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ARTE
Atração cultural Cabo
Frio inaugura Instituto Carlos Scliar
Isabel Butcher
 | Fotos
Divulgação
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| Caixas,
Bules e Castiçal (à esq.) fica
no instituto; Composição
(Chegada), no Museu de Arte Religiosa |
A
Região dos Lagos era um sossego com suas praias semidesertas e nem de longe
lembrava a agitação dos tempos atuais. Foi por essa Cabo Frio que
Carlos Scliar (1920-2001) se apaixonou no início dos anos 60, caso típico
de amor à primeira vista. O artista plástico gaúcho ficou
fascinado pela luz da cidade e por suas paisagens de mar, areia e casario. Pouco
tempo depois ele adquiriu o 2º andar de um sobrado e em seguida expandiu
seus domínios para a parte de baixo e o imóvel vizinho. A partir
de segunda-feira (25), as duas casas compradas pelo artista passam a abrigar o
Instituto Cultural Carlos Scliar (Rua Marechal Floriano, 253,
22-2643-0562). O município aproveita para homenagear seu agregado ilustre,
com uma semana de arte dedicada a ele. Serão duas exposições
com obras do artista: uma retrospectiva de seus 80 anos de vida no Museu de Arte
Religiosa (Largo de Santo Antônio, s/nº,
22-2643-6898) e Scliar Pinta Cabo Frio, na Casa dos 500 Anos (Rua
Coronel Ferreira, 141,
22-2645-0500).
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| As
casas brancas (acima) abrigam o instituto, que tem em seu acervo obras
como Casa do Pintor Scliar, de Djanira: uma justa homenagem
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Além
de pintor, gravurista, desenhista e ilustrador com obras espalhadas por museus
e coleções particulares do Brasil e do mundo, Scliar viveu devotado
à arte. Reuniu valioso acervo pessoal com cerca de 2 000 obras, um apanhado
de autores modernistas, contemporâneos e outras tendências. "Ele trocava
trabalhos com os amigos, ganhava algumas obras e também comprava muita
coisa. Não tinha preconceitos e era um grande incentivador dos bons artistas",
atesta o filho adotivo Francisco, que destacou cerca de 150 trabalhos de amigos
do pai e do próprio Scliar para montar a mostra permanente, que é
a atração maior do instituto. Scliar era um criador peculiar, que
levava vida nômade pelas três cidades que amava: Rio de Janeiro, Cabo
Frio e Ouro Preto. Mantinha uma residência em cada uma delas. Quando conheceu
a casa que será a sede do instituto, ela estava em ruínas. "O dono
só vendeu o imóvel para ele porque Scliar prometeu reformá-lo
exatamente de acordo com as normas do Iphan", lembra o filho. Cabo Frio ganha,
assim, um presente póstumo daquele que foi um de seus mais renomados moradores/visitantes.
Ganha, também, uma atração além das praias, que arrastam
ao município milhares de turistas no verão. |