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26 de abril de 2006

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Um Flamengo sem crise

Bares novos e tradicionais animam a noite do bairro

Rogério Durst

Fundado em abril de 1874, no Largo do Machado, e transplantado pelas obras do metrô para a Rua Marquês de Abrantes, em 1976, o Café Lamas reinou soberano nas noites do Flamengo por décadas. Mas a concorrência chegou. Acompanhando a renovação na faixa etária dos moradores, que vem acontecendo nos últimos anos, o bairro viu nascer o botequim de grife Belmonte e ganhou filiais das redes Manoel & Juaquim e Devassa. Seguindo os novos ventos, o tradicional Picote passou por uma reforma e o experiente português José Luís Ribeiro, o seu Juca, voltou com sua adega ao bairro que havia deixado dez anos atrás. "Freqüento a área desde que fiz faculdade, quando só existiam uns pés-sujos. A gente ficava um tempo tomando cerveja em pé e fazia baldeação para outro lugar. Agora existem boas opções para todos", resume Marcelo Gomes, estudante de pós-graduação da Bennett. Moradores, gente que trabalha ou estuda no bairro e boêmios itinerantes garantem que sete bares da Marquês de Abrantes e arredores vendem mais de 10.000 litros de chope por fim de semana. Numa cidade que vive em função de seus points, já há, claro, quem chame a área de Baixo Abrantes.

1. Picote

 
Felipe Varanda/Strana

Administrado desde 1964 por Francisco e Marcelino Perez, o Picote tornou-se um dos mais tradicionais e simpáticos bares do bairro. No ano passado, os sócios sentiram o clima de mudança na região e fizeram uma reforma, que agregou charme e elegância ao ponto, sem alterar demais suas características. A casa, pequena, continua com suas mesas pela calçada da Marquês de Abrantes (onde fica, apesar do endereço diferente). Todo fim de semana, 1.250 litros de chope, com tulipa a R$ 2,50 e garoto a R$ 2,20, são vendidos lá. "Com a reforma, ganhamos público novo sem perder a freguesia de sempre", diz Marcelino.

Rua Marquês de Paraná, 128, 2552-1799 (60 lugares). 6h/1h (seg. a sáb.) e 10h/0h (dom.).


2. Manoel & Juaquim

Em 2001, essa franquia de neobotequins, que já chegou a São Paulo, abriu sua filial no bairro. Com os novos bares da redondeza, a fila na porta não é a mesma daquela época, mas o movimento permanece intenso, com chope a R$ 2,65 a tulipa. "Em qualquer bar da rede há bom serviço, petiscos decentes e aquelas velhas piadas de português", opina o funcionário de telemarketing Luiz Coutinho.

Rua Almirante Tamandaré, 77, 2556-7488 (230 lugares). 17h/2h (ter. a sáb.) e 12h/2h (dom.). Cc.: todos. Cr.: Vv.


3. Lamas

A nova leva de bares não respingou no tradicionalíssimo Lamas. A constatação é do gerente de vendas Marcos Moreira, que há vinte anos bate ponto na casa às sextas. "A única mudança é que não aparece mais aquela turma de jovens querendo uma mesa grande de madrugada." Com chope barato, R$ 2,40 a tulipa, e um bem fornido cardápio – destaque para o filé à francesa (R$ 36,00, para dois) –, o lugar segue com sua freguesia fiel. "Se eu ameaçar ir ao Devassa, periga alguém me bater", diz Marcos.

Rua Marquês de Abrantes, 18, 2556-0799 (254 lugares). 9h40/3h (dom. a qui.) e 9h40/4h (sex. e sáb.). Cc.: todos. T.: T, Ch e V. Cr.: S e Sodex.


4. Devassa

 
Felipe Varanda/Strana

Este é o maior bar do Flamengo e o que mais atrai público de outros bairros. A proximidade do metrô ajuda. "Venho de casa, em Botafogo, ou do trabalho, no Centro, sempre que posso", diz a advogada Ana Lessa. A grande atração é o chope artesanal, de quatro tipos, que leva o nome da casa. A tulipa loura custa R$ 3,40; a ruiva, R$ 3,60; e a negra e a mulata, R$ 3,90.

O bar, que completa um ano neste mês, divide-se em salão e varanda. A aposta é no excelente serviço e no ambiente com um quê de Rio Antigo.

Rua Senador Vergueiro, 2, 2556-0538 (310 lugares). 11h30/2h (dom. a qui.) e 11h30/3h (sex. e sáb.). Cc.: D, M e V. T.: T e Vr. Cr.: T e Vv.


5. Adega do Juca

A casa inaugurada em 30 de março é a caçula da área. Ela marca a volta ao Flamengo do veterano botequineiro José Luís Ribeiro, o Juca, que ficou conhecido por sua adega na Rua Paissandu. Em 1996, ele largou o ponto para assumir o Bar do Serafim, em Laranjeiras. Desde então vem abrindo várias casas pelo Rio, as últimas na Lapa, em sociedade com Francisco Lopes, o Neto. "Na Lapa, o público é flutuante. Aqui é diferente. O cliente é do bairro, a gente conhece pelo nome", diz Neto. A tulipa custa R$ 2,50 e o garoto, R$ 2,30.

Rua Paissandu, 122, 2225-2843 (74 lugares). 8h/2h. Cc.: todos. T.: todos.


6. Belmonte

 
Ricardo Fasanello/Strana

O empresário Francisco Antônio Rodrigues Pinto lembra bem a reação geral assim que comprou o Belmonte, boteco inaugurado em 1952 na Praia do Flamengo. "Acharam que eu era maluco", diz. Reformado em 2002, o bar é a matriz da franquia que hoje se espraia pela cidade. Resultado da maluquice de Antônio: o pioneiro Belmonte vive cheio, vende 1.000 pastéis (R$ 3,00 o de queijo, catupiry com camarão ou carne-seca e R$ 3,50 o de camarão, siri ou palmito) por dia e 2.500 litros de chope no fim de semana (R$ 2,90 a tulipa).

Praia do Flamengo, 300, loja D, 2552-3349 (100 lugares). 7h/2h (seg. a dom.). T.: todos. Cr.: T, Vv e Sodex.

     
   

 

 
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