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EDUCAÇÃO
Cinema em alta Boa
fase do mercado movimenta universidades
Fabio Brisolla
Dilmar Cavalher/Strana
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| PUC:
curso de
cinema a partir
de 2005 | A
estudante Leila Barreto, 22 anos, fazia jornalismo na PUC, mas no 5º período
decidiu mudar. Pediu transferência para o curso de cinema da Universidade
Federal Fluminense, em Niterói. Em junho passado, após concluir
o 1º semestre na UFF, ela se inscreveu em um concurso de uma rede de cinemas.
O participante deveria criar o roteiro para uma vinheta sobre o cinema brasileiro,
a ser exibida nas 294 salas da rede espalhadas pelo país. Entre os setenta
inscritos, todos alunos da UFF, USP e UNB, o texto de Leila ficou em primeiro
lugar. A caloura ganhou 5.000 reais e a UFF recebeu
40.000 para levar para a tela o roteiro. A estudante
está otimista. Acredita ter feito a aposta certa ao escolher o curso de
cinema. A revitalização das produções nacionais resvalou
nos cursos de graduação. Na UFF, 1.062
candidatos disputam uma das cinqüenta vagas para cinema, o quinto curso mais
procurado no vestibular 2005. A concorrência está atenta à
demanda. No próximo semestre, a PUC lança seu curso de cinema.
Ricardo Fasanello/Strana
 | Oscar
Cabral
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| João
Moreira Salles, da PUC, e Nélson
Pereira, da UFF: na ativa | Segundo
o Filme B, site especializado no mercado cinematográfico, a média
anual de lançamentos desde 2001 girou em torno de trinta fitas. A previsão
para 2004 é que chegue a cinqüenta. Em 2003, 22 milhões de
pessoas foram ao cinema assistir a filmes nacionais. Até setembro de 2004
foram mais 13 milhões. "O momento é propício para esse investimento.
Além disso, a era digital facilitou muito a criação do curso
de cinema", diz Cesar Romero, diretor do departamento de comunicação
social da PUC. Os alunos de jornalismo e publicidade já utilizam ilhas
de edição, com equipamentos MacIntosh, e câmeras digitais.
"Mas vamos investir em mais câmeras e ilhas para o curso de cinema", antecipa
Romero. Apesar da tecnologia à disposição dos alunos, o curso
não será essencialmente técnico. "Estamos fazendo um curso
baseado nos grandes clássicos, com um material consistente", acrescenta
Miguel Pereira, um dos professores responsáveis pela elaboração
do novo currículo. Entre os professores já confirmados no curso
da PUC, encontram-se os diretores João Moreira Salles, Walter Lima Júnior
e Sílvio Tendler.
André Valentim/Strana
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| Felipe,
Allan e Leila: talentos descobertos nas aulas da UFF |
O
tradicional curso da UFF foi criado em 1968, pelo cineasta Nélson Pereira
dos Santos. Hoje tem em seu quadro de professores os diretores Sérgio Santeiro
e Roberto Moura. As instalações em Niterói são bem
precárias. Mas as máquinas digitais e 16 milímetros existentes
mantêm o potencial da UFF. "Vamos implantar um novo currículo a partir
de 2006, mais voltado para a produção cinematográfica", diz
Antônio Moreno, chefe do departamento de cinema e vídeo da UFF. "A
troca entre os alunos na realização de projetos acaba criando boas
oportunidades para todos", avalia Allan Ribeiro, 25 anos, responsável pela
edição de imagens do roteiro vencedor, da estudante Leila Barreto.
Outro premiado é Felipe Bragança, de 23 anos, aluno do último
período. Seu curta-metragem recebeu o prêmio de direção
em 16 milímetros no Festival de Cinema de Brasília em 2003. "Os
filmes pequenos têm pouco espaço. É mais difícil distribuir
do que produzir", comenta Felipe. Além
de PUC e UFF, duas outras universidades oferecem cursos de cinema. Na Gama Filho,
a coordenação é do cineasta Ruy Guerra, mas o curso não
é de graduação. A Estácio de Sá também
formava os chamados tecnólogos, mas, desde o início do ano, o curso
foi ampliado para ter o status de graduação. "O mercado cinematográfico
no Brasil está cada vez mais exigente e há carência de formação
especializada", avalia Gisele Moreira, coordenadora de ensino da Escola de Cinema
Darcy Ribeiro. Inaugurada dois anos atrás, a escola funciona dentro do
Instituto Brasileiro Audiovisual, no Centro do Rio, e oferece cursos técnicos
específicos para roteiro, direção, montagem e edição.
As aulas são diárias e os cursos duram, em média, um ano
e meio. O preço é de1.200 reais por semestre,
o que equivale quase à mensalidade de universidades particulares. "Mantemos
um preço abaixo do que o praticado no mercado para tentar democratizar
a formação no setor audiovisual." |