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27 de outubro de 2004
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ESPETÁCULO

A Tríplice Aliança

Eles comandam a nova dramaturgia carioca

Débora Ghivelder

 
Dilmar Cavalher/Strana

Sugahara, Dani e Alvim: do Teatro Carlos Gomes para o Brasil e o mundo

Roberto Alvim e Ivan Sugahara se conheceram nos corredores da Casa de Artes de Laranjeiras (CAL). Ficaram amigos. Roberto montou, em 1998, com sua Companhia de Teatro de Repertório, Mundo Pânico, na casa noturna Bunker. Sugahara, e seu Os Dezequilibrados, levou à frente Bonitinha, mas Ordinária, na Casa da Matriz. Hoje, ao lado de Dani Pereira, Alvim e Sugahara são os capitães do maior movimento de renovação teatral da cidade. Eles comandam os projetos Nova Dramaturgia Brasileira, idealizado e coordenado por Roberto, na Sala Paraíso do Teatro Carlos Gomes, e Cena Pop Carioca, sob os cuidados de Sugahara e Dani Pereira, no Teatro Café Pequeno. Desde que começou, tímido, em 2001, o Nova Dramaturgia só fez crescer: os 25.000 reais de verba anual transformaram-se em 125.000. Por meio dele, 46 textos inéditos de novos autores brasileiros, a maioria cariocas, foram montados.

O trio agora desfruta o momento de ver o trabalho livrar-se do rótulo alternativo e ganhar fôlego. Combinado, peça de Sugahara de 2003, na qual um assassinato acontecia durante um jantar japonês servido à restrita platéia, cumpriu um ano de temporada. Alvim acaba de regressar da França, onde esteve no Festival Mousson D'Eté, ao lado de Bosco Brasil e Mario Bortolotto, com Às Vezes É Preciso Usar um Punhal para Atravessar o Caminho. A peça será encenada em 2005, na tradicional Comédie Française. Um luxo.

 
Fotos Divulgação

Combinado, Às Vezes É Preciso... e Dilúvio... (foto maior): fora do gueto

Aqui no Brasil, eles vêem com satisfação autores projetados pelo movimento ganhar a simpatia de gente do calibre de Aderbal Freire-Filho. É dele a direção de Dilúvio em Tempos de Seca, de Marcelo Pedreira, nome saído do Nova Dramaturgia. A peça, com Giulia Gam e Wagner Moura, está em cartaz no Teatro Dulcina. O teatro dessa turma (com cerca de doze autores fixos desde o início do projeto) já virou objeto de estudo. Eles são tema de tese na pós-graduação da Uni-Rio. "Isso indica uma aceitação do trabalho por parte da academia", diz Roberto. Sugahara, no Café Pequeno, aposta no cruzamento de interesses dessa geração entre 25 e 35 anos e promove ciclos de novos autores e novos diretores. "O desejo de todos nós sempre foi falar dos anseios dessa geração contemporânea", comenta. Agora eles se preparam para o Festival Contemporâneo, programado para 2005 no Jockey. Ligado ao Programa de Arte Contemporânea da UFRJ, o evento exibirá os trabalhos da geração de Roberto, Ivan e Dani em diversas frentes. A curadoria em teatro do festival está nas mãos de Dani. Não resta dúvida de que essa turma ainda vai dar muito que falar.

     
   

 

 
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