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27 de outubro de 2004
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ARTE

Atração cultural

Cabo Frio inaugura Instituto Carlos Scliar

Isabel Butcher

 

Fotos Divulgação

Caixas, Bules e Castiçal (à esq.) fica no instituto; Composição (Chegada), no Museu de Arte Religiosa


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A Região dos Lagos era um sossego com suas praias semidesertas e nem de longe lembrava a agitação dos tempos atuais. Foi por essa Cabo Frio que Carlos Scliar (1920-2001) se apaixonou no início dos anos 60, caso típico de amor à primeira vista. O artista plástico gaúcho ficou fascinado pela luz da cidade e por suas paisagens de mar, areia e casario. Pouco tempo depois ele adquiriu o 2º andar de um sobrado e em seguida expandiu seus domínios para a parte de baixo e o imóvel vizinho. A partir de segunda-feira (25), as duas casas compradas pelo artista passam a abrigar o Instituto Cultural Carlos Scliar (Rua Marechal Floriano, 253, 22-2643-0562). O município aproveita para homenagear seu agregado ilustre, com uma semana de arte dedicada a ele. Serão duas exposições com obras do artista: uma retrospectiva de seus 80 anos de vida no Museu de Arte Religiosa (Largo de Santo Antônio, s/nº, 22-2643-6898) e Scliar Pinta Cabo Frio, na Casa dos 500 Anos (Rua Coronel Ferreira, 141, 22-2645-0500).

 

As casas brancas (acima) abrigam o instituto, que tem em seu acervo obras como Casa do Pintor Scliar, de Djanira: uma justa homenagem

Além de pintor, gravurista, desenhista e ilustrador com obras espalhadas por museus e coleções particulares do Brasil e do mundo, Scliar viveu devotado à arte. Reuniu valioso acervo pessoal com cerca de 2 000 obras, um apanhado de autores modernistas, contemporâneos e outras tendências. "Ele trocava trabalhos com os amigos, ganhava algumas obras e também comprava muita coisa. Não tinha preconceitos e era um grande incentivador dos bons artistas", atesta o filho adotivo Francisco, que destacou cerca de 150 trabalhos de amigos do pai e do próprio Scliar para montar a mostra permanente, que é a atração maior do instituto. Scliar era um criador peculiar, que levava vida nômade pelas três cidades que amava: Rio de Janeiro, Cabo Frio e Ouro Preto. Mantinha uma residência em cada uma delas. Quando conheceu a casa que será a sede do instituto, ela estava em ruínas. "O dono só vendeu o imóvel para ele porque Scliar prometeu reformá-lo exatamente de acordo com as normas do Iphan", lembra o filho. Cabo Frio ganha, assim, um presente póstumo daquele que foi um de seus mais renomados moradores/visitantes. Ganha, também, uma atração além das praias, que arrastam ao município milhares de turistas no verão.

     
   

 

 
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