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27 de novembro de 2002
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A mina dos mapas

MNBA expõe material
dos últimos 500 anos

Sofia Cerqueira

 
Fotos divulgação

O mapa de 1557 mostra a costa brasileira, do norte ao Rio da Prata, e a ilustração (abaixo), os domínios do império britânico em 1886


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Para embarcar na história e navegar pelos contornos da terra delineados ao longo dos últimos 500 anos, basta olhar o mapa. No caso, muitos mapas. Alguns, verdadeiras jóias cartográficas, muitos de indiscutível valor artístico e outros que foram referência para chegar ao traçado atual do mundo. A viagem acontece numa área de 900 metros quadrados do Museu Nacional de Belas Artes, que inaugura no dia 5 de dezembro a exposição O Tesouro dos Mapas. A mostra, a maior sobre o assunto já realizada no país, reúne 220 peças dos séculos XV ao XIX, entre mapas, cartas náuticas, maquetes de barcos e instrumentos de navegação. O material pertence ao acervo de mais de 3.000 itens do Instituto Cultural Banco Santos, em São Paulo, presidido pelo banqueiro Edemar Cid Ferreira. "O visitante verá como o mundo foi aos poucos desenhado, até se aproximar das imagens atuais", explica o curador da mostra, Paulo Miceli, professor de história moderna da Unicamp. "Demos um enfoque geral, com destaque à formação cartográfica do Brasil", diz ele. Entre as preciosidades estão mapas do Nordeste do país feitos por holandeses no século XVII e o atlas de J. Fr. Roussin, manuscrito de 1673 sobre o Mar Mediterrâneo. Destacam-se também cinco raríssimas cartas-portulanos, roteiros de navegadores dos séculos XVI e XVII desenhados sobre pergaminhos de pele de cordeiro.

 

No mapa-múndi de 1943, o mais antigo da exposição, não aparece a América: apenas a Europa, a Ásia e a África ligada a um outro continente

A exposição é fruto do acordo entre o instituto paulistano e o museu carioca. Simultaneamente à mostra dos mapas, que ficou seis meses em cartaz em São Paulo, serão expostas no Instituto Banco Santos, em São Paulo, 118 obras do acervo do MNBA. A parceria resultou ainda em um livro de 700 páginas, ilustrado com os quadros e as esculturas mais importantes da coleção de 16.000 obras do MNBA, com lançamento também no dia 5. Durante a exposição O Tesouro dos Mapas, estará à venda o livro homônimo, com imagens dos itens exibidos. "A exposição não visa só aos cartógrafos. É para o público em geral", diz Miceli. Na publicação, composta de trabalhos de renomados cartógrafos europeus, merece atenção um mapa-múndi de 1493. O desenho, o mais antigo da mostra, revela um planeta ainda sem a América, e com a África ligada a um outro continente.

Outro destaque é o mapa do Brasil de 1557, feito pelo italiano Ramusio. Nele, além de índios, animais e embarcações, aparece desenhado um vulcão ativo. A riqueza de adornos no desenho de John Crane, que mostra o império britânico em 1886, é uma atração à parte. Há ainda mapas de grande valor histórico, como os de Ortelius, responsável pelo primeiro atlas moderno, em 1570. Para facilitar a compreensão, a mostra foi dividida em módulos – mundo, arte e técnica, cartografia européia e Brasil – e ganhou cenografia especial de Paulo Pederneiras, do Grupo Corpo. "A idéia é aproximar os mapas do público", diz. Para isso, a maiorlo Pederneiras, do Grupo Corpo. "A idéia é aproximar os mapas do público", diz. Para isso, a maior parte deles está exposta na horizontal, em mesas de luz, com lentes para observação de detalhes. Uma agradável volta ao mundo.

 

Uma viagem no tempo

 

Na exposição O Tesouro dos Mapas, os visitantes terão a oportunidade de saber como eram desenhados os mapas e os objetos usados em sua confecção. Num espaço chamado de "oficina do cartógrafo" ficarão expostos globos, maquetes e objetos de uma época em que a navegação era baseada na observação astronômica. "Os cartógrafos raramente viajavam. Eles se baseavam no relato dos navegantes", ensina o professor Miceli. Para situar as terras descobertas, os navegantes se valiam de instrumentos como o grafômetro (à esq.), usado para medir distâncias angulares em levantamentos topográficos, e o sextante (à dir.), para avaliar a distância dos astros.

 

Museu de cara nova

Além da mostra de mapas, o MNBA reabre em dezembro um importante espaço. A galeria Mário Pedrosa será reinaugurada no dia 12, com a exposição Museu das Origens, toda remodelada. A mostra permanente reúne em 600 metros quadrados 100 obras, entre pinturas, esculturas e objetos. "A exposição retrata as origens da arte brasileira. Consegue pôr no mesmo nível a arte européia e a africana, a indígena ou a do inconsciente. O público pode concordar ou não", conta a diretora do museu, Heloisa Lustosa. A galeria, agora com espaços interligados, é dividida em módulos: arqueologia e arte indígena, arte européia, arte africana, arte popular e imagens do inconsciente. Entre as novidades estão uma coleção de ex-votos doada pelo marchand Franco Terranova; um acervo de arte indígena adquirido em várias partes do país; e treze telas do artista Fernando Diniz, na parte do inconsciente. Na arte européia, há peças desde a chegada dos portugueses até Miró e Picasso.

 

         
     
 
 
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