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27 de setembro de 2006

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ARQUITETURA

Tecnologia na dose certa

Menos high tech, a Casa Cor
ganha em aconchego

Fátima Sá

 
Fotos AndréValentim/Strana
Quitanda chique: no restaurante criado por MAURÍCIO NÓBREGA as portas da estante movem-se por sistema de contrapeso. Os alimentos estão bem à vista, despertando o apetite do visitante. E a fiação ficou à mostra, para simplificar o ambiente. A elegância sem exageros deixou o espaço mais confortável.

A TV de plasma, o notebook de última geração, a supergeladeira e o fogão high tech estão lá. Mas a 16ª edição da Casa Cor, que abre as portas nesta terça (26), está longe de ser o paraíso dos Jetsons. Desta vez a tecnologia aparece como coadjuvante, ao lado de troncos de madeira, objetos inspirados no barroco, revestimentos de palha e até parede de pau-a-pique. O rústico suaviza o tecnológico. E os objetos de família, carregados de história, incorporam-se aos espaços. "O que diferencia um ambiente do outro é a história de quem vive nele", diz Patrícia Quentel, uma das organizadoras da mostra. "É a mistura das nossas coisas que faz com que a gente tenha vontade de voltar para casa", sentencia Patrícia Mayer, a outra organizadora.

 
FERNANDA PESSOA DE QUEIROZ: o quarto inspirado no surfista-empresário Fred D'Orey tem ares de galpão. Descontraído, mas antenado, mistura madeira de demolição com tecnologia. Num único espaço, ultracolorido, reúne quarto, bancada de trabalho e home theater. Rústica e sofisticada: a sala de leitura de FÁBIO BOUILLET e RODRIGO JORGE tem parede de pau-a-pique e móveis com design marcante, como a poltrona com ripas de madeira. Na estante, artesanato trazido do Ceará e de Pernambuco. O espaço tem dois níveis. O superior ganhou piso de tapete. O inferior foi coberto por granito.

Nesta edição da Casa Cor, os contrastes se harmonizam. No jardim-de-inverno de Paola Ribeiro, móveis de antiquário convivem com poltronas de desenho moderno, e, no espaço que André Piva criou para o empresário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, materiais brutos e o melhor da tecnologia se unem. Outra marca desta edição é a marcenaria, com móveis desenhados pelos próprios arquitetos. Lia Siqueira, por exemplo, projetou para seu estúdio estantes totalmente articuladas. Também se firmam como tendência o uso do artesanato brasileiro, os tons variando de cinza a bege queimado, as paredes cobertas por papéis, ripas de madeira e outros revestimentos. A Casa Cor 2006 está com mais cara de casa. E muito mais aconchegante.

 

Neobarroco carioca: o arquiteto CHICÔ GOUVÊA fez uma releitura do estilo barroco em sua sala de jantar. Pela primeira vez desenhou até os objetos, tendo como referência formas de cocos e coroas de festas religiosas. Misturou madeiras novas e antigas, aço e ferro. Mas manteve intactos o piso e a janela da casa, que considerou lindíssimos.
Artes do Brasil: MARIO SANTOS e ELIANE AMARANTE deram ao artesanato nacional lugar de destaque em sua sala de estar. Toda de madeira, do piso às paredes, ela tem iluminação dramática e tecidos que convidam ao toque. Combinação exata de luxo e aconchego.

 

Casa Cor 2006. Rua Pacheco Leão, 894, Horto, 2294-9398. Ter. a dom., 12h/21h. R$ 20,00 (ter. e qua.) e R$ 25,00 (qui. a dom.). Estac.: R$ 10,00. www.casacorrio. com.br. Até 5 de novembro.

     
   

 

 
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