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HISTÓRIA
A
mina dos mapas
MNBA
expõe material
dos últimos 500 anos
Sofia
Cerqueira
Fotos divulgação
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O
mapa de 1557 mostra a costa brasileira, do norte ao Rio da
Prata, e a ilustração (abaixo), os domínios
do império britânico em 1886
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Para
embarcar na história e navegar pelos contornos da terra delineados
ao longo dos últimos 500 anos, basta olhar o mapa. No caso,
muitos mapas. Alguns, verdadeiras jóias cartográficas,
muitos de indiscutível valor artístico e outros que
foram referência para chegar ao traçado atual do mundo.
A viagem acontece numa área de 900 metros quadrados do Museu
Nacional de Belas Artes, que inaugura no dia 5 de dezembro a exposição
O Tesouro dos Mapas. A mostra, a maior sobre o assunto já
realizada no país, reúne 220 peças dos séculos
XV ao XIX, entre mapas, cartas náuticas, maquetes de barcos
e instrumentos de navegação. O material pertence ao
acervo de mais de 3.000 itens do Instituto Cultural Banco Santos,
em São Paulo, presidido pelo banqueiro Edemar Cid Ferreira.
"O visitante verá como o mundo foi aos poucos desenhado,
até se aproximar das imagens atuais", explica o curador da
mostra, Paulo Miceli, professor de história moderna da Unicamp.
"Demos um enfoque geral, com destaque à formação
cartográfica do Brasil", diz ele. Entre as preciosidades
estão mapas do Nordeste do país feitos por holandeses
no século XVII e o atlas de J. Fr. Roussin, manuscrito de
1673 sobre o Mar Mediterrâneo. Destacam-se também cinco
raríssimas cartas-portulanos, roteiros de navegadores dos
séculos XVI e XVII desenhados sobre pergaminhos de pele de
cordeiro.
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No mapa-múndi de 1943, o mais antigo da exposição,
não aparece a América: apenas a Europa, a Ásia
e a África ligada a um outro continente
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A
exposição é fruto do acordo entre o instituto
paulistano e o museu carioca. Simultaneamente à mostra dos
mapas, que ficou seis meses em cartaz em São Paulo, serão
expostas no Instituto Banco Santos, em São Paulo, 118 obras
do acervo do MNBA. A parceria resultou ainda em um livro de 700
páginas, ilustrado com os quadros e as esculturas mais importantes
da coleção de 16.000 obras do MNBA, com lançamento
também no dia 5. Durante a exposição O Tesouro
dos Mapas, estará à venda o livro homônimo,
com imagens dos itens exibidos. "A exposição não
visa só aos cartógrafos. É para o público
em geral", diz Miceli. Na publicação, composta de
trabalhos de renomados cartógrafos europeus, merece atenção
um mapa-múndi de 1493. O desenho, o mais antigo da mostra,
revela um planeta ainda sem a América, e com a África
ligada a um outro continente.
Outro destaque é o mapa do Brasil de 1557, feito pelo italiano
Ramusio. Nele, além de índios, animais e embarcações,
aparece desenhado um vulcão ativo. A riqueza de adornos no
desenho de John Crane, que mostra o império britânico
em 1886, é uma atração à parte. Há
ainda mapas de grande valor histórico, como os de Ortelius,
responsável pelo primeiro atlas moderno, em 1570. Para facilitar
a compreensão, a mostra foi dividida em módulos
mundo, arte e técnica, cartografia européia e Brasil
e ganhou cenografia especial de Paulo Pederneiras, do Grupo
Corpo. "A idéia é aproximar os mapas do público",
diz. Para isso, a maiorlo Pederneiras, do Grupo
Corpo. "A idéia é aproximar os mapas do público",
diz. Para isso, a maior parte deles está exposta na horizontal,
em mesas de luz, com lentes para observação de detalhes.
Uma agradável volta ao mundo.
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Uma
viagem no tempo
Na
exposição O Tesouro dos Mapas, os visitantes
terão a oportunidade de saber como eram desenhados
os mapas e os objetos usados em sua confecção.
Num espaço chamado de "oficina do cartógrafo"
ficarão expostos globos, maquetes e objetos de uma
época em que a navegação era baseada
na observação astronômica. "Os cartógrafos
raramente viajavam. Eles se baseavam no relato dos navegantes",
ensina o professor Miceli. Para situar as terras descobertas,
os navegantes se valiam de instrumentos como o grafômetro
(à esq.), usado para medir distâncias
angulares em levantamentos topográficos, e o sextante
(à dir.), para avaliar a distância dos
astros.
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Museu
de cara nova
Além
da mostra de mapas, o MNBA reabre em dezembro um importante
espaço. A galeria Mário Pedrosa será
reinaugurada no dia 12, com a exposição Museu
das Origens, toda remodelada. A mostra permanente reúne
em 600 metros quadrados 100 obras, entre pinturas, esculturas
e objetos. "A exposição retrata as origens da
arte brasileira. Consegue pôr no mesmo nível
a arte européia e a africana, a indígena ou
a do inconsciente. O público pode concordar ou não",
conta a diretora do museu, Heloisa Lustosa. A galeria, agora
com espaços interligados, é dividida em módulos:
arqueologia e arte indígena, arte européia,
arte africana, arte popular e imagens do inconsciente. Entre
as novidades estão uma coleção de ex-votos
doada pelo marchand Franco Terranova; um acervo de arte indígena
adquirido em várias partes do país; e treze
telas do artista Fernando Diniz, na parte do inconsciente.
Na arte européia, há peças desde a chegada
dos portugueses até Miró e Picasso.
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