem, mas, como havia uma certa distância, a turma de Vigário não o reconheceu. "De repente vi dezenas de fuzis apontados na minha direção. Só cheguei do outro lado porque alguém avisou que era eu." O chefe de Vigário Geral resolveu então atravessar de volta com ele. "Pensei: a vida desse cara está nas minhas mãos. Quando os dois chefes apertaram as mãos, eu e o Fofinho, um cara nosso, abraçamos eles, para que nenhum dos lados pudesse fazer mira." Foram dezoito dias de trégua. Um recorde para aquelas comunidades. "Nunca houve tanta possibilidade de tirar gente do tráfico. Eles também estão cansados. Está todo mundo cansado. Eu não estou cansado, não. Eu ainda tenho muita esperança."

 

O AfroReggae em números

A folha de pagamento tem 176 pessoas, entre profissionais e jovens em formação

São 61 projetos, entre eles dez bandas de música, duas trupes de circo, uma de teatro e um grupo de dança

Em treze anos, recebeu 41 prêmios, alguns internacionais, como o Juventude e Cidadania, concedido pela Unesco

Cerca de 2 000 pessoas são beneficiadas diretamente por suas ações, dentro e fora do Rio

Movimenta anualmente 6 milhões de reais

O cachê da banda AfroReggae é de cerca de 15 000 reais

Tem quatro filmes no currículo: Favela Rising, dos americanos Jeff Zimbalist e Matt Mochary (que ficou entre os quinze finalistas ao Oscar de 2006); Nenhum Motivo Explica a Guerra, de Cacá Diegues; Polícia Mineira, sobre o trabalho do grupo com a polícia de Minas Gerais, dirigido por Estevão Ciavatta; e ShantyTown Shakespeare, de Gringo Cardia e Paul Heritage, ainda inédito. Mediação de Conflitos, também de Estevão Ciavatta, está em fase de produção

Em 2007 fará tours por sete países – Estados Unidos, Jamaica, Colômbia, África do Sul, Alemanha, Inglaterra e Índia

Na Inglaterra, o grupo assinou contrato de seis anos com o Barbican Centre para shows anuais e capacitação de vinte jovens educadores para atuar em redutos do tráfico de Londres, Manchester e Liverpool

No ano que vem, a ONG estréia um programa de TV no Canal Futura (Em Comum), uma rádio comunitária em parceria com a BBC de Londres e um programa musical na MPB FM

Também em 2007 inaugura a nova sede de Vigário Geral, que custou 2,5 milhões de reais e funcionará 24 horas



"Comecei a me aproximar deles bem devagar. Ficava vigiando para entender. Eles podiam estar vendidos para a polícia ou para o Terceiro. Hoje trabalho para o AfroReggae e nem penso mais em tráfico. Durmo bem, passo pela polícia tranqüilo. Fui pela primeira vez à praia. Sou homem cidadão agora, né?"
ZL, 36 ANOS, EX-CHEFE DO TRÁFICO DE UMA FAVELA CARIOCA

"Nasci em Vigário, participei do arrastão do Arpoador e entrei para o tráfico logo depois da chacina. O Júnior me ligava todo dia perguntando se eu queria sair fora. Hoje uso a minha experiência para falar com os traficantes. Falo na mesma língua, e eles gostam de ouvir."
JB, 35 ANOS, UM DOS "NEGOCIADORES" DO AFROREGGAE

"Entrei para o tráfico por revolta com a polícia. Era abordado, esculachado. Mas o Júnior apareceu na minha vida e me colocou para estudar canto e teoria musical e me tornei cantor. O Júnior salvou minha vida. Ele me fez acreditar que todo mundo pode."
LG, 27 ANOS, UM DOS CANTORES DO AFROREGGAE

"O AfroReggae sempre foi muito perseguido pela polícia. Toda a nossa classe era contra ele. Resolvi, então, investigá-lo. Levantei detalhadamente a vida de cada integrante por dois anos, para ver se realmente tinha saído do tráfico, se não mantinha ligação com o crime organizado. Hoje posso dizer que fico muito orgulhosa de fazer parte dessa trupe."
MARINA MAGESSI, INSPETORA DA POLÍCIA CIVIL E DEPUTADA FEDERAL ELEITA

 

     
   

 

 
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