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CIDADE
Um Flamengo sem crise Bares novos e tradicionais animam
a noite do bairro Rogério Durst
Fundado em
abril de 1874, no Largo do Machado, e transplantado pelas obras do metrô
para a Rua Marquês de Abrantes, em 1976, o Café Lamas reinou soberano
nas noites do Flamengo por décadas. Mas a concorrência chegou. Acompanhando
a renovação na faixa etária dos moradores, que vem acontecendo
nos últimos anos, o bairro viu nascer o botequim de grife Belmonte e ganhou
filiais das redes Manoel & Juaquim e Devassa. Seguindo os novos ventos, o
tradicional Picote passou por uma reforma e o experiente português José
Luís Ribeiro, o seu Juca, voltou com sua adega ao bairro que havia deixado
dez anos atrás. "Freqüento a área desde que fiz faculdade,
quando só existiam uns pés-sujos. A gente ficava um tempo tomando
cerveja em pé e fazia baldeação para outro lugar. Agora existem
boas opções para todos", resume Marcelo Gomes, estudante de pós-graduação
da Bennett. Moradores, gente que trabalha ou estuda no bairro e boêmios
itinerantes garantem que sete bares da Marquês de Abrantes e arredores vendem
mais de 10.000 litros de chope por fim de semana. Numa cidade que vive em função
de seus points, já há, claro, quem chame a área de Baixo
Abrantes.
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1.
Picote
Felipe Varanda/Strana
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Administrado
desde 1964 por Francisco e Marcelino Perez, o Picote tornou-se um dos mais tradicionais
e simpáticos bares do bairro. No ano passado, os sócios sentiram
o clima de mudança na região e fizeram uma reforma, que agregou
charme e elegância ao ponto, sem alterar demais suas características.
A casa, pequena, continua com suas mesas pela calçada da Marquês
de Abrantes (onde fica, apesar do endereço diferente). Todo fim de semana,
1.250 litros de chope, com tulipa a R$ 2,50 e garoto a R$ 2,20, são vendidos
lá. "Com a reforma, ganhamos público novo sem perder a freguesia
de sempre", diz Marcelino. Rua
Marquês de Paraná, 128,
2552-1799 (60 lugares). 6h/1h (seg. a sáb.) e 10h/0h (dom.).
2.
Manoel & Juaquim
Em
2001, essa franquia de neobotequins, que já chegou a São Paulo,
abriu sua filial no bairro. Com os novos bares da redondeza, a fila na porta não
é a mesma daquela época, mas o movimento permanece intenso, com
chope a R$ 2,65 a tulipa. "Em qualquer bar da rede há bom serviço,
petiscos decentes e aquelas velhas piadas de português", opina o funcionário
de telemarketing Luiz Coutinho. Rua
Almirante Tamandaré, 77,
2556-7488 (230 lugares). 17h/2h (ter. a sáb.) e 12h/2h (dom.). Cc.:
todos. Cr.: Vv. 3.
Lamas
A
nova leva de bares não respingou no tradicionalíssimo Lamas. A constatação
é do gerente de vendas Marcos Moreira, que há vinte anos bate ponto
na casa às sextas. "A única mudança é que não
aparece mais aquela turma de jovens querendo uma mesa grande de madrugada." Com
chope barato, R$ 2,40 a tulipa, e um bem fornido cardápio destaque
para o filé à francesa (R$ 36,00, para dois) , o lugar segue
com sua freguesia fiel. "Se eu ameaçar ir ao Devassa, periga alguém
me bater", diz Marcos. Rua
Marquês de Abrantes, 18,
2556-0799 (254 lugares). 9h40/3h (dom. a qui.) e 9h40/4h (sex. e sáb.).
Cc.: todos. T.: T, Ch e V. Cr.: S e Sodex. 4.
Devassa
Felipe Varanda/Strana
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Este
é o maior bar do Flamengo e o que mais atrai público de outros bairros.
A proximidade do metrô ajuda. "Venho de casa, em Botafogo, ou do trabalho,
no Centro, sempre que posso", diz a advogada Ana Lessa. A grande atração
é o chope artesanal, de quatro tipos, que leva o nome da casa. A tulipa
loura custa R$ 3,40; a ruiva, R$ 3,60; e a negra e a mulata, R$ 3,90.
O bar, que
completa um ano neste mês, divide-se em salão e varanda. A aposta
é no excelente serviço e no ambiente com um quê de Rio Antigo.
Rua
Senador Vergueiro, 2,
2556-0538 (310 lugares). 11h30/2h (dom. a qui.) e 11h30/3h (sex. e sáb.).
Cc.: D, M e V. T.: T e Vr. Cr.: T e Vv. 5.
Adega do Juca
A
casa inaugurada em 30 de março é a caçula da área.
Ela marca a volta ao Flamengo do veterano botequineiro José Luís
Ribeiro, o Juca, que ficou conhecido por sua adega na Rua Paissandu. Em 1996,
ele largou o ponto para assumir o Bar do Serafim, em Laranjeiras. Desde então
vem abrindo várias casas pelo Rio, as últimas na Lapa, em sociedade
com Francisco Lopes, o Neto. "Na Lapa, o público é flutuante. Aqui
é diferente. O cliente é do bairro, a gente conhece pelo nome",
diz Neto. A tulipa custa R$ 2,50 e o garoto, R$ 2,30. Rua
Paissandu, 122,
2225-2843 (74 lugares). 8h/2h. Cc.: todos. T.: todos. 6.
Belmonte
Ricardo Fasanello/Strana
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O empresário
Francisco Antônio Rodrigues Pinto lembra bem a reação geral
assim que comprou o Belmonte, boteco inaugurado em 1952 na Praia do Flamengo.
"Acharam que eu era maluco", diz. Reformado em 2002, o bar é a matriz da
franquia que hoje se espraia pela cidade. Resultado da maluquice de Antônio:
o pioneiro Belmonte vive cheio, vende 1.000 pastéis (R$ 3,00 o de queijo,
catupiry com camarão ou carne-seca e R$ 3,50 o de camarão, siri
ou palmito) por dia e 2.500 litros de chope no fim de semana (R$ 2,90 a tulipa).
Praia
do Flamengo, 300, loja D,
2552-3349 (100 lugares). 7h/2h (seg. a dom.). T.: todos. Cr.: T, Vv e Sodex.
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