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MEU ESTILO
Renato
Machado
Marina Caruso
Selmy Yassuda
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| jornalista, 64 anos |
Boêmio e notívago durante mais de trinta anos, o jornalista
Renato Machado dorme cedíssimo e madruga para editar e apresentar
o telejornal Bom Dia, Brasil, da Rede Globo. Antes um apreciador
de chope e de botecos, como contou em livro a colunista Danuza Leão,
sua ex-mulher, tornou-se especialista em vinhos, tema sobre o qual
já escreveu dois livros. Apaixonado também por música
clássica tem mais de 3 000 CDs em casa e um
homem estiloso no vídeo e fora dele, Renato acha que tudo
isso combina. "Meu campo de interesse é o bom gosto", afirma.
Como é sua rotina?
Durmo às 21h30 e acordo às 5 horas. Sou aquele cara
que não aceita convites. Pareço o Professor Higgins,
de My Fair Lady, que, de tão fascinado pelo trabalho,
não tinha vida social. "Pay the bill and say no to the invitations"
(pague a conta e diga não aos convites), dizia ele
à governanta.
E os convites para óperas
e concertos?
Nem esses aceito mais. Não posso sair à noite.
Temos de preparar o jornal entre as 5 e as 7 horas, para ir ao ar
às 7h15. Além de apresentador, sou editor-chefe. Participo
de todo o processo.
É uma rotina maluca,
não?
É. Mas é boa também. Tenho álibi
para tudo. Qual homem não gosta de um álibi? Fala
sério (risos).
E à tarde, como é
seu dia-a-dia?
Saio por volta do meio-dia e, geralmente, almoço em casa.
Depois, vou para o computador seguir o noticiário, pensar
na coluna do rádio, nas confrarias de vinho que freqüento
e nos meus projetos. Às 17 horas começo a aterrissar.
Para quem gostava da vida
noturna...
No início é muito difícil. Tive de trocar meus
hábitos e entrar no circuito dos almoços, que passam
a ser importantes como eram os jantares.
Foi boêmio durante muito
tempo?
Fui. Dos 20 aos 50 anos, eu era da noite. Estava na hora de virar
a página. Um cara não pode ficar a vida toda numa
mesa de botequim.
Seu interesse por vinhos começou
em Paris, numa viagem com Danuza Leão?
Era uma espécie de lua-de-mel. Tínhamos decidido morar
juntos naquele ano. Imagine dois brasileiros em Paris, no remotíssimo
1972. Uma mulher que, como todas, gosta de comprar e um homem que
detesta. Enquanto ela comprava, entrei numa livraria e vi um atlas
mundial de vinhos. Fiquei fascinado.
No programa Menu Confiança,
do canal GNT, o senhor e o chef Claude Troisgros discordam bastante.
As divergências são combinadas?
Nós dois somos muito ocupados. Combinamos que a gravação
seria feita num ritmo só, como se fosse ao vivo. Ou seja:
as diferenças são naturais. Muitas vezes eu não
provei a receita e ele não provou o vinho. Isso dá
um charme ao programa.
Mas vocês não
são especialistas?
Não sou especialista em nada! Nem ele. Fazemos tudo com prazer.
Meu campo de interesse é o bom gosto. Seja na música,
no vinho, na comida, seja no preto que as pessoas vestem, que eu
acho lindo. As mulheres de preto ficam lindas.
De onde são as peças
que o senhor está vestindo?
Este terno devo ter mandado fazer há muitos anos. A camisa
também é meio velha. Não ligo para marcas.
Gosto de coisas boas e que durem.
E esses chapéus? (Além
do que usa na foto, ele levou outro, no estilo Indiana Jones.)
Comprei na Europa. Um é da França e o outro, da Áustria.
Quantos chapéus o senhor
tem?
Uns dez. Mas não por estilo. Tive uma doença de pele
por causa do sol e os médicos me disseram para usar o acessório.
Além de mim, só o Harrison Ford usa esse chapéu
(risos).
Onde corta o cabelo?
No Souza Cabeleireiro, há mais de trinta anos. E lá
continuo, desde que não fumem. Virei um guerrilheiro antitabaco.
Fumei por trinta anos, mas, após perder parentes, criei ojeriza.
Cite três vinhos bons
a preços razoáveis.
O que você quer dizer com bons vinhos a preços razoáveis?
Algo que se possa comprar
por até 60 reais.
O Chianti Classico 2003, da Itália, o Grüner Veltliner
Langeloiser Kamptaler Terrassen 2004, da Áustria, e o Muscadet
de Sèvre et Maine Béatrice et Dominique Hardy 2006,
da França.
Agora o senhor entende por
que foi escolhido para esta seção?
A Enciclopédia Britânica diz que o conceito
de estilo vem da Renascença, quando as pessoas começaram
a ser alfabetizadas. Ao assinarem o nome com cada garrancho de um
jeito, passaram a ter o que os italianos chamavam de stilo,
a expressão máxima da pessoa.
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