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26 de abril de 2006

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As obras de arte de Capeto

Criações de Isabela Capeto
chegam a museu francês

Sofia Cerqueira

Fotos divulgação
Isabela: linha de roupas com peças numeradas, como obras de arte


Há pouco mais de um mês, quando visitava uma exposição sobre a evolução dos desfiles de moda no Musée Galliéra de la Mode et du Costume, em Paris, Isabela Capeto parou estupefata. Entre as roupas, acessórios, vídeos e catálogos expostos no museu, instalado em um imponente palácio do século XIX, figurava um look-book.– uma espécie de caderninho com fotos do desfile de uma coleção – dela própria. Seu trabalho estava ao lado de criações de papas da moda, como Balenciaga, Valentino, Hermès e Chanel. "Não acreditei. Meu look-book era o mais artesanal", lembra. Talvez tenha sido justamente essa particularidade, marca registrada das roupas da estilista, que conquistou os curadores. A participação na mostra parisiense é um carimbo a mais na meteórica carreira da grife. Em apenas quatro anos, suas criações, repletas de bordados, rendas, fitas, passamanarias, paetês, miçangas e estamparia inusitada, conquistaram lugar de destaque no mundo fashion nacional e espaço no cobiçado mercado internacional. "Minha roupa é democrática. Encanta de senhoras a jovens mais descoladas", define. A grife Isabela Capeto, batizada inicialmente de Ibô (seu apelido de infância), faz sucesso entre famosos, como Regina Casé, Camila Pitanga, Malu Mader, Deborah Bloch e Carolina Dieckmann, e já soma cinqüenta pontos-de-venda em vinte países. Entre eles, Inglaterra, França, Estados Unidos, Austrália, Japão, Arábia Saudita e Líbano. Claro que em quantidades limitadas, como requer roupas com detalhes feitos a mão.

Ter um quê de exclusividade sempre foi uma preocupação de Isabela Capeto, 36 anos, nascida e criada na Zona Sul do Rio. Cada modelo conta, no máximo, com vinte peças. Agora, a estilista restringirá ainda mais. Acaba de lançar uma linha com etiquetas numeradas: como em obras de arte, o cliente saberá se está adquirindo uma peça única ou a segunda de uma série de cinco, por exemplo. "Adoro fazer uma roupa que dê trabalho", diz. Algumas, como um cache coeur com 5.000 cruzinhas bordadas, demoram dias para ser confeccionadas. Sua estréia nas passarelas aconteceu no Fashion Rio, em janeiro de 2004. Em agosto do mesmo ano, já estava na São Paulo Fashion Week, onde foi aclamada. Em julho, vai para sua quinta temporada na semana de moda de São Paulo. Ao mesmo tempo, passou a fazer showrooms em Paris. A inspiração? "Pode vir de um livro, de um artista e até de uma comida", responde Isabela, que já fez roupas baseadas no jeito de vestir da filha, Francisca, de 7 anos; na azulejaria portuguesa; no trabalho de fotógrafos africanos; em Matisse; e na cultura peruana. Da jaqueta à camiseta básica, são sempre peças com ar moderninho e um toque de brechó. "Sou fã da Isabela. É muito talentosa e faz um trabalho único", elogia a atriz Carolina Ferraz. "São peças artesanais, cheias de delicadeza", completa a diretora Carla Camurati, que escolheu um colete assinado pela estilista para ir ao lançamento de seu último filme, Irma Vap – O Retorno.

A badalada grife começou miúda, em 2002, numa sala no Leblon. Já no início, as criações chamaram a atenção do consultor de moda inglês Robert Forrest. Passou então a vender na conceituada loja Browns, de Londres. Depois veio a Biffi, de Milão, a Collete, de Paris, e a Barneys, de Nova York, entre outras. No Rio, vendia na Clube Chocolate. Há um ano, abriu sua loja, em um charmoso ponto da Rua Dias Ferreira. Por aqui, suas roupas custam de 80, uma camiseta com silk, a 3.040 reais, uma saia bordada com 20.000 miçangas. Lá fora, os dígitos são iguais, só que cotados em dólares ou euros – ou seja, a mesma camiseta em silk custa 80 dólares ou 80 euros, dependendo de onde estiver à venda. Antes de ter sua grife, Isabela fez três anos da Accademia di Moda, em Florença, na Itália, trabalhou nas grifes Maria Bonita, Lenny e na Fábrica Bangu. E passou um tempo criando quadros com as bonequinhas que hoje servem de modelo para suas criações (no topo da página). De uma produção inicial de 200 peças, saltou para 7.600, por semestre. O ateliê, na Gávea, ficou pequeno. "Estou procurando um novo endereço, um lugar para abrir um ponto em São Paulo, mas não penso em ter mais lojas no Rio." É o lado artesanal falando mais alto.

 

O estilo de Isabela: detalhes artesanais, em bordados feitos a mão com fitas, rendas, miçangas ou paetês
     
   

 

 
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