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27 de outubro de 2004
REPORTAGEM DE CAPA
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EDUCAÇÃO

Cinema em alta

Boa fase do mercado
movimenta universidades

Fabio Brisolla

 
Dilmar Cavalher/Strana

PUC: curso de cinema a partir de 2005

A estudante Leila Barreto, 22 anos, fazia jornalismo na PUC, mas no 5º período decidiu mudar. Pediu transferência para o curso de cinema da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Em junho passado, após concluir o 1º semestre na UFF, ela se inscreveu em um concurso de uma rede de cinemas. O participante deveria criar o roteiro para uma vinheta sobre o cinema brasileiro, a ser exibida nas 294 salas da rede espalhadas pelo país. Entre os setenta inscritos, todos alunos da UFF, USP e UNB, o texto de Leila ficou em primeiro lugar. A caloura ganhou 5.000 reais e a UFF recebeu 40.000 para levar para a tela o roteiro. A estudante está otimista. Acredita ter feito a aposta certa ao escolher o curso de cinema. A revitalização das produções nacionais resvalou nos cursos de graduação. Na UFF, 1.062 candidatos disputam uma das cinqüenta vagas para cinema, o quinto curso mais procurado no vestibular 2005. A concorrência está atenta à demanda. No próximo semestre, a PUC lança seu curso de cinema.

 
Ricardo Fasanello/Strana
Oscar Cabral

João Moreira Salles, da PUC, e Nélson Pereira, da UFF: na ativa

Segundo o Filme B, site especializado no mercado cinematográfico, a média anual de lançamentos desde 2001 girou em torno de trinta fitas. A previsão para 2004 é que chegue a cinqüenta. Em 2003, 22 milhões de pessoas foram ao cinema assistir a filmes nacionais. Até setembro de 2004 foram mais 13 milhões. "O momento é propício para esse investimento. Além disso, a era digital facilitou muito a criação do curso de cinema", diz Cesar Romero, diretor do departamento de comunicação social da PUC. Os alunos de jornalismo e publicidade já utilizam ilhas de edição, com equipamentos MacIntosh, e câmeras digitais. "Mas vamos investir em mais câmeras e ilhas para o curso de cinema", antecipa Romero. Apesar da tecnologia à disposição dos alunos, o curso não será essencialmente técnico. "Estamos fazendo um curso baseado nos grandes clássicos, com um material consistente", acrescenta Miguel Pereira, um dos professores responsáveis pela elaboração do novo currículo. Entre os professores já confirmados no curso da PUC, encontram-se os diretores João Moreira Salles, Walter Lima Júnior e Sílvio Tendler.

 
André Valentim/Strana

Felipe, Allan e Leila: talentos descobertos nas aulas da UFF

O tradicional curso da UFF foi criado em 1968, pelo cineasta Nélson Pereira dos Santos. Hoje tem em seu quadro de professores os diretores Sérgio Santeiro e Roberto Moura. As instalações em Niterói são bem precárias. Mas as máquinas digitais e 16 milímetros existentes mantêm o potencial da UFF. "Vamos implantar um novo currículo a partir de 2006, mais voltado para a produção cinematográfica", diz Antônio Moreno, chefe do departamento de cinema e vídeo da UFF. "A troca entre os alunos na realização de projetos acaba criando boas oportunidades para todos", avalia Allan Ribeiro, 25 anos, responsável pela edição de imagens do roteiro vencedor, da estudante Leila Barreto. Outro premiado é Felipe Bragança, de 23 anos, aluno do último período. Seu curta-metragem recebeu o prêmio de direção em 16 milímetros no Festival de Cinema de Brasília em 2003. "Os filmes pequenos têm pouco espaço. É mais difícil distribuir do que produzir", comenta Felipe.

Além de PUC e UFF, duas outras universidades oferecem cursos de cinema. Na Gama Filho, a coordenação é do cineasta Ruy Guerra, mas o curso não é de graduação. A Estácio de Sá também formava os chamados tecnólogos, mas, desde o início do ano, o curso foi ampliado para ter o status de graduação. "O mercado cinematográfico no Brasil está cada vez mais exigente e há carência de formação especializada", avalia Gisele Moreira, coordenadora de ensino da Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Inaugurada dois anos atrás, a escola funciona dentro do Instituto Brasileiro Audiovisual, no Centro do Rio, e oferece cursos técnicos específicos para roteiro, direção, montagem e edição. As aulas são diárias e os cursos duram, em média, um ano e meio. O preço é de1.200 reais por semestre, o que equivale quase à mensalidade de universidades particulares. "Mantemos um preço abaixo do que o praticado no mercado para tentar democratizar a formação no setor audiovisual."

     
   

 

 
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