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26 de setembro de 2007

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PERFIL

A loura má de boa estirpe

Criada nos corredores do Copacabana
Palace
e caçula de uma linhagem que é
símbolo
de sofisticação, Guilhermina Guinle
brilha
na TV como a vilã de Paraíso Tropical

Sofia Cerqueira

 
Fernando Lemos
Guilhermina Guinle, na piscina do Copa: lembranças da infância na "casa" da avó

O desafio era enorme: entrar no meio da novela no horário nobre da Rede Globo como a antagonista da garota de programa Bebel, a sensação da vez abençoada pela graça de Camila Pitanga. Para piorar, sua personagem deveria ser antipática, mimada, arrogante, metida, detestável mesmo. Tudo sem descer do salto alto ou despentear a cabeleira loura platinada, retocada uma vez por semana. "Precisava de uma atriz com cara de rica, capaz de ameaçar o casal Olavo e Bebel", explica Gilberto Braga, autor de Paraíso Tropical. A escolhida foi a carioca Guilhermina Guinle, 33 anos de idade e treze de carreira, sofisticada por formação, sobrenome e genética. "Fiquei receosa", confessa. "Quando soube que seria a vilã de um núcleo que bombava, pensei: o público vai me odiar." Os telespectadores podem até torcer por Bebel, mas Alice, a mau-caráter chique, virou destaque da novela, que termina na próxima sexta-feira (28). "Ela achou o tom perfeito", elogia Braga.

Herdeira de um dos sobrenomes mais tradicionais da cidade, a atriz, que passou a infância brincando nos corredores do Hotel Copacabana Palace – construído pelo avô paterno, Octávio Guinle –, vive um momento especial. Além do sucesso como a afetada Alice, estrelou neste ano a peça Campo de Provas, que inaugurou o Teatro Solar, em Botafogo, e debutou no cinema em Inesquecível (o filme é ruim, mas ela estava glamourosa na telona) ao lado de Caco Ciocler e Murilo Benício, que vira e mexe é apontado nas revistas de celebridades como seu par. Ela garante que não vê problema em ter o nome associado aos ex. Aos 18 anos, teve um namoro praticamente secreto com o piloto Ayrton Senna. Dos 19 aos 24, foi casada com o cantor Fábio Júnior e depois viveu sete anos com o ator José Wilker. "Tenho o maior orgulho de tudo o que vivi."

 
Renato Rocha Miranda/TV Globo

DE NOIVINHA A VILÃ
Em treze anos de carreira, ela já fez quatro peças, duas séries e sete novelas: em Paraíso Tropical, com Deborah Secco, interpreta Alice, sua primeira vilã (acima); a estréia na TV foi na novela Antônio Alves, Taxista, exibida em 1996 (abaixo à esq.); com o elenco
de Capitanias Hereditárias, peça que lhe valeu elogio do diretor Falabella


João Raposo

Mirian Monteiro/Strana

A intérprete da "branquela azeda", como Bebel chama a rival, é daquelas mulheres que causam inveja. Linda, tem 1,65 metro e 55 quilos, apesar de comer tanto que os amigos apelidaram suas refeições de PF. Nascida literalmente em berço de ouro e viajadíssima, Guilhermina Guinle é nome de uma rua em Botafogo, batizada em homenagem a sua bisavó. Para ela, a carga do sobrenome nunca foi um peso. "Tive a sorte de nascer numa boa família e não precisar trabalhar para me sustentar no início", comenta. Fala espanhol e inglês impecavelmente. Estudou na Escola Americana e morou dos 5 aos 7 anos em Buenos Aires, onde se alfabetizou. Os pais, o empresário do ramo imobiliário Luiz Eduardo Guinle e a decoradora Rosa May de Oliveira Sampaio, se separaram quando ela tinha 2 anos. A mãe se casou depois com o empresário argentino Martin Braun e Guilhermina foi criada em São Paulo. É a única mulher entre quatro irmãos: Raphael, de 36 anos, que trabalha num banco; Charly, de 28, cineasta e ator; e Pedro, 19, estudante de publicidade. Os dois últimos são filhos da segunda união da mãe. "Minha vida sempre foi uma ponte aérea." Quando vinha ao Rio, visitava a avó Mariazinha no Copacabana Palace. O hotel foi vendido pela família em 1989, mas a avó lá ficou num apartamento de cobertura até morrer, em 1993. "Eu adorava correr e andar de velocípede pelos corredores. Sempre pedia batata frita e profiteroles na piscina", recorda. Além de pertencer à quarta geração dos Guinle, Guilhermina tem, pelo lado materno, forte relação com a história da cidade. Seu bisavô Carlos Sampaio foi prefeito do então Distrito Federal entre 1920 e 1922. São obras de sua gestão o canal do Jardim de Alá, a Avenida Rui Barbosa e a polêmica derrubada do Morro do Castelo.

Embora vá sempre a São Paulo, ela mora no Rio. "Há três anos vivo aqui e me sinto mais carioca." Desde dezembro, quando se separou de José Wilker, reside num quatro-quartos em Ipanema. Alugou sua casa no Jardim Paulistano, mas conserva um apartamento "impecável" em São Paulo. "Tenho mania de organização", diz. "Volta e meia baixa em mim a Zefa e saio limpando tudo com paninho e álcool." Seu retorno ao Rio coincidiu com a peça Capitanias Hereditárias, de Miguel Falabella, que ficou dois anos em cartaz. "Nesse métier, quem vem de família tradicional tem de provar várias vezes o seu talento", afirma Ney Latorraca, seu colega na comédia. "Ela suplantou tudo isso", completa. "É inteligente e rápida no entendimento do que o diretor quer", reforça Falabella. "Fiquei tão encantado que o Ney, enciumado, vivia imitando os meus elogios a ela." Seu amadurecimento é consenso. "Guilhermina começou verde", observa Dennis Carvalho, diretor de Paraíso Tropical. "Deu um show na minissérie JK e está progredindo muito." Antes de se decidir pela carreira artística, ela fez seis meses de psicologia na Boston University, nos Estados Unidos. "Não conseguia me ver num consultório." Foi então cursar teatro em outra faculdade americana, a Emerson College. Retornou ao Brasil um ano e meio depois. "Sentia saudade, era frio." E estava apaixonada.

 
Fotos álbum de família

A VIAJANTE
Fazer turismo é um dos hobbies da atriz, que conhece quase todos os continentes: ela posa em Machu Picchu, no Peru (acima); nas geleiras da Patagônia chilena (abaixo); e, há três anos, na China, para onde viajou na companhia de José Wilker. Após a novela, vai embarcar para as Ilhas Maurício

A estréia foi na versão paulista da peça Entre Amigas, aos 19 anos. Na época, casou-se com Fábio Júnior, vinte anos mais velho, numa cerimônia simbólica no Taiti. "Eu era uma menina, e ele, super-romântico." A união durou cinco anos – recorde absoluto para o cantor. Depois, viveu sete anos com José Wilker, 27 anos mais velho. "Com ele aprendi a importância da amizade, do companheirismo, do caminhar junto numa relação", diz. "Além do talento inato, ela tem vocação para a felicidade", declara Wilker, que ainda é sua companhia constante. "Arranca alegria de qualquer coisa." Quando o assunto resvala em Murilo Benício, ela desconversa. "É uma pessoa divertida e carinhosa, que conheci no filme Inesquecível", limita-se a dizer.

Já que estamos falando de amores, o que poucos sabem é que, aos 18 anos, Guilhermina namorou Ayrton Senna. Ela costumava passar férias no condomínio Portogalo, em Angra, onde era hóspede freqüente do padrinho, o empresário Antonio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha – de quem Senna compraria a mansão tempos depois. "O romance existiu, sim, mas discretamente, nunca foi divulgado", confirma. Ela diz não ter muita ansiedade quanto ao futuro, mas sonha com um filho. De imediato, quer voltar às aulas de cinema na Faculdade Gama Filho. Já fez três períodos do curso, interrompido por causa da TV. "Meus amigos não acreditaram que estudaria de manhã e organizaram até um bolão." Explica-se: Guilhermina sofre de insônia. Dorme depois das 3 e acorda ao meio-dia. Sem conseguir pegar no sono, aproveita as madrugadas para arrumar gavetas.

Também tem compulsão por cosméticos. Seu banheiro parece uma loja. Pela bancada esparramam-se mais de cinqüenta cremes. "Adoro ser cobaia", admite. "Se me disserem que tem um creme novo de lagartixa, eu testo", brinca. Ama praia, mas cobre a pele translúcida com protetor fator 60, às vezes 90. "Até os 25 anos achava lindo mulher tostada." Nunca fez plástica – nem precisa –, mas adora peelings, ácidos... As madeixas castanhas foram cortadas para a novela A Lua Me Disse, em 2005, encurtadas em JK e clareadas neste ano, quando fez o filme Sexo com Amor, de Wolf Maia, ainda sem data de lançamento. "Quis ficar louríssima." Dá trabalho. "Meu cabelo cresce que nem grama." Devido ao cabelo platinado, prefere roupas monocromáticas. Tal e qual a antipática Alice, é chique sem fazer muito esforço. Está no sangue. Seu bisavô Eduardo construiu o atual Porto de Santos (veja quadro abaixo). O tio-avô, também Eduardo, ergueu o Palácio Laranjeiras. O playboy Jorginho Guinle era seu primo em segundo grau. Carlos Guinle Filho, outro primo em segundo grau, é co-autor de Sábado em Copacabana, tema de Paraíso Tropical. "Ela entrou no meio de um furacão e está maravilhosa", avalia Wagner Moura, seu par na trama. É do tipo que mima a equipe da novela levando tortas de chocolate, como na terça passada. A doce vida de Alice não vai durar. Num acesso de ira, jogará um celular na cabeça da camareira – ao estilo da top Naomi Campbell, condenada a prestar serviços comunitários por agredir uma empregada. "Ser arrogante com pobre na minha novela é crime inafiançável", sentencia Gilberto Braga. A malvada de fino trato está adorando.

 
Fotos álbum de família

EM FAMÍLIA
Três momentos: com seus irmãos, Raphael, Charly e Pedro (acima), na piscina da fazenda da avó materna, no Rio Grande do Sul; aos 8 anos, entre os pais, Luiz Eduardo e Rosa (abaixo); e em sua festa de 6 anos, no Copa, com a avó Mariazinha Guinle

 

Quatro gerações dos Guinle

O patriarca, Eduardo, bisavô de Guilhermina, construiu o atual Porto de Santos, em 1882.

Eduardo Guinle teve sete filhos. Entre eles, Octávio, avô de Guilhermina, que abriu o Copacabana Palace em 1923. Da segunda união de seu avô, com dona Mariazinha, nasceram Luiz Eduardo, pai de Guilhermina, e José Eduardo, ex-presidente da Riotur.

Seu tio-avô, também Eduardo, explorou estradas de ferro e trouxe a General Electric para o Brasil. Construiu o Palácio Laranjeiras, no Parque Guinle.

Outro tio-avô, Guilherme, fundou o Banco Boavista e foi pioneiro na exploração de petróleo no país.

Carlos Guinle Filho, primo em segundo grau da atriz, trouxe a Rolls-Royce para o Brasil. Também compositor, é parceiro de Dorival Caymmi em Sábado em Copacabana, tema de Paraíso Tropical. Era irmão do playboy Jorge Guinle.

 

Cesar Itibere/Folha Imagem
Marisa Uchiyama

ENCONTROS E DESENCONTROS
Vida real: foi casada com Fábio Júnior (acima, à esq.); namorou Ayrton Senna (à dir.); viveu com José Wilker (abaixo); e, neste ano, circulou com Murilo Benício


Selmy Yassuda

Mauricio Melo
         
     

 

 
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