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PERFIL
As obras de arte de Capeto
Criações de Isabela Capeto
chegam a museu francês
Sofia Cerqueira
Fotos divulgação
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| Isabela: linha de roupas com peças
numeradas, como obras de arte |
Há pouco mais de um mês, quando visitava uma exposição
sobre a evolução dos desfiles de moda no Musée
Galliéra de la Mode et du Costume, em Paris, Isabela Capeto
parou estupefata. Entre as roupas, acessórios, vídeos
e catálogos expostos no museu, instalado em um imponente
palácio do século XIX, figurava um look-book.
uma espécie de caderninho com fotos do desfile de uma coleção
dela própria. Seu trabalho estava ao lado de criações
de papas da moda, como Balenciaga, Valentino, Hermès e Chanel.
"Não acreditei. Meu look-book era o mais artesanal", lembra.
Talvez tenha sido justamente essa particularidade, marca registrada
das roupas da estilista, que conquistou os curadores. A participação
na mostra parisiense é um carimbo a mais na meteórica
carreira da grife. Em apenas quatro anos, suas criações,
repletas de bordados, rendas, fitas, passamanarias, paetês,
miçangas e estamparia inusitada, conquistaram lugar de destaque
no mundo fashion nacional e espaço no cobiçado mercado
internacional. "Minha roupa é democrática. Encanta
de senhoras a jovens mais descoladas", define. A grife Isabela Capeto,
batizada inicialmente de Ibô (seu apelido de infância),
faz sucesso entre famosos, como Regina Casé, Camila Pitanga,
Malu Mader, Deborah Bloch e Carolina Dieckmann, e já soma
cinqüenta pontos-de-venda em vinte países. Entre eles,
Inglaterra, França, Estados Unidos, Austrália, Japão,
Arábia Saudita e Líbano. Claro que em quantidades
limitadas, como requer roupas com detalhes feitos a mão.
Ter um quê de exclusividade sempre foi uma
preocupação de Isabela Capeto, 36 anos, nascida e
criada na Zona Sul do Rio. Cada modelo conta, no máximo,
com vinte peças. Agora, a estilista restringirá ainda
mais. Acaba de lançar uma linha com etiquetas numeradas:
como em obras de arte, o cliente saberá se está adquirindo
uma peça única ou a segunda de uma série de
cinco, por exemplo. "Adoro fazer uma roupa que dê trabalho",
diz. Algumas, como um cache coeur com 5.000 cruzinhas bordadas,
demoram dias para ser confeccionadas. Sua estréia nas passarelas
aconteceu no Fashion Rio, em janeiro de 2004. Em agosto do mesmo
ano, já estava na São Paulo Fashion Week, onde foi
aclamada. Em julho, vai para sua quinta temporada na semana de moda
de São Paulo. Ao mesmo tempo, passou a fazer showrooms em
Paris. A inspiração? "Pode vir de um livro, de um
artista e até de uma comida", responde Isabela, que já
fez roupas baseadas no jeito de vestir da filha, Francisca, de 7
anos; na azulejaria portuguesa; no trabalho de fotógrafos
africanos; em Matisse; e na cultura peruana. Da jaqueta à
camiseta básica, são sempre peças com ar moderninho
e um toque de brechó. "Sou fã da Isabela. É
muito talentosa e faz um trabalho único", elogia a atriz
Carolina Ferraz. "São peças artesanais, cheias de
delicadeza", completa a diretora Carla Camurati, que escolheu um
colete assinado pela estilista para ir ao lançamento de seu
último filme, Irma Vap O Retorno.
A badalada grife começou miúda, em
2002, numa sala no Leblon. Já no início, as criações
chamaram a atenção do consultor de moda inglês
Robert Forrest. Passou então a vender na conceituada loja
Browns, de Londres. Depois veio a Biffi, de Milão, a Collete,
de Paris, e a Barneys, de Nova York, entre outras. No Rio, vendia
na Clube Chocolate. Há um ano, abriu sua loja, em um charmoso
ponto da Rua Dias Ferreira. Por aqui, suas roupas custam de 80,
uma camiseta com silk, a 3.040 reais, uma saia bordada com 20.000
miçangas. Lá fora, os dígitos são iguais,
só que cotados em dólares ou euros ou seja,
a mesma camiseta em silk custa 80 dólares ou 80 euros, dependendo
de onde estiver à venda. Antes de ter sua grife, Isabela
fez três anos da Accademia di Moda, em Florença, na
Itália, trabalhou nas grifes Maria Bonita, Lenny e na Fábrica
Bangu. E passou um tempo criando quadros com as bonequinhas que
hoje servem de modelo para suas criações (no topo
da página). De uma produção inicial de
200 peças, saltou para 7.600, por semestre. O ateliê,
na Gávea, ficou pequeno. "Estou procurando um novo endereço,
um lugar para abrir um ponto em São Paulo, mas não
penso em ter mais lojas no Rio." É o lado artesanal falando
mais alto.
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O estilo de Isabela: detalhes artesanais,
em bordados feitos a mão com fitas, rendas, miçangas
ou paetês |
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